Capítulo 1 - Teenage Angst

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Sábado – 23:30

- Aaaahh, caralho, que dor nas costas – me espreguicei ao descer do ônibus na rodoviária movimentada.

Odiava andar de ônibus, não por status nem nada, mas pelo fato de ser desconfortável e ainda ter de dividir um espaço com uma pessoa totalmente aleatória e, no meu caso, SEMPRE inconveniente. O escolhido dessa vez passou a viagem toda ao meu lado falando alto no celular sobre os assuntos mais absurdos possíveis.

Sai do estacionamento onde os ônibus paravam e peguei as escadas rolantes para o segundo andar da rodoviária, conhecia o lugar, mesmo tendo vindo poucas vezes pra cá eu sabia aonde tinha que chegar para encontrar meus tios. Fui andando devagar, carregando uma mochila grande nas costas e mais uma mala pesada nas mãos. Ao chegar próximo do ponto de encontro combinado, uma lanchonete fast-food dentro da rodoviária, não vi ninguém conhecido.

Olhei para os lados, para ver se pelo menos havia alguém parecido com o que eu lembrava da minha tia ou do meu tio. Nada. Várias pessoas comendo, várias passando de um lado para o outro, mas nada da morena baixinha e magra de cabelo curto que eu conhecia tão bem na minha infância. De repente sinto uma mão no meu ombro.

- Hector?

- Tio? – falei me virando e levando um susto.

- Oi! Não sei lembra mais do seu primo mais velho não? – E o rapaz me sorriu

- Caralho! Marco como tu ta diferente mano! – Eu não o reconheci para ser sincero, ele não parecia nada do que eu me lembrava dele.

- Eu mudei né, a última vez que a gente se viu foi a mais de seis anos. – Ele disse pegando a mala da minha mão e se aproximando para um abraço.

Eu estava tão surpreso por ver aquele homem de 27 anos na minha frente que eu o encarei mais um momento antes de ver que era ele mesmo e o abraçar com força. Fazia realmente muito tempo que eu não o via, depois desse primeiro impacto eu comecei a imaginar como é que estariam meus outros primos.

Marco era o meu primo mais velho, ele era alguns centímetros mais alto do que eu, tinha o cabelo liso, preto e os olhos também. Percebi que ele havia ganhado alguns músculos, estava bem mais encorpado do que me lembro, usava uma barba rala e tinha um charme todo próprio. A pele branca como sempre, parecia que não tomava sol nunca e aquele sorriso largo no rosto.

- Quer dizer então que você realmente não me reconheceu? – disse ele incrédulo.

- Não, eu não havia te visto e quando você chamou, eu jurei que fosse a voz do tio Paulo!

- Haha, eles não puderam vir, como você ia chegar tarde e eles tinham um jantar para ir eu me ofereci para vir te buscar. – Ele sorria tão facilmente que eu fiquei aliviado. Finalmente havia chegado.

- Desculpa o horário – eu disse abaixando a cabeça, meio constrangido – mas morar no interior não te dá muitas opções nem em horário de ônibus!

- Que isso Thor, não precisa ficar preocupado cara, eu não tinha compromisso algum e fazia tempo que a gente não se via! – Ao falar isso ele colocou uma mão em meu ombro e me deu uma chacoalhada.

- Até você usando esse apelido besta? – Falei com falsa indignação, ele riu

- Coisas da tua mãe...

- Pois é não sei por que ficar contando isso pra todo mundo – eu revirei os olhos em sinal de tédio

- Aaah, não sou todo mundo – ele me deu um tapinha na cabeça que me fez rir – você sabe que todo mundo lá em casa gosta de você.

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