Maya☄
Sai de casa quase que correndo e esbarrei com alguém.
Maya: Desculpa.- falei pegando meu celular na bolsa.
- Lembra de mim né Maya? - olhei pra ele.
Maya: É claro que eu lembro, é o cara da lanchonete, Carlos né?
- Não.- deu risada.- irmão do Deco, Caique.
Maya: Ah, lembrei. Chegou hoje?
Caique: Cheguei ontem de madrugada, cadê seus pais?
Maya: Estão lá dentro, agora eu tenho que ir pq estou muito atrasada.- continuei a andar rápido.
Lembro muito pouco do Caique, ele é meio irmão do Deco.
Ele vinha muitas vezes pra cá, mas de uns tempos pra cá ele parou.
A mãe do Deco nunca veio conhecer os netos e nem a mulher do filho, se conhece é só por foto.
Ela nunca gostou do rumo que o Deco tomou, por isso ela nem conversa com ele.
Victor: Tá atrasada Maya?
Maya: Tô.
Victor: Sobe ai eu te levo.
Maya: Não precisa.
Victor: Sobe logo caralho.- foi super grosso e eu encarei ele.- sobe por favor.- sorriu.
Como eu estava muito atrasada eu subi na garupa e ele desceu pro asfalto.
Poucos minutos depois ele parou na frente do consultório e eu desci da moto.
Victor: Quer que eu te espere?
Maya: Quero.- falei entrando.- com licença, eu vim pra entrevista de empre..- mulher me cortou.
- Desculpa, mas você chegou tarde. Já contratamos outra menina. - suspirei.
Maya: Obrigada.- me virei.
- Estamos precisando de faxineira, caso você queira.- sugeriu.
Maya: Não, obrigada. Mas talvez se eu mudar de idéia.- falei saindo.
Eu preciso tanto de um emprego, lá na maré tá difícil, não achei nada.
Victor: Tu veio procurar emprego aqui? - levantou da calçada.
Maya: Sim, mas agora só tem vaga para faxineira.
Victor: Tu não vai aceitar não né?
Maya: Qual o problema? É um trabalho digno como qualquer outro, eu realmente estou precisando de dinheiro.- bufei.
Victor: Eu tô querendo dizer que tu vai ter muitas oportunidades por ai, não precisa ser agora. Seus pais ainda de dão tudo!
Maya: Esse é o problema, eles me dão tudo, já tá na hora de começar a correr atrás do meu sozinha.
Victor: Depois tu pensa nisso, pode ser? - assenti.- vamo comer um pastel ali.- chamou e nós começamos a andar.
Tinha uma barraca de pastel quase em frente ao consultório e a gente parou pra pedir dois pastéis com caldo de cana.
Assim que os pedidos chegaram começamos a comer.
Victor: E tu, tá ficando com alguém?
Maya: Qual seu interesse nisso? - dei uma mordida no meu pastel.
Victor: Só uma pergunta.
Maya: Fiquei com alguns sim.- ele fechou a cara.- que foi eu hein, tô solteira posso ficar com quem eu quiser.
Victor: Eu não fiquei com ninguém.
Maya: Uhum, faz favor né Victor? - ele deu risada.
Victor: Vem, corre.- levantou correndo e subiu na moto.
Maya: Que foi? - perguntei sem entender.
Victor: Os vermes.- ligou a moto e eu olhei pro lado vendo um carro de polícia de aproximar.
Subi na moto rápido e me agarrei no corpo dele.
Ele saiu em alta velocidade e eu olhei pra trás vendo que o carro tava seguindo a gente.
Depois de uns minutos fugindo da polícia entramos na maré e ele subiu direto pra minha casa.
Maya: Mas você não tem a ficha limpa? - ajeitei meu cabelo.
Victor: Eles percebem quem tem cara de bandido.- ligou a moto de novo.- nós se ver por ai.- saiu.
Maya: Tá.- respondi abrindo o portão.
Entrei em casa e vi meus pais sentados no sofá.
Vic: Eai conseguiu?
Maya: Não.- sentei.
Fumaça: Que pena.- falou todo cínico.
Meu pai não quer de jeito nenhum que eu trabalhe fora da Maré.
Vai saber se não foi ele que ameaçou a mulher mandando ela me dizer que a vaga já estava ocupada.
Duvido nada.
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Crias da Maré
Fiksi RemajaSegunda temporada de "Complexo da maré"💛 A viagem é longa, então faça a mala. Na vibe mais positiva, no pique mandala.
