Susan Armstrong é tudo o que uma garota almeja ser: Linda, inteligente e estupidamente rica, além namorar o cara mais quente de Lutheran High School.
Tudo é perfeito em sua vida, tirando o fato de que Susan esta morta, ou pelo menos era o que todos...
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Não há nada em que paire tanta sedução e maldição como num segredo.
Soren Kierkegaard
MORRER FOI IMPREMEDITAVELMENTE indolor e silencioso.
Quando meu carro despencou das montanhas de Topanga State Park, direto para o Oceano Pacifico, tudo se tornou extraordinariamente lento, apesar de meu cérebro funcionar na velocidade habitual.
Eu era consciente apenas do som de minha respiração, enquanto uma terrível sensação de desespero queimava meus pulmões. Eu desejei sumir por tantas vezes, que o universo decidiu atender meu pedido. No entanto, o problema com o universo é seu trágico senso de humor.
Toda a catástrofe deve ter durado um pouco mais de dois minutos, mas foi o suficiente para que toda a minha breve vida passasse diante dos meus olhos como um filme dramático, com um final ainda mais lastimável. E então eu mergulhei nas águas escuras e pesadas como lama. Quando o carro finalmente submergiu, eu já estava desacordada. O corpo leve e gelado como papel.
E assim morreu April Harrison. Ou pelo menos era o que todos os que me conheciam passaram a acreditar, o que não era grande coisa, afinal, tecnicamente April Harrison se quer existia e para quem eu existia, não seria uma grande perda no fim das contas, a não ser pela grana que eles deixariam de ganhar comigo.
Estar morta foi tão tranquilo, saber que não precisava voltar e ser punida pelas minhas péssimas decisões das últimas semanas era reconfortante. Eu só precisava permanecer em silêncio, sem ter que responder a ninguém nunca mais. Poderia me acostumar com isso, mas o universo tratou de jogar mais uma vez. Uma jogada de mestre, tenho que admitir.
Meu corpo mal aquecido pelo meu vestido de festa, curto e justo demais para um mergulho noturno no oceano, doía como se eu tivesse sido atropelada. As pedras nas quais eu havia sido jogada deixavam minhas costas em uma posição desconfortável. Eu estava a salvo, aparentemente. Escarrada pelo mar, como uma sacola plástica.
Meu peito queimava como se tivesse engolido lava, então vomitei toda a água que estava em meus pulmões. Ainda estava meio tonta, mas gradualmente meus sentidos retornavam. A primeira coisa que vi, foi um grupo de adolescentes que me rodeavam, as garotas vestidas assim como eu me fizeram acreditar que estava de volta ao meu ponto de partida, no entanto, não reconhecia nenhuma delas. Além disso, não havia garotos adolescentes nos Hastings, então descartei a ideia.
O mar tinha me levado até ali? Eu não deveria estar morta? Era tudo o que pensava. Podia ver bocas se mexendo, mas não conseguia entender o que diziam, até um garoto romper a pequena multidão que se formava na praia.
— Susan! — ele gritou.
Não sabia quem era essa tal de Susan, mas ele corria em minha direção. Queria dizer que essa não era eu, mas eu ainda não me lembrava de como falar. Ele se ajoelhou ao meu lado e todos a minha volta, pareciam tão confusos quanto eu.
— Como você... — ele engasgou com suas palavras. — Você esta bem?
Eu neguei. Apesar de não ser Susan eu realmente não estava bem e esperava que ele notasse isso e se afastasse um pouco, ou eu acabaria vomitando em seu colo.
Seus olhos bonitos me analisavam com cuidado. Era um tanto felino seu olhar, como um tigre. Mas apesar disso, não detectava nenhum perigo vindo dele, ou de qualquer um ali a minha volta.
— Eu não acredito! É você Susan? — Disse outra pessoa, uma garota dessa vez, com cabelos vermelhos e um vestido dourado bufante. Ela estava parada do lado de fora do círculo de pessoas, carregando seus sapatos de salto na mão.
Eu já estava irritada com meu próprio silêncio. Queria perguntar quem diabos era Susan, então eu me lembrei de tudo, e de quem eu fugia. Talvez ainda estivessem me procurando. Olhei para o oceano, mas apenas a lua iluminava as águas escuras. Nenhum sinal das montanhas, ou do carro que tinha roubado. Não tinha ideia de que lugar era aquele, mas parecia muito distante de Topanga State Park.
Aquelas pessoas pareciam preocupadas comigo, ou melhor, com quem elas pensavam que eu era. Eu não conseguia me mover, então se me tirassem dali e me levassem para um local seguro, eu poderia ser Susan, Alison, Michele Obama, qualquer uma que fosse.
Então finalmente disse: — Estou com frio...
— Vamos levá-la para o barco! — O garoto disse, me pegando no colo e a multidão se afastou, abrindo caminho para o Iate ancorado no cais. — Está tudo bem agora, eu estou com você. — Ele cochichou para que apenas eu o ouvisse.
Por alguma razão eu confiei nele. A minha vida toda foi uma espécie de treinamento para desconfiar de tudo e de todos, ninguém estava comigo, ninguém se importava com o que acontecia comigo, no entanto, ali não era April, a pobre garota órfã, mas sim Susan, a garota que recebeu mais atenção e preocupação em poucos minutos, do que eu recebi em toda minha vida. Se precisasse ser Susan para sair dali com vida e não ter de voltar para o lugar horrível de onde eu vim, era exatamente o que eu faria.
Olhei para o garoto tigre e assenti.
Era minha vez de jogar.
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• • • {notas da autora}
E esse foi o primeiro capítulo! Espero que esta história tenha leitores, estou muito animada com ela! • Comentem o que acharam! Suas suposições do que está acontecendo, quero ler todas!