O quinto

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Todos os dias na mesma monotonia, o pai de Lary cada vez mais velho e doente, a sua madrasta nunca se contentava com o que tinha e compulsivamente comprando. Tudo mudando e claro sua irmã Paula acompanhando tudo na sua vida tornou-se diferente.

O pai se fazia de cego, parecia até não saber das traições de sua mulher que o roubava cada vez mais.

Claro que o mais importante sempre seria as aparências.

Hoje é o grande dia, o dia em que o pai e a madrasta completariam bodas de prata.

Comemorariam aquele circo de mentiras e ilusões com uma linda e cara recepção no Hotel Palace, tudo parecia grande o suficiente para que todos pudessem falar sobre.

Tudo aparentemente normal, exceto nas esquinas dos pensamentos de Lary.

Dentro dela tudo doía, a mente e alma estavam  doentes e ninguém parecia se importar.

Lary

Todos eles parecem tão felizes e eu queria poder estar.

Meu pai já não liga para o que sinto, lembro-me de ter a presença dele em meus momentos de crise, bom isso quando minha mãe ainda estava aqui e quando tudo ainda parecia ser certo.

Tudo parece uma confusão, hoje é a comemoração das bodas de prata do meu pai e minha madrasta e tudo aqui parece tão contente, mas tão longe de mim.

Sinto tanta falta de minha mãe, de minha família e, principalmente, de ser feliz.

Subo as escadarias e elas parecem tão infinitas como a minha dor, como a minha saudade.

Lá embaixo é tudo tão perfeito, os carros, as pessoas, as árvores é tudo tão bonito e ainda assim estão distantes da minha realidade e eu cansei de ver tudo de longe.

Cansei de olhar as pessoas serem felizes e não conseguir ser, cansei de tudo.

Tudo o que eu mais quero é não estar longe, o que eu quero é ter amor.

O que eu quero é ser amada novamente.

Mesmo que eu tenha que morrer para isso.

Eu sempre fui a única a pagar o preço e talvez isso nunca vá mudar.

Digo em pensamento para que nunca possa esquecer que pular não é desistir, não é me entregar, que pular será a minha porta de entrada para o amor.

Para tudo que eu mais quero.

- Não!

Paula? O que ela tá fazendo aqui? Ela tá me abraçando e eu não...

- Por tudo que é mais sagrado não faz isso, não faz isso com você. Tu é mais importante do que imagina, mais importante do que todos nós fizemos parecer, você é especial minha irmã.

-Eu sei que eu não sou, me deixa! Sai Paula!

-Me perdoe por não te abraçar, por não estar do seu lado, por te afastar, por desde a morte de nossa mãe eu ter passado a te nocautear com ações e palavras podres, perdoe-me porque você merece mais que isso. Você merece muito mais do que eu ou qualquer outra pessoa possa te proporcionar, mas eu sou tão tola e não consegui enxergar a sua dor, o seu sofrimento, a sua aflição. Eu te amo tanto e te peço que não faça isso, mas não por mim e sim por você. Porque talvez você não seja perfeita, mas lembre-se de que ninguém é, lembre-se de que você especial. Nossa mãe se foi e eu me afastei de você, mas nem tudo se resume a isso e você é tão inteligente, tão linda, talentosa que por Deus  é quase um pecado fazer tanto tempo da última vez que li um de seus poemas. Meu anjinho, eu farei o possível para que de agora em diante sejamos nós duas, para que eu possa te ajudar a lutar contra cada um de seus medos, não vou deixar que o tempo volte a nos afastar, eu te amo.

- Eu também te amo, obrigada.

-Eu te amo tanto... prometa que mesmo com o passar dos anos e com o mudar da direção dos ventos que você vai se amar, porque isso é o mais importante.

Cinco Formas de MorrerOnde histórias criam vida. Descubra agora