Sentado naquele vestiário, após ter se trocado, Sehun observava seu celular. Apesar do conteúdo da mensagem ser incômodo – o número desconhecido lhe alertando da presença do homem que Sehun mais detestava naquele estádio –, a felicidade que sentia com a mais recente vitória era capaz de nublar toda a sua preocupação e nervoso.
Guardou o aparelho de volta em sua mochila e voltou a atenção para o garoto que estava a sua frente, o tronco nu enquanto observava a blusa, buscando distinguir a parte da frente, a procura frenética pela etiqueta.
Recostou a cabeça contra a parede e continuou a observá-lo. Era engraçado como Baekhyun resmungava até mesmo com uma peça de roupa quando as coisas não funcionavam do jeito que bem entendia.
Era extremamente fofo a forma como deixava formar um biquinho a cada resmungo prolongado contra o tecido, até que finalmente soltava um risinho disfarçado e conseguia finalmente vestir a blusa. Lentamente a peça era guiada, cobrindo-lhe o tronco branco e contornado.
"Eu realmente gosto do seu corpo, Baekhyun." Se viu pensando uma vez mais e aquela quentura esquisita tomando-lhe não só a face, mas todo seu corpo.
Baekhyun virou-se a tempo de ver o garoto cobrindo o próprio rosto e riu das ações do primeiranista, sem de fato entender o que – no caso quem – causava aquela reação. Caminhou para próximo de Sehun e sentou-se ao seu lado.
– O que acha de darmos uma fugida de novo? – Perguntou em um tom que indicava segredo.
– Fugida?
– Só até o tempo do segundo jogo terminar, vamos, sei lá, até uma sorveteria e voltamos alguns minutos antes e esperamos no ônibus. O que acha? – Devolveu a pergunta, seus olhos brilhavam em expectativa. – Eu acho que você me deve algumas explicações sobre o que tem te afligido tanto e o que foi aquilo durante o jogo...
– Acho uma ideia sensacional. – Sorriu cúmplice, abaixando a cabeça e suspirando. De fato, devia algumas explicações ao companheiro de bateria.
Os dois garotos então puseram as mochilas sobre os ombros e aproveitando toda a comoção gerada por um fim de jogo acompanhado de vitória, se esgueiraram pela porta, correndo pelos corredores de acesso aos vestiários.
Mas a meio caminho da saída mais próxima, uma pessoa estava recostada a parede, uma sombra cobrindo-lhe o rosto por conta do boné. Aquele sorriso de dentes absurdamente brancos trazendo um mar de lembranças.
– Foi um jogo incrível, garoto. Você leva jeito. – Aquela voz tão conhecida e nostálgica alcançou-lhe os ouvidos.
Era Minho. Aquele homem era o que poderia chamar de quase tio. Minho havia crescido na casa ao lado de onde Sunhee vivia, ajudava a garota a lidar com os problemas infinitos que tinha com o pai bêbado. Os dois eram melhores amigos e quase como irmãos.
A trajetória de Minho provavelmente não diferenciava tanto da mãe de Sehun. Ambos haviam crescido em ambientes hostis e de péssimo exemplo, era quase normal que aquele homem tivesse seguido aquele rumo. O confuso era que apesar de Minho ter uma ficha não muito agradável, provavelmente em relação a Sunhee e Sehun o homem era sempre presente e gentil.
O principal problema era que Minho inúmeras vezes havia feito alguns trabalhos juntamente com aquele homem detestável com quem Sunhee havia tido um caso.
– Você cresceu bem, tá bonitão... Parece sua mãe, mas ainda mais aquele cara. Sunhee deve ter tido um surto quando soube que você estava seguindo os mesmos passos. – Disse a última parte um décimo mais baixo.
