Capítulo VI

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Olá! Adivinha quem tá de férias??? Eu! Mas to e não to infelizmente. Vou ter que estudar para um concurso agora em dezembro, então a rotina corrida permanece =/


Sasuke agradeceu ao fato de que a pequena capela dentro da catedral estava vazia quando entrou. Havia uma aura ali que não sabia identificar, mas que o fazia sentir-se observado, realmente assistido por alguém de cima. Talvez, ali, dentre tantos outros lugares, ele pudesse acreditar mesmo em Deus, e isso o assustava. As capelas eram mais íntimas, feitas para abrigar e acolher, mas não era por esse motivo que Sasuke se dirigia até aquele local. A imagem de Maria ao centro, esculpida em detalhes levando nas mãos em frente ao peito o próprio coração, tinha lhe capturado desde o primeiro momento quando chegara à Londres. Nada naquela cidade o agradava, nada na catedral o fazia se sentir bem, a não ser aquela imagem... Ela parecia tão familiar, os mínimos detalhes nem mesmo o surpreendiam porque podia jurar que já os conhecia todos. Odiava o fato de que a imagem que lhe trazia tanta paz estivesse num lugar daqueles, irritava-se com o arrepio desagradável que subia por sua espinha ao pisar na capela e fazer o sinal da cruz. Ainda assim, caminhou até um dos bancos e se ajoelhou. As mãos unidas, mais por hábito que por prece, a cabeça baixa, o silêncio esmagador sumindo à medida que mergulhava em si mesmo.

O que estava fazendo ali? Não sabia dizer, mas precisava acalmar a mente, silenciar a voz que lhe gritava que fosse atrás de Naruto por respostas. A prova do que tinha feito estava em seu quarto, papéis sujos misturados no lixo, o pecado em sua pele, nas lembranças de como havia chamado pelo nome de Naruto ao sentir o prazer fervendo em seu corpo. No desejo por mais...

Fechou os olhos com força. Aquilo tudo não podia ser real, mas era. Então: como? Como podia ser real? Como podia acreditar em uma voz que aparentemente estava dentro da sua cabeça? Como parar de dar voltas e mais voltas em questões que sozinho não era capaz de desvendar as respostas?

E havia outra pessoa agora... tinha certeza de que o homem que havia ido à missa das seis horas conhecia Naruto, tinha ouvido o nome! Tinha visto os olhos dele presos aos seus, analisando sua reação e... feliz? Aquele homem não era como Naruto e, apesar disso, ele tinha parecido tão feliz ao vê-lo, havia tanto carinho na forma como sorrira antes de se afastar, tanta... saudade nos olhos escuros... Por que um estranho o olharia com tanto carinho? Por que seu coração tinha acelerado de forma tão absurda quando ele se afastou?

Precisava ir até Naruto e cobrar respostas, era a única maneira de encerrar aquele assunto. Além do mais, Danzou queria avanços, outra correspondência havia chego cobrando o que tinha descoberto sobre Shikamaru, mas, fora que não desejava seguir os passos de Sarutobi, ainda não tinha nada contra ele. Danzou e Sarutobi estavam jogando de forma suja, mas pouco efetiva, apostando nas fichas erradas. Sasuke duvidava que o sucesso de qualquer um dos dois morasse em informações sobre seus parentes. Shikamaru seria tão útil para Danzou quanto ele, Sasuke, era para Sarutobi. Eram fichas sem valor, sendo jogadas sobre uma mesa apostas cujo o prêmio era nada menos que o papado.

Interessante notar, entretanto, que Shikamaru era tão peão quanto ele próprio. Por que outro motivo ele se mostraria tão interessado em seguir Sasuke pela catedral e se mostrar tão prestativo? Dizer que se importava com sua saúde seria uma desculpa perfeita se Sasuke não soubesse que Sarutobi estava por trás daquele movimento, e isso agora o fazia levantar uma hipótese, uma que havia sido ingênuo demais para não cogitar. A febre, o mal estar, tudo isso tinha começado ao pisar em Londres, e Sarutobi sempre estava por perto, agora até mesmo havia designado o neto para lhe fazer companhia enquanto se recuperava... o neto que almejava ser médico, que estudava inúmeras substâncias, que tinha acesso a tudo o que quisesse naquela cidade.

Precisava falar com Kakashi sobre a chance de estar sendo envenenado, descobrir se havia alguma forma de ter certeza e, se de fato estivesse, encontrar o veneno. Envenená-lo era uma jogada arriscada, mas muito lucrativa. Sarutobi nunca seria acusado, poderia ainda se promover sobre tal episódio. O santo Cardeal que fez tudo para evitar a morte do protegido de um dos favoritos ao papado, que disponibilizou até mesmo o próprio sangue, alguém da família, para cuidar de perto de um simples padre... Uma forma efetiva de se livrar de um espião e ainda garantir pontos na corrida contra Danzou.

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