terceiro

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O dia passou mais rápido do que eu esperava, infelizmente.

Eu estava junto com Cloe no banheiro e ela estava há quinze minutos se maquiando, e reclama quando eu me atraso um pouquinho.

—Vai demorar aí? — perguntei entediada — Além de ficar de vela o dia todo, vou ter que ficar meia hora aqui pra você se maquiar?

Ela revirou os olhos.

—Te esperei por vinte minutos, garota. Agora aguente!

Ri e disse:

—Faltam cinco minutos, princesa. Tic-tac...

Como eu disse, ela ficou meia hora se maquiando e mais uma vez tive que ouvi-la tagarelar sobre o Stephan.

Quando estávamos chegando no portão do campus, avistamos Stephan. Cloe sorriu tão radiante que eu sorri também.

—Oi, Cloe! — sorriu e seu olhar caiu sobre mim — Charlie?

—É, eu vou com vocês. Espero não atrapalhar.

—De maneira nenhuma — riu.

Seguimos em direção ao shopping bem popular que tem aqui na região.

Eles estão de mãos dadas e eu de braços cruzados. Eu amo muito essa garota pra ter que passar por isso.

—Não vai dizer nada, Charlie? — ele esticou seu pescoço para ter uma visão melhor de mim, já que a Cloe está entre nós.

—Prefiro não atrapalhar o casal.

Andamos por mais alguns minutos e vi o quanto ela fica radiante do lado dele. Eu só não quero que ele seja mais um filha da puta que vai acabar com o ela, e isso eu vou deixar bem claro.

Finalmente chegamos ao shopping e fomos diretamente para a praça de alimentação. Cada um pediu um lanche e Cloe disse que iria ao banheiro.

Esperei ela estar em uma distância segura e comecei:

—Stephan, vou te dizer uma coisa: se você fizer algum mal a ela, qualquer um, eu vou acabar com você. Não quero vê-la sofrer por um babaca com cara de bonzinho.

Ele ficou atônito por alguns instantes e sua expressão se suavizou.

—Eu realmente estou criando sentimentos por ela, não seria capaz de magoar ninguém. Vou dar o meu máximo para essa relação dar certo, não se preocupa, mãezona.

-—Não minta para mim, Stephan. Não estou brincando.

—Você que eu estou?

Quando abri minha boca para responder, Cloe apareceu.

—Do que estão falando?

—Nada demais.

○○○

A tarde com eles foi agradável, e vela não foi tão insuportável.

Recebi uns olhares de Stephan que me incomodou um pouco, e eu poderia ser dizer que foi "coisa da minha cabeça" mas eu sei que não.

Voltamos todos juntos, já que eu e ele moramos praticamente na mesma rua.

—Como eu nunca te vi por aqui?

— Não tem muito tempo que moro aqui. No máximo uns seis meses.

Cloe se despediu da gente e começou a seguir em direção a sua rua, mas ele a segurou e disse que quer acompanhá-la. Estou muito feliz por ela, talvez ele seja o cara.

Abri a porta de casa e senti mais uma vez o vazio em meu peito. Há cinco anos uma parte de mim que tinha esperança nas pessoas e em eu mesma morreu da forma mais dolorosa do que imaginara.

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu não as impedi. Peguei uma garrafa de bebida do meu "mini bar" e virei o conteúdo em minha boca.

Senti o líquido quente descer pela minha garganta e esperei a sensação de leveza vir. Peguei uma caixinha que fica escondida em um canto do meu quarto, peguei um baseado e acendi, dando um longa tragada.

Espero que isso acabe logo, de uma vez só.

AdulteryOnde histórias criam vida. Descubra agora