Capítulo 17

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Bakugo arregalou os olhos antes de correr o máximo que podia até Midoriya. O carro que vinha em alta velocidade tentou freiar mas seus pneus continuaram derrapando no asfalto, cada vez mais perto do corpo de Midoriya. Se jogou para frente e num ato desespero agarrou o menor pela cintura.

Midoriya voou para trás, deixando cair sua caixa de tênis no meio da rua no exato momento que o carro vermelho atravessou o mesmo lugar aonde antes estava, mas não antes de esmagar seus tênis e levar também a pulseira de Bakugo, a rasgando em duas.

As tiras do que um dia fora uma pulseira voaram com o vento causado pelo carro, se espalhando pelo chão.

Midoriya ainda com alguma lágrimas nos olhos, olhou tudo paralisado. Sentiu uma mão agarrando sua cintura por trás protetoramente. Olhou para trás e viu Bakugo com a cabeça encostada em sua nuca, respirava sem folêgo. Sentiu que o coração do maior batia forte e descontrolado.

Corou ao sentir aquelas borboletas voado em seu estômago novamente. O corpo do maior estava tão perto...

Midoriya continuaria paralisado se o motorista do carro não chegasse e começasse a lhe dar uma bronca, fazendo Bakugo o soltar ainda em estado de choque.

- Menino! Olha por onde anda! - disse o homem de longos cabelos loiros e olhos verdes. - Que susto me deu!-suspirou nervoso. - Você poderia ter morrido! - disse ele num tom desaprovador.

Midoriya lhe pediu desculpa e disse que prestaria mais atenção da próxima vez. Gaguejou em todas as palavras, claro.

Quando finalmente o motorista se foi deixando-lhes uma garrafa d'água para se acalmar do susto, Midoriya percebeu Bakugo parado em pé de cabeça baixa na mesma posição em que havia o deixado.

- Obrigado, Kacchan - disse o menor.

Chegou perto do loiro que, agora que Midoriya olhara bem estava tremendo.

- Kacchan? - o chamou mas o garoto pouco se mexeu. - Você está bem?

O que teria acontecido?

Olhou para o chão aonde o maior observava. Viu que ele olhava as tiras no chão. A pulseira!

Midoriya arregalou os olhos.

- Ka-Kacchan... Eu... m-me desculpe... - disse baixo.

Bakugo ergueu a cabeça e o olhou. Estava triste, era notável, mas mesmo assim sorriu de lado. Andou até si e o abraçou.

- E-eu fiquei tão preocupado... - sssurrou o outro tremendo. - Eu pensei que... Iria te perder... - o maior parecia se segurar para não chorar. - M-me desculpe... E-eu sou um idiota... - grunhiu - Você se machucou? - se afastou dando uma olhada no corpo do outro.

- E-eu estou be-bem... - respondeu. - Só os tê-tênis que estão de-destruídos...- adicionou olhando a outra bolsa de roupas intacta no chão ao seu lado.

Bakugo sentiu um pouco de satisfação por aquilo.

- Me desculpe por aquilo... - suspirou - Eu não sei aonde estava com a cabeça.

- E-está tudo bem...-respondeu.

- Que bom que está bem... Vamos para casa? - o chamou pegando sua mão.

- Mas... E a s-sua pulseira? - perguntou o esverdeado.

Bakugo olhou as tiras no chão.

- Não tem importância. - suspirou. -Ninguém se importa com ela mesmo. -disse por fim.

Midoriya se sentiu mal pelo maior.

(•••)

Naquela tarde Bakugo, o deixou em casa e pediu desculpas novamente por ter sido rude com o mesmo. Midoriya aceitou e entrou para dentro de casa.

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