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05/Maio
CHRIS EVANS
— Chris, essa já é a terceira blusa. — Scott comenta, se jogando na beirada da minha cama com aquele olhar afiado de quem fareja confissão. As sobrancelhas dele se erguem, e tem algo entre a surpresa e a diversão no tom — Eu nunca te vi assim... Não está exagerando?
Não respondi. Principalmente porque não fazia ideia do que dizer. Ou pensar. Ou sentir. A verdade é que a noite anterior foi um inferno.
Virei na cama como se os lençóis fossem feitos de espinhos. O travesseiro trocou de lado três vezes. Tentei podcast, tentei música instrumental, tentei não pensar... falhei em tudo. A cada piscada, lá estava ela. Um sorriso meio torto, os olhos claros. Fechei os olhos e vi a Charlie. Abri, e ela ainda estava lá.
Agora, com o sol já furando pelas frestas da persiana, a ansiedade parecia um animal selvagem roendo meu estômago. O tempo não andava, engasgava. E cada vez que eu batia o olho no relógio, era como levar um soco invisível no peito. O coração acelerava sem motivo lógico, como se soubesse de algo que meu cérebro ainda tentava negar.
Trocar de blusa três vezes? Ridículo. Mas também inevitável.
Nada parecia certo. Uma estava muito arrumada. A outra, informal demais. A terceira... apertava no peito, como se o tecido soubesse que ali dentro estava uma bomba-relógio prestes a explodir. E ainda assim, nenhuma delas resolvia o problema real.
Eu, o cara que sempre teve tudo sob controle. Que sabia o que fazer, o que dizer, o que vestir. Agora travado por uma mulher que nem conhecia direito, mas que, de algum jeito, já tinha virado tempestade dentro de mim.
Tudo isso pra quê? Por alguns minutos com ela? Por uma chance mínima, remota, quase idiota de ver aquele sorriso ao vivo e não preso numa maldita tela?
O que eu estava fazendo?
Isso não era eu. Nunca fui o cara do impulso, do frio na barriga, do "vai que dá". Sempre calculei, pesei, planejei. E agora estava ali, diante do espelho, parecendo um adolescente desengonçado a poucos passos do baile. Trocando de roupa pela terceira vez. Passando a mão no cabelo a cada dez segundos. E o pior, consciente de quão ridículo tudo isso era... mas sem conseguir parar.
Eu, que sempre ri desse tipo de coisa. Eu, que julgava quem se perdia em alguém antes mesmo de conhecer o cheiro, o toque, os defeitos. E agora estava me jogando de cabeça numa piscina onde nem sabia se tinha água. Porque ela existia. E isso, por algum motivo, parecia suficiente.
— Eu só... — a voz saiu mais baixa do que eu queria, meio engolida pela confusão na garganta — ...te falei que é diferente.
Scott não respondeu de imediato. Só me olhou. Um olhar que parecia buscar algo por trás da minha fala, como se tentasse mapear o terreno emocional em que eu estava pisando sem saber se era terra firme ou areia movediça.
Ele soltou um suspiro curto, meio pensativo, meio cético.
— Mas não é cedo demais?
A pergunta veio como um tiro limpo. Sem drama. Sem julgamento. Só... verdade.
A mesma verdade que ecoava dentro de mim desde o momento em que decidi continuar com essa amizade — ou seja lá o que isso for — com a Charlie.
Eu sinto minhas falanges enrijecerem e preciso do dobro de esforço para fechar os botões da minha blusa. Sim, eu sei. Era muito cedo. Cedo demais. Mas não era isso que todos diziam para mim? Seguir em frente. Parecia um conselho clichê e estupido antes de conhecê-la, agora parecia algo alcançável.
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ALL WE HAVE [NOVA VERSÃO EM ANDAMENTO]
FanfictionUma distração. Uma colisão. Um celular perdido. Charlie Dean percebe que seu celular desapareceu após esbarrar em um estranho no aeroporto -rápido demais pra significar qualquer coisa. Ou assim ela pensava. Dias depois, o homem reaparece. Não pessoa...
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