♠️Carolinne Parks♠️
Quando o sinal toca me dirijo para a sala de música depois de me despedir de Rose a Alec. Sento no meu lugar de sempre no fundo, vejo Caleb entrar na sala, porém ele não se senta ao meu lado e sim a dois bancos a frente. A senhorita Cole se levanta ficando a frente de todos.
_ Bom, como vamos ter nossa apresentação no fim do semestre, usaremos as aulas para nos prepararem. Eis as regras: você podem cantar solos, duetos, até quartetos, nada a mais. Terão 5 minutos para apresentarem suas músicas e serão avaliados pelos juízes, estes são: eu, o diretor e o público. Suas notas serão as notas de seus boletins. Terá um prêmio ao vencedor. - ela nos entrega um papel - Preciso que tragam a assinatura de seus pais confirmando presença. E mais uma coisa... - ela nos encara - Sejam criativos. - sorri. - Podem trabalhar. - ela indica os instrumentos.
Vou até o teclado e me sento encarando as teclas. Eu não fazia a menor ideia do que tocar. Como eu iria cantar para frente da escola toda? Abro meu caderno procurando alguma música. Passo o restante da aula tocando melodias e cantarolando baixo.
_ Está uma droga! - sussurro segurando meus cabelos.
_ Como estamos Carolinne? - a sra. Cole pergunta sorrindo
_ Eu não acho que vou conseguir. - digo sincera - Não posso tocar para a escola toda. Acho que é melhor eu ficar de fora. - digo e ela balança a cabeça em negativa.
_ Carolinne, querida, é uma das minhas alunas mais talentosas. Sei que é capaz, caso contrário não teria passado essa tarefa a vocês. Apenas faça o que sempre faz na aula quando todos estão te encarando. - ela olha para mim - Toque com sentimento. - explica. Ela se afasta para avaliar outros alunos e eu olho para o lado, avistando Caleb. Ele estava sentado em uma almofada tocando algo. Seus dedos dedilhavam o instrumento com precisão, mas com certa elegância, sua boca murmurava sons de encontro com a melodia e sua cabeça baixa fazia seus cabelos castanhos cairem pela testa, cobrindo seus olhos. O sinal toca me assuntando e tirando do transe.
A aula de química é extremamente exaustiva. Faço dupla com um garoto moreno que parecia mais interessado em morder seu lápis do que me ajudar.
_ Que tal ler o que precisamos colocar na mistura, hm? - ele pisca e olha para mim assentindo.
_ Química é tão chato! - ele reclama antes mesmo de ler o primeiro composto. Suspiro. - Como pode gostar? Ou ao menos entender? - ele pergunta me encarando como se eu fosse de outro planeta. Dou de ombros
_ Não sei. Acho que só tenho facilidade... Não é tão difícil. Na maior parte é só misturar os frascos. - o garoto aponta para um frasco azul.
_ Então, é só misturar? Esse com esse? - ele pergunta já despejando o líquido na água.
_ Não, você tem que seguir as instruções do livro... - mas antes que eu pudesse o impedir ele despeja mais um líquido verde junto e mais metade de um amarelo. Arregalo os olhos quando uma fumaça cinza se forma. Tapo meu rosto sentindo meu braço formigar e meu olhos arderem.
_ Para fora, todos! - o professor diz quando a fumaça aumenta. Mas quando tento me levantar quebro um frasco fazendo o cheiro me atingir. Sinto meu corpo virar gelatina e a sala cheia de fumaça gira completamente. Não vejo mais ninguém la dentro, todos tinham saído. Agarro minha mochila cambaleando até a saída. Caio no chão e tusso. Meus olhos estavam molhados e ardendo. O cheiro não me deixava respirar direito. Pisquei no chão sem conseguir me mover, antes de apagar senti meu corpo ser erguido no ar. [...]
Acordo na enfermaria da escola. Minha garganta queima e eu tusso.
_ Ei, calma... - era Alec. Ele me entrega um copo de água - Disseram que pode ter tonturas e enjoos. Vai sentir uma sede insaciável por alguns minutos. - ele me da mais dois copos cheios e eu bebo até não aguentar mais.
_ O que aconteceu? - pergunto rouca. Minha voz quase não saia.
_ A sala está lacrada, até conseguirem fazer a fumaça passar. O garoto que fez a merda toda está na diretoria, acho que vai ser suspenso. O que eu acho pouco justo sendo que aquele imbecíl quase matou você.
_ Não foi culpa dele, quero dizer, não foi por causa dele que quase morri. Quando estava levantando derrubei um frasco, o cheiro me deixou zonza. Não consegui andar ou ver. - explico e tento me sentar. Mas tudo gira e eu caio de volta na cama. Olho para Alec e me lembro da nossa briga. Lembro que não estávamos nos falando.
_ Quando me contaram que estava na enfermaria e que quase morreu, pensei que nunca mais fosse te ver. - ele diz e respira fundo - Não iria me perdoar se tivesse te deixado ir tendo raiva de mim. - ele abaixa a cabeça e eu seguro sua mão
_ Não estava com raiva. Magoada. Mas não com raiva. - Alec olha para mim
_ Sinto muito Care. Estava bêbado e comecei a pensar nele. Meu pai veio na minha mente e eu simplesmente tive que aliviar... - aperto sua mão afetuosamente - Sinto muito. Não vou fazer de novo. Você quase morreu por inalar fumaça, o que é irônico já que é exatamente o que eu faço. - ele diz e sorri fraco
_ Precisa falar comigo, Alec. Posso te ajudar a aliviar, é pra isso que servem os amigos. - digo e ele assente - Vem cá. - digo o puxando para um abraço. Quando ele se afasta, uma pergunta vem a minha cabeça. - Quem me tirou de la? Lembro de alguém me segurando... - Alec trava o maxilar levemente e revira os olhos. Por sua reação de irritação já me permito um chute.
_ Foi o Jones. - ele diz confirmando minhas suspeitas.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Fire and Ice: burn or melt
RomansaSinopse: Carolinne Parks é uma garota como todas as outras. Não possui nada em especial. Ela é tímida, bondosa chegando a ser ingênua e seu único meio de defesa é o sarcasmo. Mora com a mãe desde sempre, as duas tem um ótimo vínculo, contam tudo um...
