Três palavras

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- Precisamos conversar. - foi a primeira frase que disse assim que encontrou sua mãe quando retornou ao hotel.

As emoções eram mistas quando viram com quem Lia estava. Gabriel recebia desde a olhares confusos, por parte de Luca, a raivosos, vindos de dona Lílian.

- Gabriel? O que você está fazendo aqui? - perguntou o irmão da noiva assim que se aproximou dos dois.

- Só eu que não te reconheci de primeira?

- Não sei porque, Lili. - falou Gabriel sorrindo para ela enquanto Clara trocava olhares confusos com a cunhada.

Lia puxou a mãe para um canto afastado do saguão enquanto seu irmão tentava arrancar explicações do Almeida sob os olhares atentos de Clara.

- O que ele está fazendo aqui, Lia Montine?

- Eu encontrei ele por acaso, mas a questão é que ele me contou o motivo de ter ido embora. - disse cruzando os braços e encarando a mãe que estava completamente irritada, mas tentava manter a pose.

- Vamos para o meu quarto. - foi só o que disse indo em direção ao elevador sendo seguida pela filha.

A família da noiva havia chegado bem cedo no hotel e já estavam a caminho dos quartos quando a Montine mais nova apareceu no saguão com Gabriel. Os olhares foram todos voltados para os dois, mas eles não ligaram. Agora a jovem noiva se encontrava em pé à frente da mãe que a encarava sem nenhuma expressão.

- Por que você falou aquilo pra ele?

- Eu fiz pelo seu bem e fiz certo. Ele nunca foi uma boa influência para você. Aquele estilo, linguajar e modos. Você merecia algo melhor e encontrou. - explicou seus motivos escutando a risada irônica que ela deu.

- Você não pensou em mim nem por um segundo. Eu lhe conheço dona Lílian, e tenho certeza de que pensou em como os seus amigos iriam reagir a sua querida princesinha estar namorando Gabriel Almeida. - afirmou tentando se acalmar enquanto sua mãe, que estava sentada na pequena mesa do quarto, batia os dedos no vidro sem demostrar nenhum sinal de arrependimento.

- Você sempre fez tudo ao contrário do que eu lhe pedia. - afirmou tentando mudar de assunto. - Quando pequena cismou que queria fazer aulas de violão, mas ainda bem que desistiu e fez balé, algo com mais classe.

- Eu fiz balé porque você me obrigou. - relembrou sentando à sua frente. - E eu sempre fiz de tudo para fazer o que você queria, para você se orgulhar de mim, mas a cada tentativa eu recebia somente críticas e mais críticas. E uma das únicas pessoas que estavam ao meu lado, que me aceitava como eu era, você fez questão de bani-lo da minha vida. - acusou enquanto tentava segurar as lágrimas. Lílian a olhou cansada.

- Vocês não podiam ficar juntos, não podem. - falou séria. - Não faça uma besteira Lia. Não jogue fora alguém tão incrível quanto o Henrique, ele realmente te ama.

- Sinceramente, eu não sei se isso é verdade. - confessou se levantando e seguindo em direção à porta. - E besteira querida mamãe, eu vou fazer se deixar controlarem a minha vida novamente. - afirmou fechando a porta e caminhando pelo corredor para chegar ao seu quarto.

Estava tão cansada, irritada e frustada. Teve uma madrugada incrível. Nada havia acontecido, mas quando conversava com Gabriel, quando escutava sua risada e seus sonhos, era como se finalmente estivesse em paz, e isso era horrível. Ela iria se casar em poucas horas, se casar com uma pessoa que também a fazia bem, em alguns momentos. Tinha aceitado um compromisso, que no momento não sabia se era o mais correto.

Perdida em pensamentos nem percebeu que havia chegado ao seu quarto, assim que abriu a porta encontrou o noivo apoiado na sacada, caminhou lentamente em sua direção se apoiando ao seu lado.

Antes do simOnde histórias criam vida. Descubra agora