Elizabeth nunca tinha visto Meliodas ficar tão nervoso. Para um homem que enfrentava todo tipo de monstro com um sorriso no rosto, vê-lo transtornado só a fez ter certeza de que aquilo ia muito além de um simples abalo sísmico.
-O que acha, Estarossa?
O jovem demônio parou de olhar as estrelas, como vinha fazendo desde que saíram do Caixão da Escuridão Eterna. Ele não dissera uma única palavra desde então.
-O que decidir estará bom pra mim, irmão.
E voltou a contemplar o céu. O cheiro de macieiras vinha de longe, mas ele não tinha ânimo de ir encontrar as frutas. Seguiu os outros quando eles decidiram para qual direção era melhor ir. Então se acomodou e olhou para o céu mais uma vez.
"Zeldris não pode me dar a reposta que eu quero. Mas talvez Meliodas possa. Eu só preciso descobrir onde ele está. E sair sem chamar atenção."
Com o plano em mente, Estarossa esperou.
•~🌸~•
O plano com os Albion's fora um completo fracasso. Ao menos para os outros. Enquanto eles discutiam, Estarossa foi rápido até Camelot, encontrando Meliodas parado na praça central.
Diane e os outros viram o capitão ficar gelado, e só depois viram a figura alta, de traços delicados e braços fortes, desarmado, se aproximar. Os olhos negros o identificavam como um integrante do clã dos Demônios. Mas nenhuma aura de ameaça vinha dele. E foi por isso que Elizabeth segurou a mão de Diane.
-Espera... Ele não veio fazer mal... Eu tenho certeza.
-O que faz aqui, Estarossa?
A pergunta direta fez o jovem demônio sentir seu coração apertar, em frangalhos. E toda a sua coragem se foi.
-Avisar você... Precisa sair da cidade se quer tanto proteger os humanos. Faça uma demonstração de poder forte em algum lugar inabitado. Galand quer sair para caçar você e Gloxinia é um ótimo localizador.
Então deu as costas ao irmão mais velho. Ele ia voltar para o clã. Teria outra oportunidade. Ele ainda não estava pronto.
- Não foi por isso que você veio, Estarossa.-A voz de Merlin o fez parar. Mas não teve coragem de se virar.-Capitão.
-Você veio correndo o risco de ferir o mandamento de Zeldris. Por que, Estarossa?
- Eu tinha uma pergunta...
-Se já veio até aqui, pergunte.-A voz que ele ouviu era doce, como a que ele se lembrava. Então se virou para olhar a dona da voz. Era do clã das Deusas. Não sabia se era uma sacerdotisa, uma mestiça ou uma deusa com os poderes selados.-Por favor. Já nos ajudou ao dar o aviso. Pergunte o que queria.
O rapaz deu um suspiro, passando os dedos pelos cabelos brancos. Meliodas acabou se aproximando do irmão caçula, pronto para segurar seu sobretudo e puxar para chamar sua atenção.
-Meliodas...-A voz do mais novo saiu sofrida, como Meliodas não ouvia há muito tempo.-Você sabe onde está a minha mãe?
A pergunta pegou o menor de surpresa. Meliodas chegou a dar um passo pra trás.
O momento de silêncio que se instalou entre eles fez o mais novo dar um suspiro extremamente triste.
-Estarossa...
- Ela morreu, não foi? Depois que nós, Zeldris e eu, fomos selados. Ela ficou sozinha e o Clã das Deusas terminou o que tinha começado há quase dez mil anos.
-Estarossa, eu não sei... Eu...-O mais velho olhou para o chão, envergonhado.-Eu não procurei...
-Tudo bem... Obrigado... Avise seus amigos sobre como funcionam os Mandamentos, Meliodas. Eu tenho que ir. Nos vemos por aí.
E o rapaz voltou a caminhar, ainda mais triste. Finalmente tinha sua resposta. Ele já imaginava aquilo. Toda a relutância de Zeldris em lhe contar... Talvez ela tivesse sido assassinada antes do selo. E apenas ele não soube disso.
Zeldris se preocupou quando viu o rosto de seu irmão, horas mais tarde. Galand tinha ido caçar Meliodas, queria fazer um show de exibicionismo, como sempre.
Aquele olhar de desamparo no rosto de Estarossa o deixou com o pé atrás. Claro que ele havia percebido a saída rápida de seu irmão. Então esperou os outros mandamentos se distrairem em descobrir um vilarejo próximo para roubarem almas, e foi se sentar ao lado do caçula.
- Vai me dizer o que aconteceu?
-Você nunca me disse o que tinha acontecido com a mamãe...
-E Meliodas sabia a resposta?
- Quem matou a mamãe, Zeldris? Foram as deusas? Ou foi o nosso pai?
-Meliodas te disse que ela estava morta?
-Não.-O mais jovem abaixou o rosto.-Mas ele não viu a mamãe nos últimos três mil anos... E ela não quis nos libertar... Ou foi selada conosco. Se ela não está morta... O que aconteceu?
- Eu tenho um palpite... Mas é só um palpite...
•~🌸~•
Os druidas reconheciam magia antiga como nenhuma outra raça era capaz. E foi por isso que foram averiguar a estátua da floresta ao sul.
Ninguém sabia como havia ido parar la. Era uma linda mulher, a que foi usada como modelo. O buraco em seu peito dava um tom melancólico à cena, apesar de ela ter um sorriso doce.
Não havia estatua aquela noite.
Havia uma mulher, de longos cabelos vinho, traços delicados, asas imensas, e uma grotesca cicatriz em seu peito, e outra idêntica em suas costas.
-Estarossa... Meli-odas...-Os três deram um passo para longe da mulher.-Zeldris...-Os olhos extremamente azuis se fixaram noz druidas.-Onde... Estão... Meus... Meninos..?
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Okãsan No Kokoro
FanfictionO amor de uma mãe pode ter consequências impensáveis. De desafiar os homens mais poderosos, à ensinar seus filho a amar, ou condená-los a uma prisão por milhares de anos em nome de sua proteção. A incerteza do destino tido por uma mãe pode levar os...