Capítulo 21

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Maya☄

Sai de casa quase que correndo e esbarrei com alguém.

Maya: Desculpa.- falei pegando meu celular na bolsa.

- Lembra de mim né Maya? - olhei pra ele.

Maya: É claro que eu lembro, é o cara da lanchonete, Carlos né?

- Não.- deu risada.- irmão do Deco, Caique.

Maya: Ah, lembrei. Chegou hoje?

Caique: Cheguei ontem de madrugada, cadê seus pais?

Maya: Estão lá dentro, agora eu tenho que ir pq estou muito atrasada.- continuei a andar rápido.

Lembro muito pouco do Caique, ele é meio irmão do Deco.

Ele vinha muitas vezes pra cá, mas de uns tempos pra cá ele parou.

A mãe do Deco nunca veio conhecer os netos e nem a mulher do filho, se conhece é só por foto.

Ela nunca gostou do rumo que o Deco tomou, por isso ela nem conversa com ele.

Victor: Tá atrasada Maya?

Maya: Tô.

Victor: Sobe ai eu te levo.

Maya: Não precisa.

Victor: Sobe logo caralho.- foi super grosso e eu encarei ele.- sobe por favor.- sorriu.

Como eu estava muito atrasada eu subi na garupa e ele desceu pro asfalto.

Poucos minutos depois ele parou na frente do consultório e eu desci da moto.

Victor: Quer que eu te espere?

Maya: Quero.- falei entrando.- com licença, eu vim pra entrevista de empre..- mulher me cortou.

- Desculpa, mas você chegou tarde. Já contratamos outra menina. - suspirei.

Maya: Obrigada.- me virei.

- Estamos precisando de faxineira, caso você queira.- sugeriu.

Maya: Não, obrigada. Mas talvez se eu mudar de idéia.- falei saindo.

Eu preciso tanto de um emprego, lá na maré tá difícil, não achei nada.

Victor: Tu veio procurar emprego aqui? - levantou da calçada.

Maya: Sim, mas agora só tem vaga para faxineira.

Victor: Tu não vai aceitar não né?

Maya: Qual o problema? É um trabalho digno como qualquer outro, eu realmente estou precisando de dinheiro.- bufei.

Victor: Eu tô querendo dizer que tu vai ter muitas oportunidades por ai, não precisa ser agora. Seus pais ainda de dão tudo!

Maya: Esse é o problema, eles me dão tudo, já tá na hora de começar a correr atrás do meu sozinha.

Victor: Depois tu pensa nisso, pode ser? - assenti.- vamo comer um pastel ali.- chamou e nós começamos a andar.

Tinha uma barraca de pastel quase em frente ao consultório e a gente parou pra pedir dois pastéis com caldo de cana.

Assim que os pedidos chegaram começamos a comer.

Victor: E tu, tá ficando com alguém?

Maya: Qual seu interesse nisso? - dei uma mordida no meu pastel.

Victor: Só uma pergunta.

Maya: Fiquei com alguns sim.- ele fechou a cara.- que foi eu hein, tô solteira posso ficar com quem eu quiser.

Victor: Eu não fiquei com ninguém.

Maya: Uhum, faz favor né Victor? - ele deu risada.

Victor: Vem, corre.- levantou correndo e subiu na moto.

Maya: Que foi? - perguntei sem entender.

Victor: Os vermes.- ligou a moto e eu olhei pro lado vendo um carro de polícia de aproximar.

Subi na moto rápido e me agarrei no corpo dele.

Ele saiu em alta velocidade e eu olhei pra trás vendo que o carro tava seguindo a gente.

Depois de uns minutos fugindo da polícia entramos na maré e ele subiu direto pra minha casa.

Maya: Mas você não tem a ficha limpa? - ajeitei meu cabelo.

Victor: Eles percebem quem tem cara de bandido.- ligou a moto de novo.- nós se ver por ai.- saiu.

Maya: Tá.- respondi abrindo o portão.

Entrei em casa e vi meus pais sentados no sofá.

Vic: Eai conseguiu?

Maya: Não.- sentei.

Fumaça: Que pena.- falou todo cínico.

Meu pai não quer de jeito nenhum que eu trabalhe fora da Maré.

Vai saber se não foi ele que ameaçou a mulher mandando ela me dizer que a vaga já estava ocupada.

Duvido nada.

Crias da MaréHistórias para pegar e não largar. Descubra agora