Todos os dias na mesma monotonia, o pai de Lary cada vez mais velho e doente, a sua madrasta nunca se contentava com o que tinha e compulsivamente comprando. Tudo mudando e claro sua irmã Paula acompanhando tudo na sua vida tornou-se diferente.
O pai se fazia de cego, parecia até não saber das traições de sua mulher que o roubava cada vez mais.
Claro que o mais importante sempre seria as aparências.
Hoje é o grande dia, o dia em que o pai e a madrasta completariam bodas de prata.
Comemorariam aquele circo de mentiras e ilusões com uma linda e cara recepção no Hotel Palace, tudo parecia grande o suficiente para que todos pudessem falar sobre.
Tudo aparentemente normal, exceto nas esquinas dos pensamentos de Lary.
Dentro dela tudo doía, a mente e alma estavam doentes e ninguém parecia se importar.
Lary
Todos eles parecem tão felizes e eu queria poder estar.
Meu pai já não liga para o que sinto, lembro-me de ter a presença dele em meus momentos de crise, bom isso quando minha mãe ainda estava aqui e quando tudo ainda parecia ser certo.
Tudo parece uma confusão, hoje é a comemoração das bodas de prata do meu pai e minha madrasta e tudo aqui parece tão contente, mas tão longe de mim.
Sinto tanta falta de minha mãe, de minha família e, principalmente, de ser feliz.
Subo as escadarias e elas parecem tão infinitas como a minha dor, como a minha saudade.
Lá embaixo é tudo tão perfeito, os carros, as pessoas, as árvores é tudo tão bonito e ainda assim estão distantes da minha realidade e eu cansei de ver tudo de longe.
Cansei de olhar as pessoas serem felizes e não conseguir ser, cansei de tudo.
Tudo o que eu mais quero é não estar longe, o que eu quero é ter amor.
O que eu quero é ser amada novamente.
Mesmo que eu tenha que morrer para isso.
Eu sempre fui a única a pagar o preço e talvez isso nunca vá mudar.
Digo em pensamento para que nunca possa esquecer que pular não é desistir, não é me entregar, que pular será a minha porta de entrada para o amor.
Para tudo que eu mais quero.
- Não!
Paula? O que ela tá fazendo aqui? Ela tá me abraçando e eu não...
- Por tudo que é mais sagrado não faz isso, não faz isso com você. Tu é mais importante do que imagina, mais importante do que todos nós fizemos parecer, você é especial minha irmã.
-Eu sei que eu não sou, me deixa! Sai Paula!
-Me perdoe por não te abraçar, por não estar do seu lado, por te afastar, por desde a morte de nossa mãe eu ter passado a te nocautear com ações e palavras podres, perdoe-me porque você merece mais que isso. Você merece muito mais do que eu ou qualquer outra pessoa possa te proporcionar, mas eu sou tão tola e não consegui enxergar a sua dor, o seu sofrimento, a sua aflição. Eu te amo tanto e te peço que não faça isso, mas não por mim e sim por você. Porque talvez você não seja perfeita, mas lembre-se de que ninguém é, lembre-se de que você especial. Nossa mãe se foi e eu me afastei de você, mas nem tudo se resume a isso e você é tão inteligente, tão linda, talentosa que por Deus é quase um pecado fazer tanto tempo da última vez que li um de seus poemas. Meu anjinho, eu farei o possível para que de agora em diante sejamos nós duas, para que eu possa te ajudar a lutar contra cada um de seus medos, não vou deixar que o tempo volte a nos afastar, eu te amo.
- Eu também te amo, obrigada.
-Eu te amo tanto... prometa que mesmo com o passar dos anos e com o mudar da direção dos ventos que você vai se amar, porque isso é o mais importante.
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Cinco Formas de Morrer
Short Story- contém temáticas sensíveis! Volte para casa, volte para onde nunca deveria ter saído, volte para os braços daquele alguém que te faz bem, volte para tudo que um dia você foi, volte porque sair dói bem mais do que voltar e porque viver vale bem mai...
