Cecilia...
Ja é bem cedo quando acordo do nada,eu simplismente acordo e respiro fundo,me sinto boba pelo fato de um homem tao bonito ter me trazido em casa,e o que me deixou sem geito foi o fato de isso nunca ter acontecido comigo.
Mas não foi como imaginei,ele nem insistiu que ficasse mais um pouco,na verdade eu realmente estou imaginando coisa.
Olho no relogio e me assusto com o horario,o Café esta quase pra abrir e com certeza não ouvi o despertador,me levanto e arrumo a cama de qualquer jeito.
-Vamo Ceci!- Digo pra mim mesma enquanto pego uma calça vermelha e uma blusa branca no guarda roupas.- Corre mulher!
Corro para o banheiro com tudo na mão e por sorte meus irmaos não estao acordados ou na verdade não estao em casa.
Tomo um banho rapido e me visto,volto no quarto me perfumo e calço minha sapatilha,pego a minha bolsa e pela segunda vez saio de casa as pressas.
Corro pela rua feito louca ,passo pelas tres quadras e quando chego na esquina do Café olho para os lados,para não ter ninguem pegando no meu pé ,insistindo em ser uma pessoa boa e que não vai dormir se não tiver o meu perdao.
Entro no Café e dou graças a Deus por estarem todos descendo as cadeiras.
-Vai logo se arrumar!- Ally fala vindo na minha direçao ,enquanto arruma os cabelos em um rabo de cavalo.
Passo pela portinha e entro no trocador,visto meu uniforme do Café ,o avental e coloco o cracha com o meu nome,me lembro da vergonha que passei na noite anterior,me convenço de parar de pensar nisso e logo volto para ajudar os demais.
-Ok,Igor pode ir para o seu lugar!- Falo ja colocando cada um no seu lugar ,Igor vai para tras do balcao e fica no lugar onde se prepara os cafes ,chas e sucos.
As cadeiras todas abaixadas e o local limpo viro a plaquinha de ABERTO ,assim cada um vai para o seu lugar ,os demais vao para alguns cantos ,Ally vai para tras do balcao ,cuidando do caixa e eu a acompanho.
Aos poucos os clientes vao chegando,começamos a nos movimentar ,o telefone toca a cada dez minutos e incomendas de bolo sao levados para entrega ,na verdade o Café esta bem mais cheio do que de costume.
Tudo corre tao bem,pelo menos até as dez e meia da manha,quase na hora do almoço,justo na hora que Ally esta ocupada de mais passando o cartao de um cliente ,ele chega.
O homem da carona entra pela porta e caminha em direçao ao balcao ,ajeita a calça social e senta em um dos banquinhos bem na minha frente ,tento disfarçar que estou ocupada e sinto seu olhar em mim.
-Ceci!- Ally me chama e aponta para o homem,para que eu o atenda,e eu torcendo para ela vir e atender ele.
-Bom Dia!- O cumprimento fingindo animaçao,mas na verdade apenas quero enfiar a cabeça na madeira do balcao.
-Bom Dia!- Ele fala como se estivesse ali a horas e pela voz esta irritado,mas ele sorri e meu Pai o que é isso!
-O que vai querer?- Pergunto apoiando as maos na madeira.
- Apenas o de sempre!- Ele fala cruzando os braços sobre o terno .
- òtimo!- Digo sendo ironica ,analiso suas roupas estravagantes e me viro para pedir o de sempre para ele.
Volto a fingir estar ocupada ,apenas para nao precisar falar com ele,pego alguns papeis e finjo ler um anuncio de um mês atras que graças a Deus esta ali ainda.
- Se você parace de mover as sobrancelhas ,não daria pra notar que esta fingindo ler esse papel!- Ele fala me fazendo sentir vergonha,paro de olhar o papel e o encaro.
-O que você quer?- Pergunto deixando a ignorancia falar mais alto.
-Quero um Café!- Ele responde sarcastico e por incrivel que pareça ele ao menos sorri ,como se falasse sério.
-Eu nunca te vi por aqui antes do almoço e do nada você aparece!- Digo não me importando com quem ele deve ser e quanto dinheiro aparenta ter.-Eu ja te perdoei,fizemos um acordo!
Ele me olha estranho e da outro sorriso daqueles sem jeito ,que é feito apenas com o canto da boca.
- O acordo Senhorita,é que eu pare de te pedir perdao!- Ele fala parando de sorrir e ficando sério novamente.-E não que eu pare de vir ao Café ,afinal,eu seria um tolo ao propor o acordo dessa forma!
Igor surge entre nós e lhe serve o Café ,o moço agradece Igor com um gentil sorriso e volta a me olhar.
- Você ...quer saber !Aproveite o Café!- Digo dando meu braço a torce,me afasto dele e me aproximo de Ally.
Ela limpa a garganta e continua a olhar para os clientes.
-Entao!- Ela começa olhando disfarçadamente para o homem que quase me atropelou.- Quem é o Gato de Terno?
-É só lunatico que fala certinho!- Respondo tambem olhando disfarçadamente para ele que esfria o seu Café como uma criança,entao volto a olhar para ela.
-Que lunatico eim!- A voz de Ally sai estranha e um tanto assanhada ,entao ela sorri e acena.- Ele tava olhando !
Dou risada pela sua falta de vergonha e evito em olhar para tras.
-É claro que ele estava olhando!- Digo o mais baixo possivel.-Até eu olharia se me sentisse estranha por estar sendo encarada por duas pessoas cochichando!
Ally olha para mim e concorda ,por um minuto seu olhar muda de direçao e sua espressao muda.
-Me deixe voltar a trabalhar,acho melhor você ir ver o que o Gato de Terno quer!- Ela fala baixinho o apontando com a cabeça.
Me viro e vejo que ele esta realmente me chamando,me sinto estranha,não entendo o motivo ,mas estou me sentindo estranha.
-Pois não Senhor!- Falo colocando as maos para tras das costas.
- Entao...Cecilia!- Ele fala encarando meu cracha e isso me faz querer sorrir ,mas não o faço.- É... Perdao eu...
-Para de me pedir perdao!- Digo mantendo a minha voz baixa ,olho para os lados a fim de me certificar que não ha ninguem olhando.
- Ok me perdoe!- Ele pede perdao sem ao menos notar que fez isso,entao ele se levanta ,me entrega o dinheiro e sai todo sério.
...
Finalmente meio dia,chego em casa e por incrivel que pareça minha mãe esta na cozinha fazendo o almoço,me sento na cadeira e a encaro,ela me olha e volta a mexer a panela.
- Cecilia,eu preciso de uma ajuda sua!- Minha mãe fala deixando a concha de lado.
-Do que a Senhora precisa?- Pergunto mesmo sabendo do que ela precisa,afinal ela só esta em casa quando quer algo.
- Preciso de mil reais,por favor fala pra mim que você pode me ajudar!-Ela fala sem um pingo de vergonha na cara.
- Não mãe, eu não tenho mil reais pra te ajudar!- Falo sendo sincera com ela.
-Mas como não tem?- Ela praticamente grita e eu acabo me assustando,sei que la vem sermao.- Você é a unica que trabalha,você tem que ter dinheiro!
-Justamente por ser a unica que trabalha aqui,eu não tenho dinheiro!- Respondo não aumentando a minha voz.-Você ja parou pra ver o valor da agua ?!Acho que não, afinal Renato,Gabriela e você nunca estao em casa!
Ela se irrita e acaba desligando a panela,pega a concha e joga na pia com força.
- Ja que esta reclamando,porque não vai embora !?- Minha mãe grita e fala o que nunca falou antes .- Ja que é a unica que trabalha! Porque não se muda da minha casa?
Me sinto na obrigaçao de fazer isso,talvez ela tenha razao ,na verdade ela tem razao,estou cansada de ser tratada como empregada.
-Quer saber!- Digo me levando ,pronta para ir pro meu quarto.-A Senhora tem toda razao!
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A Noiva Que Pedi A Deus
RomanceLorenzo Portinni ,rico ,educado,mas liderado pela sua mãe que cismou com a ideia de que seu filho precisa se casar para herdar a fortuna deixado pelo seu pai. Cecília dos Reis,garçonete em um dos cafés mais caros da cidade ,odiada pela família ,tent...
