Acordo ainda cansado, não dormi bem essa noite. Na verdade, eu praticamente não dormi.
Apenas cochilei várias vezes, mas todas terminaram comigo acordando suado e nervoso
Eu estava assustado.
Eu estou assustado, e com medo. Com o resto da minha bateria, eu fiz uma pesquisa rápida e parece que você pode ter uma crise de pânico enquanto dorme.
E isso foi suficiente para que eu mal pregasse o olho durante a noite.
A garota bate na porta do quarto e não respondo. Eu ainda não acredito que eu deixei ela me ver daquele jeito.
Assustado, com medo... Eu não gosto de demonstrar fraqueza perto de outras pessoas. De dar para elas algo para futuramente usar contra mim.
A porta se abre e finjo estar dormindo. Sei que é uma atitude infantil, mas eu não consigo evitar. Eu não quero começar um diálogo e esse é o jeito mais fácil de desviar dele.
Eu não quero ser amiga dela ou algo do tipo, eu tenho problemas de mais. Eu já tenho problemas de mais, não quero incluir administrar uma amizade à lista.
Sinto algo , provavelmente sua mão, tocar minha testa e me controlo para não me mexer.
Ela suspira aliviada.
Então um barulho abafado e, pela corrente de ar ter parado, ela provavelmente fechou a janela.
Por último, sinto-a mexer na coberta para que cubra mais o meu corpo e então ela fecha a porta.
Me culpo mentalmente. Talvez ela não vá debochar de mim por eu ter ficado desesperado ontem. Talvez, só talvez, ela seja uma boa pessoa, mas eu não posso ficar aqui. Eu não posso arriscar, eu não confio na minha sorte.
Me levanto me preparando para sair pela janela, mas algo me para:
- Eu sabia - ela fala e grito.
- Por que você está aqui? - pergunto sentando na cama para me acalmar.
- É minha casa - fala. - Você não lembra? Eu te disse ontem que te trouxe pra cá.
- Não é disso que eu estou falando - reclamo. - Você tinha saído do quarto - falo.
- Eu ia sair, mas você estava muito calmo, parecia suspeito.
- Por quê? - pergunto confuso.
- Nas outras vezes que eu vim ver se você estava melhor você estava se mexendo muito, inquieto. Dessa vez estava quieto que nem um anjo. Então só bati a porta para ver se estava fingindo ou se tinha conseguido dormir.
- Isso não se faz - reclamo cruzando os braços como uma criança.
- Fugir pela janela que não se faz. Imagina minha reação quando entrasse no quarto e você tivesse sumido.
- Não faria diferença nenhuma na sua vida - digo.
- Eu ficaria preocupada - ela fala. - Eu estou preocupada.
- Olha, eu tenho que trabalhar - falo levantando.
Eu não consigo acreditar nela, não tem porquê ela estar preocupada com um completo estranho. Eu já estou bem e posso ir embora.
Mas ela para na frente da porta.
- Você chegou aqui tarde e provavelmente não dormiu direito. Além disso, queria que eu te falasse mais sobre as crises de pânico.
- Eu pesquisei um pouco ontem - falo sem interesse.
- Mas...
- Eu preciso ganhar dinheiro, merda - falo irritado lembrando do que aconteceu ontem a noite sentindo meu sangue ferver. - Não é todo mundo que é rico o suficiente para ter uma biblioteca em casa.
Ela me encara séria. Eu sei que a magoei falando isso, mas eu quero que ela se magoe. Quero que me mande embora para eu esquecer tudo isso é voltar a viver minha vida em paz (ou quase isso).
- Relaxa garoto - ela fala ainda séria.
- Desculpa - falo baixinho.
Eu não devia me desculpar, não devia...
- Quanto você ganha numa manhã? - ela pergunta. - Cem mil? Eu pago.
Eu podia simplesmente deixá-la me dar cem mil won de graça e voltar feliz para casa. Mas eu que devia estar pagando-a por ter me ajudado ontem.
- Não ganho isso em quatro manhãs quem dirá em uma - falo sarcástico. - Mas não precisa me pagar nada.
- Não, eu insisto. Todo esse dinheiro devia ter um fim melhor que uma biblioteca não é mesmo - diz também sarcástica.
Ótimo, TaeHyung. Olha o que você fez.
- Eu não quero seu dinheiro. Eu quero voltar para casa e fingir que nada disso aconteceu - digo sentindo meu corpo voltar a tremer só com a lembrança do que senti ontem.
Ela sorri.
- Eu queria poder dizer que sei como se sente - fala suspirando. - Mas eu nunca tive uma crise de pânico ou de ansiedade, então não faço ideia do que você está sentindo.
Ela se senta no chão ainda bloqueando a porta.
- Eu também mal dormi de ontem para hoje - e só depois que ela diz isso percebo como seus olhos parecem cansados. - Eu peguei todos os livros que tem aqui que falam sobre isso.
- V-você não precisava fazer isso - falo com... vergonha?
- Mas eu queria, eu precisava. Mas não adiantou. Eu vi com todos eles, eu decorei todos os sintomas todas as causas, todas as coisas que podem evitar...
- Você realmente...
- Não foi suficiente - ela diz frustrada. - Eu ainda não sei como você se sente e isso me mata. A vontade de querer ajudar e a ineficiência.
- Ineficiência? - pergunto.
- Sim, incapacidade, inutilidade...
- O que quer dizer?
- Que eu não tenho certeza se o que tem nesses livros realmente vai te ajudar. Se eu vou te ajudar.
- Você não tem que me ajudar - falo.
- Mas eu quero - ela fala chorando.
- Por que você...
- Sabia que você é a primeira pessoa que fala comigo em meses.
- O quê?
- Tirando meus irmãos é claro.
- Os dos livros? - pergunto e ela assente.
- O fato é, eu não quero te perder. Mas se eu não for útil para você você vai me abandonar, que nem os outros. E eu não aguento mais ficar sozinha.
Ela fala tudo de vez e não consigo falar ou fazer nada, apenas encará-la incrédulo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Forever - KTH
Hayran KurguTaeHyung realmente é um garoto bom. É verdade que as vezes ele perde a calma e que queria dar uma surra em várias pessoas e que já fez algumas besteiras. Mas isso não muda o fato dele ser uma boa pessoa. E ele não é realmente culpado por seu pavio c...
