CINCO | MARIA CLARA

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Senti meu pescoço dolorido e me mexi desconfortavelmente. Parecia que eu tinha dormido por horas, meus membros estavam moles, como se as articulações fossem de gelatina.

A luz acesa incomodou minha visão e para contribuir meu estomago roncou. Ah inferno. Eu não podia ficar com estomago vazio.

Me sentei, e vi meus óculos do lado na cabeceira. Coloquei-os e olhei ao redor. Estava em uma cama. Bem alta e luxuosa. Era um quarto amplo, com piso de madeira brilhante e paredes brancas. As cortinas de pano fino balançavam contra o vento, mostrando que a janela estava aberta. Assim como a porta.

Eu não estava presa.

Desci da cama e andei, cambaleante, pelo quarto. Tentava escutar um mínimo barulho possível, mas era silencioso. Já era noite lá fora, provando que eu dormira o dia todo.

Andei devagar até a porta e espiei. Era um grande corredor com outras portas. Parecia um grande casarão, muito bem cuidado, uma construção exuberante.

Segurando nas paredes, me deslizei pelo corredor, indo um passo de cada vez, sentindo minhas vistas levemente escurecidas o que me deixava preocupada. Eu não sabia se era reação da injeção que os homens me aplicaram ou se era meu problema de saúde manifestando.

Andei mais um pouco, ainda tendo o silêncio como companhia, e cheguei a uma escada. Com um rápido olhar, vi uma sala aparentemente familiar lá embaixo.

Ah não.

Desci os degraus.

Não! isso não!

Desci mais e para meu pesadelo me vi na enorme e bela sala da mansão de Fernando. Onde eu tinha estado antes e consegui fugir no carro da jardinagem.

Corri para a porta, mas dessa vez estava trancada. Olhei em volta aflita, desesperada para encontrar um esconderijo enquanto eu pensava como poderia fugir. Não havia como. Ele aprendera com os erros, ele saberia o que eu poderia fazer. Não iria deixar brechas para mim.

Ouvi vozes vindo de um corredor e corri. Abri uma porta francesa e do lado de dentro fechei de volta com delicadeza para não provocar barulho. Meu coração arrebentava em meu peito.

— Chegou em uma boa hora.

Ouvi atrás de mim e saltei no mesmo instante que dei um grito. Eu estava em uma sala de jantar. Na mesa opulenta, repleta de comida, Fernando ocupava a cabeceira. Deu um sorriso cínico diante do meu pavor.

Estava no estilo empresário sexy. Sua camisa de linho moldava com perfeição os braços e o peito musculoso. E as mangas estavam dobradas revelando os antebraços.

Ajeitei os óculos no nariz e percebi que não tinha controle sobre minhas pernas. Eu estava estática sem conseguir me mover. Correr ou enfrenta-lo?

Achava que Fernando iria apontar dedo na minha cara, fazer as acusações, berrar e tudo mais. Entretanto, apontou para uma cadeira ao lado.

— Deve estar faminta, sirva-se.

— O que quer... de mim?

Levantou os olhos e esboçou um tom confuso, creio que propositalmente.

— Não sabe? Achei que fosse mais espertinha. Sente-se Maria Clara.

Não disse nem que sim, nem que não. Acho que lidar com a raiva dele era bem melhor. Eu saberia o que esperar, eu já estava preparada. Mas como enfrentar aquela expressão ridiculamente irônica?

Estava aflita, desesperada, em pânico. Eu poderia fugir, mas isso seria pior. Eu estaria para sempre fugindo? Além do mais, visivelmente ele não estava com raiva, talvez conversaríamos e ele aceitaria parcelar o dinheiro.

[AMOSTRA] DOCE DOMÍNIO | Dinastia Capello 01Histórias para pegar e não largar. Descubra agora