Capítulo 5 - Black-eyed

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Quarta-feira – 6:00

Acordei calmamente sentindo uma pressão em meu peito. Quando abri os olhos para poder ver direito no quarto que estava na penumbra me deparei com um braço todo tatuado me segurando na altura do peito. Foi então que eu me recordei de todo o dia anterior e das coisas que haviam acontecido. Théo dormia pesadamente ao meu lado, praticamente me abraçando pelas costas e sua respiração era calma e fazia minha nuca se arrepiar. Eu estava surpreso pela situação, ele provavelmente me abraçou durante a noite e eu nem percebi.

Virei meu rosto devagar com medo de acordá-lo e o observei dormindo. Ele estava tão próximo e o que mais me assustava era que nada daquilo me parecia ruim, talvez estranho, mas eu não me sentia mal. Ele dormia calmamente e eu via seu peito subir e descer compassadamente. Ele parecia totalmente inocente dormindo e sua mão repousava firme em mim, se eu quisesse sair da cama ele acordaria. Eu não sabia o que fazer, isso estava virando rotina. Voltei a olhar para frente pensando no que eu poderia fazer para acordá-lo e o principal, qual seria a reação dele a ver aquela situação toda. Será que ele se lembraria de tudo? A gente fingiria que nada aconteceu? Eu simplesmente não sei se conseguiria fingir isso.

Meus pensamentos foram interrompidos quando de repente eu sinto Théo se mexendo, por um segundo achei que ele estivesse acordando, mas logo depois ele passou o outro braço por baixo do meu pescoço e me abraçou apertado. Eu gelei, até em tão nós não estávamos em contato exceto pelo braço dele em meu peito, mas agora eu sentia todo o corpo dele se encostando em mim. Ele era realmente forte, podia sentir pelo aperto em volta do meu tórax, mesmo não me machucando ele me segurava firme.

O corpo dele estava quente e o meu também. Eu não queria acordá-lo, mas estava assustado com tudo aquilo. Dormir na mesma cama era uma coisa, a gente já havia feito isso inúmeras vezes quando éramos crianças, mas agora ele estava praticamente me encoxando. E pro meu desespero maior, ele parecia excitado pelo que eu podia sentir do volume em minhas costas. Aquilo era demais pra mim, eu queria ao mesmo tempo levantar e sair correndo do quarto e também deitar e ficar ali. Porra eu estava me sentindo confortável com outro cara me abraçando por trás, e pior aquele cara era meu primo!

Ele respirava um pouco mais apressadamente do que quando eu acordei e eu senti sua boca se mexer levemente próxima a minha nuca. Aquilo me dava arrepios espinha a baixo e a missão de não se mexer estava cada vez mais difícil. Eu notei que ele mexia os quadris de leve como se pra achar uma posição mais confortável, e aquele volume continuava a roçar levemente em minhas costas. E do nada ele soltou um gemidinho abafado que me fez fechar os olhos e respirar rapidamente para tentar controlar meu coração que batia desesperadamente. Ele devia estar sonhando e pelo jeito não era um sonho qualquer.

Meu corpo estava quente com todas aquelas realizações e acontecimentos. Eu senti que começava a ficar excitado também e aquilo realmente era novo pra mim. Que porra é essa eu pensava de olhos fechados rezando para que o Théo acordasse, eu não queria testar ainda mais minha

capacidade de ficar imóvel sendo encoxado e aparentemente gostando disso. Foi quando alguma coisa começou a tocar no criado mudo a minha frente, era o celular dele, provavelmente o despertador.

Escutei ele murmurando algo ainda sonolento e simplesmente esticando o braço tatuado por cima da minha cabeça, fazendo com que ele se espremesse ainda mais contra meu corpo, para fazer o despertador parar de tocar. Eu continuava imóvel e respirando pesadamente. Não sabia se fingia que estava dormindo ou não, mas antes que eu pudesse me decidir ele me abraçou novamente e colocou sua cabeça próxima a minha nuca respirando no meu pescoço. Finalmente eu acho que ele se deu conta de que algo estava estranho e senti ele se afastando alguns centímetros do meu pescoço pouco tempo depois de ter me abraçado novamente.

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