Capítulo 106

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♠Carolinne Parks♠
Meus olhos se abrem com dificuldade e eu preciso de segundos para me acostumar a luz branca. Eu estava em uma sala de hospital. Faço uma careta ao sentir todo meu rosto doer, assim como o meu corpo.
_ Ei... - era a voz de Brooklyn, ele estava apoiado na parede - Como se sente? - ele caminha até mim e eu franzo o cenho confusa, imagens do que aconteceu passam pela minha cabeça e a maquina começa a apitar. Tento me levantar da cama.
Rose.
Precisava ver Rose. Ele a matou?
_ Onde ela está? - exclamo e Brooklyn me segura me impedindo de sair da cama. - Rose... onde ela está? Ela está bem? - choro e ele me abraça
_ Ela está bem. Está apenas fazendo os últimos curativos. - soluço me acalmando e a maquina também. Me sento desajeitada na cama e olho para o garoto moreno ao meu lado
_ O que houve? - pergunto não sabendo exatamente o que quero saber primeiro. Brooklyn se senta na beirada da cama e suspira.
_ Eu tirei vocês de lá. - é o que ele diz
_ Como? Onde está o senhor Cott? Por quanto tempo eu dormi? - Estava em coma? Meu Deus, eu dormi por anos? Brooklyn não parece tão mais velho...
_ Ok. Vá com calma. - ele me alerta - Você deve ter dormido por uns quarenta minutos, não sei direito. Te encontrei desmaiada, acabamos de chegar aqui no hospital. - ele olha para o chão - Esqueci minha carteira no vestiário depois da aula de educação física, então fui buscar. Quando estava indo embora ouvi... Barulhos e gritos... - sua voz era fria - Ouvi Rose gritando. - ele explica e olha para mim - Encontrei Cott batendo nela e você desmaiada no chão. Bati com a cadeira nas costas dele e ele desmaiou. Chamei a ambulância e estamos aqui. - assinto.
_ Obrigada. - digo e Brooklyn me olha confuso - Se você não tivesse aparecido... - ele segura minha mão e sorri
_ Vocês estão bem agora. Está tudo bem. - assinto sorrindo fraco, mas meu rosto dói e eu faço uma careta.
_ Eu vou chamar uma enfermeira e ainda não tive tempo de avisar Caleb, mas seus pais estão vindo. - ele começa a se levantar mas o seguro pela mão
_ Não diga nada a Caleb. Eu estou bem. Ele não precisa saber disso. - Brooklyn me olha como se eu fosse louca - É o aniversário dele...
_ Carolinne, sinto muito, mas acho que ele vai desconfiar assim que olhar para você. Sem querer ofender, mas você está um caco. - ele me entrega seu celular e eu me vejo pela camera frontal. Tinha um corte com pontos na testa e nos lábios, um olho roxo e hematomas verdes e azuis pelo maxilar e bochecha.
_ Ao menos me deixe contar pra ele, tudo bem? - ele suspira assentindo
_ Ok, mas se não disser nada, eu vou! - ele me alerta.
_ Onde está o sr. Cott? - Broklyn parece ficar sério ao ouvir seu nome.
_ Não precisa chamar aquele canalha de senhor, ele não merece seu respeito, Carolinne. - sua voz sai afiada - Ele está em um quarto desse hospital, já avisei a polícia, eles estão vindo. - assinto e vejo minha mãe e Derek entrarem correndo pela porta do quarto.
_ Meu Deus! - minha mãe corre até mim, me abraçando e Derek fica uns passos atrás. Posso notar seu rosto vermelho.
_ Estou bem. Não se preocupem. - digo confortando minha histérica mãe. Brooklyn sai do quarto.
_ Não, não está! Olhe pra você. - ela toca meu rosto e eu grunho de dor - Eu vou matar aquele babaca... - ela promete
_ Com licença, sou a médica da senhorita Parks... - uma mulher entra junto de uma enfermeira, elas me examinam e me passam alguns remédios. - Bom, Carolinne, você sofreu uma grande lesão no abdômen, mas não fraturou nada. Vou passar uma receita de analgésicos e cuidados com seus pontos, mas você está livre pra ir. - minha mãe segue a médica para fora da sala, para fazer milhares de perguntas e eu sou deixada com Derek.
_ Acha que vou ganhar um pirulito quando sair? - faço uma piada mas Derek não ri. - Derek... - começo mas ele caminha até mim, me abraçando. Segundos depois me assusto ao ouvir seus soluços no meu ombro. - Está tudo bem... - digo
_ Eu amo você, Care. É minha filha. - ele diz olhando nos meus olhos, como se estivesse se certificando de que eu estou entendendo.
Assinto. Minha mãe voltou para o quarto procurando por Derek dizendo que precisavam assinar meus papéis de liberação do hospital. Aproveito meu tempo sozinha e uso o telefone do hospital para ligar para Caleb. Tremo ao lembrar que meu celular está com Cott.
_ Alô. - sua voz soa pelo telefone. - Carolinne, eu estava pronto pra ir te buscar, já saiu? - mordo o lábio sentindo minha boca amarga
_ Sim, eu saí. - digo - Mas não estou na escola. - tento controlar minha voz e não gaguejar - Aconteceu uma coisa, mas preciso que se acalme e saiba que eu estou bem. - a respiração do outro lado da linha se intensifica
_ Carolinne, o que houve? Corte a merda e diga de uma vez! - ele exclama e escuto barulho da porta do carro batendo
_ Apenas vá para minha casa e me espere lá, ok? Explico quando chegar. - ele tenta questionar, mas desligo o telefone. Me sinto cansada e dolorida, mas mesmo assim saio da cama e retiro a camisola do hospital, me trocando. Encontro com meus pais, Brooklyn e Rose no lobe do hospital. Dois policiais estavam conversando com Derek.
_ Care, eu sinto tanto! - Rose chora correndo até mim. Ela estava bem. Poucos ferimentos, apenas alguns hematomas no rosto. Suspiro aliviada em seu ombro. - Eu não queria que tivesse se machucado.
_ Estou bem. Estou bem. - repito a confortando.
Eu disse essa frase tantas vezes, talvez tenha se tornando banal.

Fire and Ice: burn or meltHistórias para pegar e não largar. Descubra agora