Lee Minhyuk, soldado de elite da ONU no combate à caça de baleias, era um soldado exemplar, que não deixava nada ficar acima do seu dever de proteger as criaturas marinhas que tanto amava. Nada até um baleeiro arrependido invadir sua vida...
- O grandão está dizendo que não sabia que o PRÓPRIO irmão estava sendo torturado no mesmo navio onde ele estava.
Kihyun estava enlouquecido com o que ouvira de Shownu. A cada palavra, o soldado cortava com fúria uma cenoura. Minhyuk nunca vira o amigo tão possesso.
- Não adianta de nada ficar nervoso desse jeito. Não vai mudar o que já aconteceu, anão... - O olhar de raiva que recebeu fez o xingamento mudar para outras palavras rapidamente. - A não ser que você queira continuar bravo...
- Eu não estou bravo, hyung. Mas olha o tanto de merda que aconteceu hoje! A gente tem dois baleeiros dentro do nosso barco! Não conseguimos prender ninguém! E o David está morto.
- Prendemos dois, ué! - Prendemos um preso e um mentiroso! Nossa! Uau! Que incrível. - Kihyun. Se acalme. Agora precisamos colocar a cabeça no lugar. - Sim... Wonho hyung vai precisar muito da nossa ajuda...
Minhyuk não sabia naquele momento, mas aquele ataque não havia tirado apenas o capitão da equipe. Havia levado o grande amor da vida de Wonho.
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- Jooheon?
Minhyuk não sabia como se aproximar do rapaz, mas sabia que ele precisava comer. Kihyun preparara um caldo fortificado, para que ele pudesse se alimentar e ficar forte até chegarem ao continente. Minhyuk sabia que essa história toda daria muito trabalho a todos eles. A tropa de elite da ONU, munida das mais avançadas tecnologias fora espantada por um bando de pescadores semi-analfabetos, perdera seu líder, conseguira apenas um refém moribundo e quase tiveram o barco invadido por um doido, que nadara dezenas de metros no mar gelado. O futuro à frente da equipe era muito sombrio. E cara hostil que Jooheon direcionava a ele não contribuía em nada para melhor seu humor.
- Onde está meu irmão? Onde vocês colocaram o Nunu? O QUE VOCÊS FIZERAM COM ELE?!
A raiva que sentia parecia dar-lhe forças: ele tentava arrancar os fios que o monitoravam, enquanto tentava levantar da cama... Mas seu corpo estava muito fraco. Dias sem comer tornaram suas pernas quase inoperantes. Ele caiu com força no chão antes que Minhyuk pudesse ajudá-lo.
- Jooheon!
Quando Minhyuk aproximou-se, viu que Jooheon chorava copiosamente, seus ombros chacoalhando com força.
- Como que a gente foi parar nessa situação?! Eu quero meu irmão! Hyung! Hyung!
Minhyuk sentia-se perdido. Wonho, depois de ajudar a instalar Shownu na enfermaria, trancara-se em sua cabine, Kihyun estava a ponto de matar Shownu, Changkyun tentava ajudar aqui e ali, mas não tinha muito o que fazer... Na ausência de David e Wonho, Minhyuk era o superior imediato. E ele estava ali, no chão de uma cabine, tentando levantar uma pessoa que claramente estava tão perdida quanto ele. Minhyuk só queria salvar baleias.
- Se acalme. Você quer ajudar seu irmão, não quer? Precisa comer e ficar forte.
- Eu sou um inútil, sunbae. Não consigo nem me salvar... - Cada palavra que saía da boca de Jooheon era banhada por uma cachoeira de lágrimas. A tristeza que ele sentia era quase palpável. Ele levantou os olhos em direção a Minhyuk. - Eu sempre me escondi na sombra do meu irmão. Ele que apanhava quando eu desobedecia, ele deixava de comer para eu ter mais comida... Ele é minha única família...
Minhyuk levantou e colocou Jooheon numa poltrona. Montou a mesa de refeição e tentava o forçar a comer, mas Jooheon chorava tanto que mal conseguia abrir a boca. Minhyuk só tinha visto uma pessoa desesperada assim...
- Deixa que eu cuido dele.
A voz de Kihyun ainda soava irritada, mas o amigo estava mais calmo. Ele se aproximou, puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Jooheon.
- Eu sei comer sozin...
Jooheon não conseguiu completar a frase, porque a colherada que Kihyun enfiara em sua boca. Minhyuk não pode conter uma risada. Quem diria que aquele Kihyun era o mesmo que ele encontrara em um bar...? Seu amigo amadurecera tanto... Jooheon podia até tentar reclamar, mas Kihyun era o ser mais obstinado do universo.
- Isso está gostoso... - Jooheon começara a comer sozinho, muito faminto... Kihyun fizera um caldo leve, mas reforçado.
- Eu sei. Fui eu quem fez. - Um pouco do orgulho de Kihyun apareceu por de trás da camada rígida.
Jooheon comia com afinco e Minhyuk observava que ele parara de chorar enquanto se alimentava... Quando fora sua última refeição?
- Quando foi sua última refeição? - Minhyuk ainda se impressionava em como Kihyun e ele eram sintonizados.
Jooheon baixou a colher e respondeu muito baixo...
- O que? Não entendi o que você disse... - Kihyun se aproximara, para poder entender melhor.
- Eu não lembro... Eu nem sei que dia é hoje...
Kihyun se agachara em frente a Jooheon e começou a conversar com ele, de forma muito delicada. Pegou a tigela de caldo e entregou a Minhyuk.
- Pode trazer mais caldo, por favor?
Minhyuk entendeu a deixa e saiu. Para Minhyuk, não havia ninguém no mundo tão carinhoso e delicado como Kihyun. O amigo conseguiria obter todas as respostas que precisavam, sem tortura. Apenas com gentileza e um pouco de comida gostosa.