A Igreja Em Éfeso

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AS PRIMEIRAS IGREJAS

Apocalipse: 2. 1

"Ao anjo da igreja [em Éfeso] escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:"

      Para nós nos situarmos, no ano 33 Jesus morreu e ressurgiu, e Paulo se converte 16 anos após a cruz, a igreja em Éfeso foi fundada por Paulo, por volta do ano 53 da era cristã, 7 anos depois Paulo escreve a carta aos efésios, e aproximadamente 40 anos mais tarde o próprio Jesus, através de João, o apóstolo, escreve a carta no apocalipse; ou seja, ela faz parte de todo o processo de fundação das primeiras igrejas de Cristo no mundo, nos dando um panorama mais completo da sua existência. Paulo chega em Éfeso, e se depara com alguns discípulo de João Batista, e ali funda a igreja naquela cidade;"... Paulo tendo atravessado as regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos" (Atos: 19.1).
      Éfeso foi uma igreja fundada no mover do Espírito Santo; "Havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam em línguas e profetizavam." (Atos: 19. 6) A igreja em Éfeso tinha todos os dons e ministérios, sendo muito atuante na área de "cura e liberação", e na defesa do evangelho de Cristo; sua participação na expansão do evangelho naquele dias foi muito por conta daqueles irmãos.



O TRABALHO QUE FAZ SENTIDO
(Parte A)

Apocalipse: 2. 2.

"[Conheço as tuas obras,] e o teu trabalho, e a tua perseverança;"

      A descrição aqui é daquele que caminha por entre os castiçais, Jesus, e observa tudo o que a igreja faz, todas as suas obras, atitudes, programas, serviços, tudo; e o fato dele observar tudo, é que também pode julgar todas essas coisas, tanto as boas quanto as más. Nesse verso Jesus dá testemunho da perseverança da igreja de Éfeso no trabalho do Senhor, uma atitude de guardar a posição, fazer as mesmas coisas de sempre; como se permanecesse fazendo as coisas do mesmo jeito que o receberam no início, sem se desviarem, o que por sinal, é muito importante na consolidação de uma igreja local.
      Pode ser que essa atitude caia num mecanicismo, e num amontoado de atividades sem sentido, mas para imprimir sua identidade, no senário local, é preciso fazer as mesma coisas sempre, e do mesmo jeito, sem cair no "piloto automático", o que é um desafio muito grande; pra isso é preciso ter um plano de ação muito bem desenvolvido, pra estabelecer um relacionamento mais profundo com Deus, e saber o seu propósito para aquela localidade. Deus aprecia o trabalho dos seus servos, dando um valor inestimável aos esforços da pessoa no serviço de estabelecer o reino de Deus, e Paulo também diz: "Portanto, meus amados irmãos, [sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor], sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor." (1 Coríntios: 15. 58)
      O trabalho da igreja pode se dividir em "intra-igreja" e "extra-igreja", e essas duas situações demandam estratégias diferenciadas levando em conta suas necessidades, mas com um único modelo de vida, àquele que reflete a essência e sentidos originais da igreja do Senhor.


APOLOGÉTICA CRISTÃ 1

Apocalipse: 2. 2.
(Parte B)

"sei que não podes suportar os maus, [e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são], e os achaste mentirosos;"

      Já na primeira igreja havia os falsos mestres e falsas doutrinas, pessoas que tentavam introduzir sorrateiramente dentro da igreja ideias distorcidas e heréticas, fazendo o povo se perder na fé; isso trazia prejuízos enormes na fé individual do crente daquela época, e necessitava de uma defesa pontual e sistemática. O pensamento grego, e sua filosofia havia entrado no cristianismo, já no primeiro século, fazendo uma mistura do cristianismo e o paganismo, trazendo ideias totalmente opostas a mensagem de Cristo; a igreja do início, já tinha falsos apóstolos, e falsos mestres, não é um fato da modernidade e atual, mas já no início, a primeira igreja tinha que saber defender suas convicções, bem como sua fé.
      E essa atitude de defesa da fé é elogiada pelo Senhor Jesus, mostrando que não se pode deixar de defender e enfatizar as origens da fé, e também não aceitar distorções nas doutrinas basilares do cristianismo; todo pensamento que torce, e até mesmo destoa da doutrina dos apóstolos, deve ser recusada e combatida, primando pela simplicidade do evangelho de Cristo. "Não pode suportar os maus", o interessante é que o próprio Jesus elogia a igreja por ter posto os seus líderes, ou aqueles que tinham a palavra, à prova, como quem quer testar se a sua fala é genuína ou fraudulenta; ninguém, nenhum homem, pode transgredir o evangelho, e ser aceito pela igreja de Cristo, pois a igreja não pertence à homens, mas a Cristo, sendo assim, homens não têm o poder de criar doutrinas próprias em seu favor.



APOLOGÉTICA CRISTÃ 2

Gálatas: 2. 4.

"e isto por causa dos falsos irmãos intrusos, os quais furtivamente [entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos escravizar;]"

      Na igreja primitiva havia também o judaísmo, e que estava sendo incluído no grupo de doutrinas da igreja naquele momento, com seus costumes e ordenanças; ainda havia um laço muito estreito quanto ao judaísmo, pois a igreja nasceu em Jerusalém, no meio de judeus, e que para alguns, estava sendo contado como uma vertente do judaísmo. Um detalhe que podemos observar no verso 3, Paulo diz: "... Tito, que estava comigo, [embora sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se;]" podemos ver que os costumes do judaísmo estavam sendo introduzidos no meio da igreja, e que até gentios estavam sendo constrangidos a se tornarem judeus pra serem crentes.
      Mas Paulo vai combater essa ideia veementemente, pois sabia que não poderia ser daquela forma, isso, ao ponto de confrontar o próprio apóstolo Pedro, pois também estava entrando nessa história toda, por as vezes não saber o que fazer, ou por conveniência, como diz o verso 11. "Quando, porém, Cefas (Pedro) veio a Antioquia, [resisti-lhe na cara, porque era repreensível.]", pois Pedro mudou seu comportamento, quando alguns de Jerusalém chegaram, quando estava entre gentios. Pedro estava sendo conivente com essa introdução inoportuna e indevida do judaísmo na igreja, e isso lhe rendeu uma repreensão de Paulo, que era um homem muito bem instruído, e que recebera o ministério dos gentios; nem mesmos os verdadeiros apóstolos ficavam acima de correção, se esse precisasse, ou estivesse fazendo vistas grossas à um assunto importante, e decisivo na direção da primeira igreja.



UMA IGREJA QUE PERSEVERA

Apocalipse: 2. 3.

"e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste."

      A igreja em Éfeso tinha uma força muito grande no Senhor, foi uma igreja que nasceu no poder e na manifestação do Espírito Santo, quando Paulo apresentou o Espírito aos discípulos de João Batista; no início, era uma igreja muito fervorosa, e que viu muitos milagres extraordinários, que lhe testificava da presença atuante de Deus.
      Em (Atos 19. 11.) "E Deus pelas mãos de Paulo fazia [milagres extraordinários,]; e, (12.) de sorte que lenços e aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, [e as doenças os deixavam e saíam deles os espíritos malignos.]"; os efésios foram uma igreja que viu o mover de Deus, e estava imergida nos sinais e prodígios. E por causa desses sinais e manifestações extraordinárias, a igreja de Éfeso teve um suporte espiritual muito importante, mediante as tribulações, pois o testemunho dos que eram curados e libertos animava e dava forças pra essa igreja continuar firme.
      A perseverança de uma igreja, em meio às dificuldades, tem muito haver com o que ela vê e ouve, há uma ligação muito profunda entre o "testemunho", e a "perseverança"; não é uma regra geral, mas a ver coisas maravilhosas da parte de Deus, tem sim, um impacto muito grande no ânimo de qualquer grupo, inclusive na igreja.


O PERIGO DA RELIGIOSIDADE

Apocalipse: 2. 4.

"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor."

      Apesar de todo aquele começo glorioso, em que o poder de Deus era manifesto de forma visível à todos, causando um ânimo maior, e um avivamento naquele lugar, aqui, depois de algum tempo, aquela mesma igreja já não era mais a igual à antes, algo teria acontecido sem que eles pudessem perceber; a igreja de Éfeso teria se esfriado, perdendo fervor do início. Já na primeira igreja a religiosidade estava causando um desfoque no meio do povo de Deus, "um mecanismo sem intenção", bem como uma acomodação, fruto de um "estado acostumado" da presença de Deus; a igreja de Éfeso teria perdido a paixão dos tempos anteriores, caindo num modo de repetição automático, ou seja, "fazer por fazer".
     Isso trás um perigo muito grande para a igreja, quando deixamos de primar pelo que é realmente importante, e começamos a desfocar com aquilo que é trivial, e sem relevância para o reino de Deus; já naquele tempo, a igreja teria se perdido em si mesma, não dando valor para o que não tem preço, e preservando o que não era pra ser cultivado.
      A religiosidade consiste em: "fazer, sem sentir"; "proteger, o que é sem importância"; "repetir, o que é desnecessário".
      "Deixar o primeiro amor" é abandonar a essência do início, e adicionar elementos que substituem essa essência, deixando que cause um desfoque no seu sentido original; o contrário do primeiro amor é a religiosidade inerte e alienada, onde não se distingui o que é genuíno, do falso; e do que é realmente útil, do supérfluo. E Cristo vai dizer que "tem contra" a igreja de Éfeso, a sua displicência e descaso, onde deixaram de lado o que é relevante, em quanto igreja, pra ser aquilo que não corresponde à ser o corpo de Cristo; e muitas das vezes, caindo na secularização, sendo somente uma organização comum e terrena, distante do ideal de Cristo pra ela.


DE VOLTA AO INÍCIO

Apocalipse: 2. 5.
(Parte A)

"Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, [e pratica as primeiras obras;]"?

      Há um apelo aqui, feito pelo Senhor Jesus, que é de voltar à essência da igreja, e na prática das obras do princípio, de quando tudo começou, nesse caso, os tempo áureos da igreja em Éfeso; aqui, Cristo pede que haja arrependimento, e um retorno ao primeiro amor, onde tudo fazia sentido, e que justificava a existência da igreja no mundo.
      Mas qual início ?? Podemos fazer um paralelo com o início da igreja de Jerusalém, um modelo perfeito, dividido em três pilares, de como uma igreja começa. (Atos: 2. 42.)

1°) "e perseveravam na doutrina dos apóstolos"

      A ortodoxia de uma igreja no início é notório, pois neste momento ela quer se fundamentar no que é verdadeiro e importante, no que diz respeito à guarda da palavra de Deus. O ensino da palavra é um pilar importantíssimo na formação da igreja, pois é através desse ensino que o povo irá crescer na fé e no conhecimento do Senhor.

2°) "e na comunhão, no partir do pão"

      A igreja é por característica um ajuntamento de pessoas diverso, e das mais variadas personalidades, cada um com um pensamento distinto; mas que são unidos pelo Espírito Santo, formando um só corpo. A importância de ter unidade, é que mesmo que haja diversidade de culturas, e de níveis de conhecimento, há um só batismo, um só espírito, e etc.

3°) "e nas orações"

      A oração é outra parte fundamental na vida da igreja, onde o crente tem a oportunidade de colocar o que aprendeu no ensino, em prática; a oração permite a igreja como um todo, estar mais próximo do Senhor. O terceiro pilar, a oração, é um meio de comunicação, e de comunhão com Deus; e a oração feita em grupo, tendo dois ou três, pode muito em seus efeitos, como está descrito em:

(Mateus: 18. 20)

"Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, [aí estou eu no meio deles"].


PERDENDO A LUZ

Apocalipse: 2. 5.

"e se não, brevemente virei a ti, [e removerei do seu lugar o teu candeeiro,] se não te arrependeres."

      Cristo, aqui, está dando um aviso expressamente importante a igreja de Éfeso, não é só um lembrete casual, mas sim, uma advertência com caráter de urgência; há um detalhe a ser observado, onde o Senhor Jesus aponta uma questão que ele próprio julga muito séria, o arrependimento. Essa advertência vêm de encontro a posição da igreja em Éfeso naquele momento, ela estava fazendo sem amar, trabalhando sem discernir o valor real disso, se tornando uma igreja religiosa e vazia; o mecanicismo é repudiado por Deus, ao ponto dele ameaçar a tirar a luz, ou a sustentação de existência daquela igreja.
      Já na primeira geração, a geração do início, aquela que viu os alicerces sendo posto, essa mesma, no momento em que João escrevia, estava se perdendo; o fator "tempo" é implacável quando se está indo em qualquer direção, tanto para um lado ou para o outro, a trajetória é marcada pelo tempo de caminhada até o destino, e os Efésios estavam indo rumo ao esfriamento, dia após dia. Hoje, no século XXI a igreja de Éfeso, praticamente sumiu, não há mais vestígios daquela que foi uma das mais fervorosas igrejas do primeiro século; a sentença do Senhor foi posta em ação, com certeza aquela igreja "não se arrependeu", e foi executado a retirada do candeeiro, ou seja, removida a luz que a iluminava, que a clareava, que a esquentava e servia como farol para o mundo, nos provando que há a possibilidade de  se perder a unção do Espírito Santo, se não houver arrependimento.


OS NICOLAÍTAS

Apocalipse: 2. 6.

"Tens, porém, isto, que [aborreces as obras dos nicolaítas], as quais eu também aborreço."

    Os efésios, apesar de serem uma igreja que caiu na repetitividade da religião, era, porém uma igreja que recusava todo tipo de heresia e práticas distorcidas que afastava do caminho de Deus; essa igreja vai recusar o ensino oriundo de um dos primeiros sete diáconos de Jerusalém, mas que, segundo a história, se perdeu na essência do verdadeiro evangelho. "Ireneu de Lyon", um historiador cristão grego, nascido logo após o primeiro século, em Esmirna, Ásia menor, que é uma das cidades que recebereu as cartas de Cristo, em 130 d. C., afirma que esses nicolaítas são seguidores de Nicolau, um dos sete diáconos como está registrado em:
(Atos 6. 5.) "O parecer agradou a todos, e elegeram a Estevão... Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas, [e Nicolau, prosélito de Antioquia"] Apesar de não haver mais informações sobre a real identidade desse Nicolau, esse historiador é o mais confiável, por ser o mais próximo, no tempo, do acontecimento; e também porque relata detalhes sobre a vida desse diácono, e a seu distanciamento do evangelho puro e simples. Segundo Ireneu, esse Nicolau, sofreu influência de uma heresia crescente nos dias dos apóstolos, que era o "gnosticismo", e que foi abraçado por Nicolau; o resultado dessa mistura foi uma vida dissoluta e imoral, fora dos padrões divinos. Não só Ireneu de Lyon, mas todos os
pais da igreja, do segundo século como: Epifânio de Salamis; Hipólito de Roma;
Pettau (ou Victorinus); Eusébio; e Tomás de Aquino; também mencionam Nicolau como herege; eles afirmam que Nicolau:

1°) incentivava ou a poligamia, ou que os homens tivessem esposas em comum;
2°) permitiu que vários homens casassem com sua esposa;
3°) e levava uma vida de indulgência ilimitada.
      Como pode!? Esse que foi um colega de ministério de Filipe, que foi transladado, de Estevão, o mártir, e mesmo assim se deixar corromper dessa forma?!
      E o Senhor Jesus declara que "aborrece, repudia, detesta, ou se enoja, essa prática, ou obras", e que essa heresia estava chegando não só a Éfeso, como também a Pérgamo; podemos perceber que a igreja primitiva não estava distante de heresias, e que não é uma coisa dos últimos tempos, mas sim que, desde o começo a igreja vem sofrendo distorções das mais diversas, mas que é possível se manter pura.


À TODOS QUANTOS

Apocalipse: 2. 7.
(Parte A)

"[Quem tem ouvidos, ouça] o que o Espírito diz às igrejas."

      Aqui, depois de entregar essa recomendação, e uma repreensão à igreja de Éfeso, Jesus vai dar uma nuance muito forte, e que está implícita no texto, ele disse: "quem tem ouvidos", ele não distingui quem teria que ouvir, ou acatar, e nem restringe àquela igreja local, e só naquele momento, não, o Espírito menciona: "à todos que tem ouvidos", dando a entender que mais alguém poderia receber aquelas recomendações; isso dá a essa carta um sentido atemporal e polivalente, podendo ser usada pra edificar em todos os tempos e locais, que tenha as mesmas características e condições de Éfeso.
      Essa recomendação de ouvir o que o Espírito diz, tem características proféticas, onde uma situação e personagem específicos são usados como exemplo, ou como parâmetro pra passar uma mensagem bem maior do que aquela que realmente está sendo transmitida; a linguagem profética tem um caráter muito peculiar e próprio, que é de retratar realidades espirituais, e universais do reino, mas que podem ter outros alvos e destinos.
      Então essas cartas são uma profecia ?? Sim, veja o que está escrito em outras partes desse livro:

Apocalipse: 1. 3. "Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados [os que ouvem as palavras desta profecia] e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo."

Outro texto.

Apocalipse: 22. 7. "Eis que cedo venho; bem-aventurado aquele que [guarda as palavras da profecia deste livro.]"

      Essa mensagem profética era pras igrejas, mas qualquer um poderia receber; tudo o que está sendo dito nessa profecia pode ser dirigido a qualquer pessoa, e pode ter vários destinos, e também, à igrejas de todos os tempos da era cristã.


AO VENCEDOR

Apocalipse: 2. 7.
(Parte B)

"... [Ao que vencer,] dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus."

      "Ao que vencer", ou, "ao vencedor"; essa sentença pressupõe que houve uma peleja, uma batalha, e na verdade é isso mesmo, ser igreja é muito mais desafiador do que se possa imaginar, é um exercício de resistência e perseverança; ninguém vence, se não estiver pelejado; não há vitória, sem luta; não tem campeão, sem que antes houvesse um teste que o qualificasse. A vida da igreja nunca foi tão fácil assim, sempre foi marcada por lutas, tribulações, e perseguições, onde seus membros foram caçados e torturados por serem cristãos; essas lutas deixaram a igreja mais forte, e também trazia separação nítida dos verdadeiros e dos falsos crentes, pois os que não eram tão convictos assim, não suportavam essas provações sobre a igreja.
      Pode existir um saudosismo, e um sentimento fantasioso de achar que a igreja de antes era mais fácil, mas isso não corresponde à verdade, havia sim todos os problemas que hoje têm, alguns mais atenuados por circunstâncias locais, e outros estão ainda no ponto da primeira igreja; é mais realista pensar que a igreja sempre foi uma instituição contrária ao mundo, e que isso trás consequências muito traumáticas, sobretudo porque não é fácil fazer oposição a esse sistema vigente. A recompensa não podia ser melhor, e mais importante do que essa, e ter tanto significado, que é comer da árvore que nos foi privada no Éden; nós teremos acesso outra vez à "árvore da vida", e tê-la como recompensa por nossa perseverança e amor a Deus.


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