As feridas nunca saradas
Acidentalmente se abrem
No final de uma segunda-feira qualquer
Fazem-me sentir mais menina
E menos mulher
Delicadas lágrimas abençoam
A chegada de uma terça-feira qualquer
Não consigo ficar parada
E logo começo a andar a pé
O desespero e a desistência abrandam
A tarde de uma quarta-feira qualquer
Quanto maior a dor
Menor é a minha fé
A aceitação de tudo
Vem no vento de uma quinta-feira qualquer
Finalmente, me sinto menos menina
E mais mulher
Tudo se despedaça
No quebra-cabeça de uma sexta-feira qualquer
Cada vez, menos perto e mais distante
De ser quem eu quiser
No sábado e domingo,
É a poeira escura do que restou
Da menina e mulher
Amaldiçoadas com um feitiço
Sempre presa aos outros, nunca consigo
Escutando os outros, mesmo que os outros
Nunca estejam ouvindo.
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Espinho Numa Rosa
PoetryMinha vida Meus pensamentos Minhas rosas Meus sentimentos Meus espinhos Meus lamentos Minha saudade Meu amadurecimento
