6 - Roku

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" Deitado ao seu lado
Aqui no escuro
Sentindo as batidas do seu coração
Junto às minhas
Suavemente você sussurra
Você é tão sincero
Como nosso amor
Pôde ser tão cego?"  – Journey - Open Arms.

PASSOU-SE O TEMPO . O Menino que outrora estava triste jogado em um canto escuro, distribui sorrisos sinceros de alegria, seus colegas de sala já estavam acostumado com seu jeito quieto e solitário, agora desconhecia o novo menino, parecia de alguma forma... Feliz. Não era o mesmo.

— ... Daí tenho que pôr recarga em minha conta no DDtank para que ela fique ainda mais forte. – disse seu amigo. Mas ele não estava ouvindo, estava totalmente ligado nas conversas dele e da menina dos olhos puxados. — Cara, eu estou falando com você...!

— Hãn?... – disse enquanto levantava lentamente sua cabeça para ouvir o amigo. — O que você estava falando?

— Ah, deixa pra lá, cara – tava frustrado de fato. — Parece que anda perdido em pensamentos, cara.

— Perdidos em Teresópolis, meu amigo – disse batendo no ombro de seu amigo que não entendeu o que ele queria dizer com isso. Teresópolis? Não é lá que fica a Serra dos Órgãos? — Mas, vamos jogar que é melhor, não é?

— Sim. O que prefere: Blood Roar II... ou Marvel vs Capcom?

— Vamos de Blood...

O celular toca. É ela. Seu amigo põe a mão no rosto e balança a cabeça frustrado.

— É ela, não é ? – disse ainda com a mão cobrindo o rosto — A japonesa?

— Não exatamente, pois ela é descendente de Taiwane...

— Tanto faz! – disse — Agora podemos jogar? – fez um gesto com o joystick.

— Podemos... Mas eu vou com o tigre!

                              ×××

Como alguém de tão longe pode nos fazer tão feliz? Talvez seja porque os que estão próximos muitas vezes nem são notados.

                            ×××

  Que horas são? – o menino perguntou para uma de suas colegas de sala.

— Ainda falta 5 minutos para o término das aulas – ela disse, logo em seguida começou a colocar os materiais em sua bolsa.

— Tudo isso?! – ele respondeu de uma forma como se a culpa fosse da menina.

— Tudo isso... – ela riu. — Parece meio apressado, mal prestou atenção nas aulas hoje. O que tá havendo?

— Nada. Só estou meio com fome...

— É mais que isso... – disse. — Aí tem coisa.

O sinal toca. Ele coloca rápido sua mochila nas costas – ela, que por muito tempo estava pronta –, sai da sala dizendo "tchau"  para todos. Recebia alguns sorrisos de volta. E até mesmo de uma menina que outrora ele gostava. Lembrou disso, mas, seus pensamentos foram instintivamente para os lindos olhos negros  da menina dos olhos puxados. Ele sorriu. Saiu apressado nos portões, puxou sua mochila colocando ela na frente de seu abdômen e a vasculhou procurando seu celular que estava junto com os fones de ouvido – esses que por mágica, ficaram todo enrolados. Ligou seu celular, o logotipo da Samsung logo apareceu. Colocou-o no bolso, agora tem uma grande missão: desenrolar os fones.

                            ×××

A música estava tocando no máximo. O que ele escutava era uma das sinfonias de Antônio Vivaldi – winter. Sempre lhe trazia arrepios ao escutar. Gostava muito de violinos, talvez um dia possa aprender tocar algumas notas. Se aproximava da praça; sentou-se no seu banco preferido. Olhou para lua, tinha um tom azul ao redor, Que noite mais perfeita!  Você é tão linda, senhora lua, vim te fazer um visitinha.

JOUEYOnde histórias criam vida. Descubra agora