Submerso

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Rick arremessou a mochila para longe da água, para evitar que suas coisas molhassem. A sensação do ar colidindo com seu corpo gerou um frio na barriga. Em um segundo estava flutuando, logo em seguida, colidindo com a água gelada, a piscina estava repleta de lodo, ele conseguiu sentir, instantes depois, ainda com os olhos fechados, ele começou a ouvir pedaços de concreto e tijolo caindo na água, nenhum o acertou.
Suas mãos percorreram a borda desesperadamente, procurando um jeito para se apoiar, o lodo dificultava a tarefa. Quando estava quase conseguindo sair algo agarrou seu braço direito, o puxando para o fundo novamente. Rick tentou abrir os olhos, mas a água estava suja demais, bloqueando sua visão. Com as duas pernas, começou a golpear a criatura na tentativa de se soltar, mas o zumbi resistiu, mantendo os dois submersos. Sua arma estava na mochila, do lado de fora, seu fôlego estava acabando, junto com suas opções. Em um impulso o jovem sacou uma faca que estava presa em seu cinto, e com o último rastro de força que restou, a enfiou na cabeça do morto vivo. Imediatamente voltou a superfície, puxando o ar com a maior força possível, em seguida saiu da piscina, esfregou os olhos e os abriu, olhou para a água, o cadáver em alto estado de decomposição boiava, o tom vermelho de seu sangue se misturava com o verde musgo. Ainda ofegante, olhou para trás, na direção do prédio, viu a poeira acabando de se assentar no chão, os destroços, mas nenhum sinal de zumbis, ele sabia que isso mudaria logo. Caminhou com dificuldade até onde sua mochila havia caído, conferiu o interior, estava tudo certo. Pegou o cantil e se dirigiu para o lago apressando o passo. Enquanto ele estivesse molhado e coberto pelo lodo nenhum vagante conseguiria sentir seu cheiro, o que daria uma vantagem momentânea. Ao chegar ao lago, olhou em volta, nada, suas mãos tremiam enquanto tentava abrir o cantil, ele parou, respirou, e voltou sua atenção até conseguir retirar a tampa, se abaixou encheu o recipiente e o guardou. De joelhos em frente a água ele viu seu reflexo, completamente diferente do que havia visto no sonho mais cedo, sua barba tomava conta de seu rosto, seu cabelo molhado caia sobre o olho, seus olhos estavam fundos, consequências da falta de noites de sono e da má alimentação, estava abaixo do peso. Ele mergulhou a cabeça na água e então retirou, jogando o cabelo para trás e esfregando os olhos. Abriu a bolsa, pegou um frasco de remédio, esperou uma advertência, silêncio, Henry não estava ali. Retirou dois comprimidos e os engoliu de uma vez só, seu estômago doeu, fazendo-o cair para frente, apoiado por suas mãos ele voltou a se fixar em seu reflexo, voltou a sentir dor, mas não no estômago, essa era mais intensa, a dor que causada pelo desespero de estar sozinho. Viu quando uma lágrima escorreu pelo rosto até cair na água, manteve seu olhar por alguns instantes, analisando o que havia se tornado. Se levantou, olhou em volta, nada de zumbis, nada de Henry. Colocou a mochila nas costas e saiu na direção oposta aos escombros. Logo o sol estaria centralizado ao céu, ele precisava sair da região o mais rápido possível por causa do barulho que o prédio gerou, em algumas horas a cidade estaria repleta de mortos e não ser detectado seria impossível.

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