Capítulo 13 - Memórias perdidas - Parte 2

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Tetsu — Demônios? Essa era a nossa missão?

Baleque — Ora, por que mandar um arcanjo para uma missão dessas contra simples demônios?

Zeal — … Essa presença… tem algo errado aqui.

Miriel — (gritando) Se afastem!!!

O aviso veio tarde demais.

Uma lança envolta em energia profana cortou o ar como um raio negro e atravessou a cabeça de Baleque antes que qualquer um pudesse reagir. Seu corpo caiu sem vida, o impacto ecoando pelo campo de batalha como um sino fúnebre.

O ar ficou pesado.

Miriel arregalou os olhos, e sua aura explodiu em fúria.

Miriel — MALDITOS!

Ela sacou sua espada divina e avançou contra os demônios, rasgando o chão a cada passo. Ao mesmo tempo, Tetsu disparou para frente. Ele agarrou o braço de um dos demônios com força esmagadora e o arremessou para o alto.

Tetsu — Agora, Zeal!

Zeal — Técnica Angelical… Pulverizar!

Uma explosão de energia pura apagou completamente a existência do demônio, como se nunca tivesse existido.

Então, o responsável pela morte de Baleque avançou.

Demônio — Chamas do Inferno: Flechas Sombrias!

Várias flechas de fogo negro cortaram os céus em direção a Tetsu. Sem hesitar, ele abriu a palma da mão.

Tetsu — Esfera de Fogo!

As técnicas colidiram no ar, criando uma explosão colossal que distorceu o espaço ao redor. Nenhum dos dois foi atingido. No instante seguinte, Tetsu já estava atacando, mas o demônio desviou e contra-atacou, lançando-o violentamente para longe.

Demônio Cinza — Eu sou Miller… o Demônio Cinza. Aprendiz direto de Luci, da elite do clã dos demônios.

Miriel — Eu sei exatamente quem você é. Foi por isso que me enviaram.

Ela sorriu.

Miriel — Isso vai ser fácil.

Miller — Matem todos eles.

Os demônios restantes avançaram juntos, suas presenças se sobrepondo como uma maré de ódio. Foi então que Miriel ergueu a espada e falou, com um riso frio.

Miriel — Agora sim… vou usar o poder da minha graça.

Ela encarou o campo de batalha.

Miriel — Tempo.

O mundo parou.

Tetsu sentiu sua mente ser inundada por lembranças — batalhas travadas lado a lado com Miriel, inimigos derrotados antes mesmo de perceberem que estavam mortos. Em menos de um segundo, o massacre foi concluído.

Quando o tempo voltou a fluir, os corpos dos demônios desabaram simultaneamente no chão. Apenas Miller permanecia vivo, em choque.

Tetsu abriu as asas e subiu aos céus. A energia ao redor de Rhitta rugia como um trovão divino. Ele despencou em queda livre.

O impacto foi devastador.

Miller tentou desviar, mas o martelo arrancou seu braço com brutalidade. Antes que pudesse gritar, Tetsu o atingiu novamente no rosto, lançando-o contra o solo. O ataque não parou.

Uma sequência imparável de marteladas caiu sobre Miller, cada golpe carregado de fúria e justiça, até que ele não conseguiu mais se mover.

Tetsu pousou à frente dele.

Seu olho esquerdo ardia em chamas divinas.

Tetsu — Queime… Chamas Divinas.

O fogo azul engoliu Miller por completo, apagando sua existência.

Miriel — Acho que realmente não era necessário eu nessa missão… — ela suspirou — Mas tivemos uma perda. Ele subestimou o inimigo.

Tetsu — E agora?

Miriel — Zeal, faça o relatório da missão. Eu e Tetsu vamos verificar se ainda há mais demônios por aqui.

Zeal — Entendido. Tomem cuidado.

Zeal partiu voando. O silêncio voltou a dominar o local.

Miriel se aproximou de Tetsu, sua voz baixa, vulnerável.

Miriel — Amor… eu não sei por quanto tempo mais vou conseguir esconder isso de todos. Eu queria que fosse permitido… nós dois.

Ela se aproximou, segurou o rosto de Tetsu e o beijou. No primeiro instante ele se assustou, mas as memórias retornaram por completo. O relacionamento secreto. Os encontros escondidos. O amor proibido.

Lágrimas escorreram pelo rosto de Tetsu — de felicidade e de dor.

Tetsu — Eu não vou desistir de você. Se for preciso… eu morro. Mas nunca vou te abandonar.

Miriel o beijou novamente, chorando. Eles se abraçaram com força, como se o mundo pudesse acabar a qualquer instante. Ali, longe dos olhares divinos, eles se entregaram um ao outro, compartilhando aquilo que lhes era negado.

O amor entre anjos era proibido.

As punições eram claras: remoção da graça, exílio… ou morte.

Anjos não podiam amar. Não podiam se relacionar com anjos, humanos ou demônios. Eram condenados à solidão eterna.

Ninguém jamais os havia visto juntos.

Mas havia outra forma de serem notados…

Uma consequência que eles ainda não haviam imaginado.

Continua…

Olhos de fogoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora