Capítulo 5

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  Lírio estava caída no chão,haviam cortes em seus pulsos e sangue saía deles. Corro até ela.

_ Lírio!Não,de novo não!_ Grito.

Não havia o que fazer,ela estava morta. De alguma forma o sangue que estava em seus braços passa para minhas roupas,olho para minhas mãos assustado,estavam completamente ensanguentadas.

Olhei para baixo,uma faca estava ao meu lado e os ferimentos de Lírio agora estavam localizados em seu peito.

Eu matei a Lírio?

Ela se contorceu e me agarrou pela camisa.

_Eu confiei em você,por que me matou?_ Ela disse com lágrimas nos olhos e então fechou os olhos,me largando e desabando no chão.

Acordei em um pulo, assustado,meu coração acelerava tanto que achei que fosse morrer ali no passado mesmo,olhei em volta e tudo estava normal.Era apenas o meu quarto,não havia sangue e  nenhuma garota morta,muito menos uma faca.

Me jogo na cama,fazendo com que meu corpo bata contra o colchão. Ainda assustado,aos poucos vou pegando no sono novamente.

No dia seguinte , quando o sinal do recreio toca,vou correndo até a sala da 502, Lírio está desenhando exatamente como no dia anterior.

_ Você gosta mesmo de desenhar._  Falo admirado,nunca tive paciência para essas coisas.
_ Não é que eu goste,é que desenhar é única maneira que eu tenho de poder dizer a verdade,pelo menos por um tempo._ Ela desenhava uma garota sendo chutada por uma senhora,essa era a verdade? Alguém batia na Lírio? Eu não sabia o que dizer,mas podia notar sofrimento em seu rosto,então decidi distraí-la um pouco de sua dor,não importa qual fosse.
_ E se você saísse dessa sala, só uma vez?_ 

Ela me olha assustada.

_ E tem  fazer o que lá fora? Ser zoada por todo mundo?Não obrigada!_ Lírio volta a  desenhar.

_ Não vão te zoar,eu não vou deixar._

_Mas não tem nada pra fazer lá._ Ela resmunga.
_ É claro que tem,muitas coisas, vamos,eu te mostro._ Vou até a porta,fazendo um gesto de "vem".

Ela revira os olhos,mas vem até a porta.

_ Você tem mesmo certeza disso?_ Lírio resmunga.
_ Vamos ,o que você tem a perder?_ Olho para ela,com um sorrisinho.
_ Eu acho que nada._  a garota dá de ombros.

_ Então vamos._ Pego ela pela mão e começo a correr,nós corremos  por toda a escola e entramos  nas outras salas, causando raiva nos alunos mais velhos,que nos expulsavam aos gritos.

Nós continuamos correndo feito loucos,Lírio ria muito,eu estava feliz por ela estar se divertindo.
Por fim chegamos a porta de uma sala,paramos e colocamos as mãos nos joelhos,ofegantes. 
_ A biblioteca!_
Lírio reconhece a porta e imediatamente levanta.
_ Então você já veio aqui?_ Levanto também.
_ Eu costumava vir aqui até o meio do ano passado,para pegar livros,as vezes eu matava aulas aqui._
_ olha ela rebelde._ Olho para ela admirado._ Por que você parou de vir ?_
_ Porque eu cansei de ficar me iludindo com coisas que eu nunca teria._
_ Como assim?_
Pergunto.
_ Amigos!_
Lírio dá meia volta e começa a andar rápido,vou atrás dela e acabamos voltando para sua sala.
_ Lírio,eu fiz alguma coisa errada?_
Pergunto,da porta da sala. Lírio me deixava muito confuso,eu estava me segurando para não ser grosso. Com certeza era por isso que ela não tinha amigos,as pessoas não tinham paciência com ela.
_Não, é que eu não devia ter saído.Me deixa sozinha por favor._ Ela me olha rápido e logo volta para dentro da sala rapidamente,eu pude notar que seus olhos estavam vermelhos.
Respeito seu pedido e vou embora.

A  noite,minha mente novamente me perturbou com pesadelos em que eu matava Lírio.

Quando fui á escola,no dia seguinte,tentei prestar atenção no que a professora dizia,mas eu não conseguia.

Meu coração estava acelerado e eu ouvia ruídos a minha volta.Eu olhava para tudo a mesa,o caderno,o chão,o teto... Mas não conseguia fazer aquilo parar,então eu vi minhas mãos manchadas de sangue.

_Você matou a Lírio!_ Ouvi minha professora dizer.

_ O que?_ Perguntei assustado.

_Você está bem Johan?_ A mais velha olhava para mim,com um olhar curioso. Ela não era a única,todos olhavam para mim.

_Eu estou...Eu estou bem!_ Afirmei.Meu coração ia desacelerando aos poucos,todos ainda estavam olhando para mim.

Minha professora abriu a boca para dizer algo,ela provavelmente suspeitava,que eu estava com problemas,agora.O que eu diria se alguém viesse me perguntar o que estava havendo comigo? A orientadora da escola provavelmente transformaria tudo em um caso de bullyng e me obrigaria a fazer amizade com todos.

Eu estava morrendo de medo e uma gota de suor escorreu,quando o sinal tocou. Era a hora do recreio,todos saíram e eu aproveitei para ir também.

Como nos dois dias anteriores,eu fui até a sala de Lírio.

Mas quando eu entrei,nem ela nem as coisas dela estavam lá.

Lírio tinha faltado aula.

Se fosse qualquer outra pessoa,eu não estaria tão preocupado,afinal alguém pode faltar aula por vários motivos,mas era Lírio... E se ela tivesse feito alguma coisa? E se alguém tivesse feito alguma coisa?

Meu coração acelerou.

Eu não sabia o que fazer e não podia esperar mais,então liguei para Davi.Segundo a ordem em que as coisas aconteceram , faltavam 2 dias para o suposto suicídio de Lírio,era por que eu estava tão desesperado.E se minha vinda tivesse mudado tudo? E se nessa linha do tempo,ela se matou ao invés de ser assassinada?

Apenas ele saberia.

Fui até o banheiro e fechei a cabine, então liguei para o prodígio.

_ Alô, Davi?_ Falei o mais baixo possível,se alguém visse meu telefone,isso poderia trazer sérias consequências.
_ Sou eu, como estão as coisas por aí?_ O mesmo perguntou.
_ Faltam dois dias e a Lírio desapareceu,estou com medo de que a linha do tempo tenha mudado pra pior._
_ Você tentou se aproximar dela?_ Sua pergunta me irrita.
_ Claro que tentei!_ Percebo que estou falando alto demais,então respiro fundo e volto a falar baixo._Eu acho que ela não quer mais falar comigo._ Concluo.
A ligação cai.

_ Ah,mas que droga Davi!Você disse que o telefone funcionaria._ Soquei a porta com raiva,eu não sabia mais o que fazer.

Eu não queria que ela morresse de novo.

Respiro fundo,saio da cabine e aproveito que estou no banheiro para jogar uma água no rosto.

Se eu perdesse o controle,aí mesmo é que teremos problemas.

Mais tarde,quando eu já estava em casa,tentei ligar novamente várias vezes.

Sempre caía na caixa postal,eu estava prestes a tentar mais uma vez,quando minha mãe abre a porta.

Escondo o telefone rápido.

_O que foi, mãe?_ Pergunto irritado.Ela nunca aparecia,quando tinha que aparecer.
_ A Safira vai a festa de uma amiguinha e eu quero que você a leve ._ A mais velha explica e se vira para sair do quarto,quando eu solto um:
_Mas porque eu?_
_ Por que eu estou ocupada e não quero que a sua irmã fique andando sozinha por aí ._ Ela explica e então gira os calcanhares,desaparecendo tão rápida mente quanto entrou.
_ Tá bom mãe...._ Reviro os olhos e saio do quarto,quando chego à sala,minha irmã já está me esperando de braços cruzados.

_Vamos logo Safira._ Respiro fundo.


Assim que a deixo na casa da tal amiga, que não é muito longe da minha casa,vejo Lírio colocando o lixo para fora do outro lado da rua. Me preparo para correr até ela,quando uma senhora abre o portão e a puxa para dentro,pelo braço,com violência.Ela gritava vários palavrões em uma altura tão alta que toda a rua pode ouvir.

Fiquei preocupado e ao mesmo tempo aliviado. Preocupado,porque estava com medo do que aquela senhora faria a ela,e aliviado,porque ela estava viva.

O dia em que eu te vi pela primeira vezOnde histórias criam vida. Descubra agora