Saber que um pedacinho de Eva está dentro de mim me faz crer que ela sempre estará conosco.
Mesmo que minha esperança de que ela ficaria boa e viveria uma vida longa e saudável não tenha dado frutos, eu fico extremamente feliz por ela ter partido em paz.
O assassino em série confessou os crimes.
A professora Bruna ficou tão revoltada quando soube que o professor de matemática era o vilão que desceu os cachorros nele.
Ele mostrou onde enterrou as outras garotas desaparecidas, deixando a população em estado de choque. Quando confessou, ele disse que escolhia os alvos enquanto dava as aulas. Pois passava a conhecer mais a questão socioeconômica das meninas. Quanto mais pobres e com problemas familiares, melhor.
Um homem totalmente desequilibrado.
Como homenagem às vítimas, o prefeito de Muqui declarou luto por duas semanas, além de ter dedicado um memorial exposto na praça pública.
Sempre que alguém passar por lá vai se lembrar desse caso bárbaro.
As famílias das vítimas nos procuraram para agradecer. Mas quem deveria estar ouvindo cada uma das palavras que nos direcionam é a Eva. Se não fosse por ela, talvez o assassino não fosse preso.
Aos pouco nossas vidas foram voltando ao normal.
Bem, quase totalmente ao normal...
Lara terá que viajar daqui dois dias, mas voltará assim que possível para nos ver. Mateus voltou para sua rotina, mas agora se perguntando se seu relacionamento com Patrícia é realmente saudável. E eu continuo de repouso.
— Obrigado por me deixar levar os livros que foram de Eva. — Rodrigo diz sentado ao meu lado no sofá — Eu saí tão desnorteado da última vez que até me esqueci das coisas dela.
— Fique a vontade para levar o que encontrar. — digo enquanto tomo um pouco do meu suco — Enquanto o senhor vê se encontra algo lá no quarto, eu vou separar os livros. Reparei que os que são dela possui uma assinatura.
— Ótimo... rapaz. — ele dá uma tapinha em meu ombro — Sua mãe vai me ajudar lá no quarto então. — ele diz se levantando e saindo em seguida.
Me levanto devagar do sofá e sigo para a biblioteca.
Começo a procurar pelos livros que foram de Eva.
— Vou te ajudar... — Lara diz se aproximando — Você não deveria estar se esforçando.
— Já estou me sentindo bem. — digo emburrado — Você e minha mãe que são exageradas.
— Você que está precisando dos nossos cuidados. — ela diz enquanto pega alguns livros.
— Eu realmente gosto de ser cuidado por você...
Eu me aproximo lentamente e seguro o rosto dela com delicadeza. Ela me encara com seus lindos olhos verdes.
Então eu a beijo.
Um beijo real e apaixonado.
Quando eu a encosto na prateleira, um livro cai, nos fazendo separar.
— Ufa! — ela diz sorridente.
— É... Ufa! — respiro fundo tentando manter o controle.
Quando olhamos para o chão vemos algo diferente.
— O que é isso... — quando Lara abre o livro Orgulho e Preconceito da Jane Austen, vemos que ele está repleto de fotos.
— Parecem fotos tiradas pela Eva... — digo quando vejo um bilhete caído ao chão.
"Minha cidade Menina que eu tanto amo...
Eva Oliveira"
— Uau! — Lara diz enquanto vê as fotos — São lindas...
— Me deixe ver. — pego algumas — Nossa! Ela era realmente talentosa.
— Sim... Minha amiga é incrível... — Lara me encara com um sorriso maroto — Tive uma ideia...
— Qual? — pergunto curioso.
— Vamos montar uma exposição com as fotos dela. Uma homenagem...
— Adorei a ideia! — digo com um sorriso nos lábios.
Eva realmente merece isso...
👻👻👻
Com a ajuda de Lara, Mateus, Rodrigo e minha mãe, começamos a preparar a exposição.
O repórter amigo de Lara ficou incumbido de fazer a cobertura do evento. Reservamos o teatro, fizemos os banners para divulgação.
Logicamente, Lara foi nossa garota propaganda.
As publicações dela teve uma grande repercussão. Seus colegas de trabalho prometeram marcar presença. Amigos e conhecidos também.
A professora Bruna se juntou a nós e pediu para seus alunos ajudarem.
A cidade toda ficou ansiosa pela exposição.
👻👻👻
Chegado o dia, o evento foi um sucesso.
Todos queriam prestigiar o trabalho de Eva.
Não sou ingênuo, portanto sei que grande parte veio para ver o trabalho da 'garota que foi assassinada' – pois mesmo após o noticiário, foi assim que Eva ficou conhecida. Mas tenho certeza que o que eles não esperavam era que as fotos seriam tão incríveis.
O evento fez um sucesso tão grande que algumas galerias pediram para expor em seus murais.
A única pessoa que não parecia muito feliz com a exposição foi Patrícia. Namorada de Mateus.
Ela falou mal de tudo. Nada para ela estava bom.
Em um determinado momento Lara se alterou e quase lhe esbofeteou. Mas se conteve devido ao público.
Mateus pelo visto não gostou nada do comportamento dela, então a pediu que fosse embora, pois estava estragando o clima com seu mal humor.
Lara e eu nos acabamos de rir da cara pirracenta que ela fez.
Ao final do evento, algo mágico aconteceu.
As luzes começaram a piscar – o que no início causou um burburinho – até se apagarem. Alguns segundos depois foram acendendo uma por uma, porém com cores diferentes, formando uma espécie de caminho que levava até a saída.
Lá fora, as luzes dos postos mudaram de cor e, inexplicavelmente, uma chuva leve e um vento refrescante nos atingiram.
— É Eva... — Lara sussurrou ao meu ouvido.
— Sim... É a Eva...
Falo apreciando o espetáculo, que fora recebido pelo público em êxtase.
Provavelmente, a vida dessas pessoas aqui presentes voltará ao normal. O espetáculo de luzes será entendido como parte do evento por nós preparado. Elas voltarão as suas casas, comentarão por alguns dias e depois se esquecerão.
Mas nós – Lara, Mateus, Rodrigo, minha mãe e eu – teremos para sempre a certeza de que o que aconteceu aqui foi obra de nossa amiguinha fantasma.
Fico feliz por ter acreditado nela e tentado a ajudar. Estou feliz por cada momento em que passamos juntos. Até mesmo daqueles em que ela me assustou. Estou extremamente feliz por ela ser minha irmã. E principalmente feliz por ter conseguido responder ao maior questionamento de toda a minha vida...
Quem é Eva?
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Quem É Eva?
Fantasía⚠Obra Registrada na BN⚠ ⚠Plágio é crime⚠ Este livro possui versão física pela Editora Viseu ❤️ Olá... Nesse momento eu sou apenas um espectro. Um bem real e que até fez o Jonathan quase enlouquecer. Eu não sei como morri e nem sei quem eu sou. Mas...
