No meio do mato - cap 35

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Luísa

- Você está doido? não podemos sair agora. - disse eu

- Você é Luísa D'avilla, pode fazer o que quiser.

- Isso é verdade

- Então vamos

- Vamos pra onde?

- Você vai ver, vamos logo.

Saímos do prédio e entramos no carro dele, sentei no banco do passageiro e encostei minha cabeça

- É longe? posso cochilar no caminho? - perguntei e ele riu

- Pode sim, tem um travesseiro no porta mala, vou pegar.

Ele desceu e pegou o travesseiro, entrou novamente no carro e fomos, eu não vi nada pelo caminho pois dormi feito pedra, só vi a hora que paramos em um fast food, acordei com o cheiro da comida, nós pedimos os lanches e eu fui comendo até pararmos no acostamento pra ele comer também.

- Aonde estamos indo? já andamos bastante. - perguntei dando uma mordida

- Falta 15 minutos pra gente chegar, para de ser apressada. - disse ele rindo

- E você não vai se atrasar para o compromisso das 19h com a loira?

- A Nadine? não acredito que você estava ouvindo nossa conversa

- Nadine, isso mesmo, sabia que eu conhecia ela, mas não lembro de onde.

- Você é terrível Luísa. - disse ele gargalhando

- Você ainda não me disse.

- O que? - perguntou ele

- Que compromisso é esse. - disse eu

- Não é da sua conta mocinha. - disse ele colocando uma batata frita na minha boca

- Ah então você tá assim? - perguntei

- Sempre fui. - disse ele rindo

- Eu agradeço se você parar de roubar minhas frases. - virei para o lado e voltei a dormir, em 15 minutos mais ou menos ele me acordou com a buzina, levantei num pulo com o susto.

- Chegamos. - disse ele

- Onde estamos? - perguntei ainda sonolenta

- Não está reconhecendo?

- Aaaah é a fazenda que passa aquele rio enorme no fundo que a gente vinha quando era criança?

- Essa mesmo. - disse ele

- O que estamos fazendo aqui? - perguntei

- Viemos passar a noite.

- Você é doido? eu nem trouxe roupa

- A Claudia e a Joana me ajudaram com isso. - disse ele me entregando uma sacola de viagem

- Eu não estou acreditando.

- Bom, nós vamos para o meio do mato, então sugiro que você troque de roupa logo

Nós entramos na casa que era da vó de Marcelo, mas não tinha ninguém lá além dos empregados e da cozinheira que moravam lá para cuidar já que os Avós dele tinham se mudado para a cidade
Eu fui me trocar, as meninas escolherem até que bem as roupas. Saí de lá e Marcelo também já havia se trocado.

- Mas eu não entendi, por que isso agora? - perguntei

- Porque nós vamos a um lugar diferente

- E por que vamos a um lugar diferente?

- Por que tanta pergunta? vamos logo.  disse ele saindo

- Ah então você tá assim?

- para de ser chata

- Beleza então. - respondi

fomos caminhando em silêncio, ele estava fingindo que estava bravo, eu o conheço o suficiente para afirmar isso, mas eu ainda estava brava pelo fato de ele não ter me contado quem era a loira. Eu já estava ficando cansada de andar, era tipo uma trilha e tinha muitas pedras, minhas pernas não aguentavam mais.

- Ai, chega. - disse eu sentando sobre uma pedra grande

- Já cansou? tá fraquinha hein. - disse ele

- Não me irrita. - disse eu

- Tá bom, também não chamo mais. - respondeu ele 

- Vai, chama a Nadine, já vi que você prefere ela.

- de novo isso? - perguntou ele

- Por que não quer falar? tá mentindo pra mim ou escondendo alguma coisa

- Tá bom, já que você quer tanto saber era isso. - disse ele mostrando uma caixinha preta.

- o que é isso?

Ele não respondeu, só me puxou e me deu um beijo, veloz e rápido, cheio de necessidade, eu retribui porque também estava com saudade daquele beijo, ele passou a mão pela minha nuca e me puxou mais, finalizei dando um selinho.

- Eu queria te entregar depois, mas você é apressada. - disse ele me entregando a caixinha

- Você é doido. - disse eu rindo

- E você é apressada, nem quis esperar a surpresa

- Mas o que a Nadine tem a ver com isso?

- Ela estava me ajudando a planejar tudo, mas não vou contar o que é pra não estragar o resto da surpresa.

Eu coloquei o anel no meu dedo e ele me levou no colo porque eu já estava cansada e não estava tão longe, chegamos aonde ele queria e havia uma barraca armada, uma fogueira perto de uma rede amarrada em duas árvores, havia um rio também com um pequeno porto e um barquinho na beirada, tínhamos tantas histórias naquele rio.

- É aqui que nós vamos ficar.

- E vamos comer o que?

- fica tranquila que eu pensei em tudo, eu sei que você está cansada, então se quiser deitar e descansar daqui a pouco eu te chamo, vamos ter uma longa noite.

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