Capítulo 3

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Eu fiz aulas de música durante quatro anos, até minha mãe me tirar para que eu focasse nos estudos. Segundo ela, a música não me daria um futuro brilhante como ela desejava. Eu sinto muita falta, adorava passar as minhas tardes cantando e tocando. Eu sentia que aquele era o meu lugar.

Em fim, desde então, eu não tive mais contato com a música. Porém, acabo de saber que a escola exige que os alunos façam pelo menos dois cursos extracurriculares à tarde, que são: música, teatro, dança, artes e esportes.

- E aí? Já decidiu em que cursos você vai se inscrever? - Clary pergunta.

Viemos até a biblioteca. Segundo ela, esse era o lugar mais tranquilo da escola e menos ocupado. Já passou da hora do almoço e estávamos apenas passando o tempo ali.

- Música e teatro, eu acho. - Digo. Eu nunca faria dança, sou muito desengonçada, muito menos esporte. E quanto a artes, sem comentários, os meus desenhos são iguais aos de uma criança de cinco anos. - E você?

- Eu sempre faço artes e dança. Adoro as aulas de fotografia. - Ela responde com um sorriso sonhador.

- É o que quer fazer? - Pergunto e seu sorriso murcha.

- Eu até queria, mas os meus pais nunca aprovariam. - Ela abaixa a cabeça e encara as mãos. - Eles querem que eu siga os seus passos e tome conta dos negócios da família.

- Entendo como é, minha mãe também não aprova minha paixão por música. - Eu comento.

- E como você lida com isso? - Ela diz.

- Temos que lembrar que quem vai levantar e trabalhar todos os dias somos nós, não eles. Então, se fizer algo que não gosta, é você que será infeliz. - Digo para encorajá-la mas me sentindo muito mal por ser tão hipócrita. Eu não fui contra a minha mãe quando ela decidiu me tirar da música e não fiz nada para mudar isso.

- É, tem razão. - Ela sorri e olha algo atrás de mim. - Veja, é meu primo. Vocês podem finalmente se conhecer direito. - Ela diz e eu me viro. Vejo que ele caminha na nossa direção.

- Oi, prima. - Ele beija a testa dela e então percebe a minha presença. - Olha só, se não é a garota do café. - Ele diz e eu reviro os olhos. Era só o que me faltava.

- Vou pegar um livro ali, já volto. - Me levanto deixando os dois para trás.

Caminho até o outro lado da biblioteca e fico encostada em uma estante. Procuro meu celular e percebo que deixei na mesa. Ótimo. Agora não tenho nada para fazer. Dou uma olhada para trás para conferir se o Thomas ainda estava ali e, sim, ele estava super entretido conversando com a Clary.

- Se escondendo de alguém? - Um garoto pergunta e eu me assusto, esbarrando em alguns livros e fazendo com que os mesmos caiam no chão. Algumas pessoas me encaram, bravas, por fazer barulho e eu me encolho.

- Ai, que desastre. - Murmuro e abaixo para recolher os livros do chão. Vejo o tal garoto se abaixar para me ajudar. - Obrigada. 

- A culpa foi minha, eu te assustei. - Ele diz e eu o encaro. Ele é bem bonito, tinha cabelo escuro quase preto e a pele clara, fazendo um contraste muito agradável.

- Tudo bem, essas coisas sempre acontecem comigo mesmo. - Digo dando ombros.

- Você é nova aqui, não é? - Ele pergunta e eu afirmo. - Sou Alex. - Ele estende a mão e eu aperto.

- Alice.

- Bom, seja bem vinda, Alice. Espero que esteja gostando daqui. - Ele diz e eu faço uma careta ao me lembrar dos fatos ocorridos hoje. - O que foi, teve algum problema com alguém?

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