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16/Maio
CHARLIE DEAN
Todo o nervosismo que sentia começava a se esvair do meu corpo à medida que o tempo passava... ou então foram as três doses de tequila que desceram direto pro meu sistema nervoso central como se tivessem sido feitas sob encomenda.
É, provavelmente foi a tequila. A maldita tinha gosto de erro e cheiro de alívio.
A essa altura, já passava das quatro da manhã, e o que ainda resistia de dignidade naquela festa tinha se escondido atrás do sofá. Meus amigos tinham ultrapassado todos os limites da compostura, alguns mais do que outros. Candice, por exemplo, já tinha subido no sofá pelo menos cinco vezes, sempre com alguma música servindo de trilha sonora para seus movimentos dramáticos de diva decadente. Diana, por outro lado, estava naquele limiar exato entre a alegria e o colapso. Ria sozinha de qualquer coisa, mas com apenas um dos olhos aberto, como se a realidade estivesse duplicada e ela tivesse feito um pacto com o universo pra focar em uma versão só.
O bar estava uma bagunça boa. Copos pela metade esquecidos em superfícies aleatórias da nossa mesa, cheiro de bebida e perfume adocicado impregnado no ar, e gente rindo alto por absolutamente nada.
E Chris? Chris parecia flutuar por entre o caos.
A presença dele, mesmo sem grandes gestos, preenchia o ambiente com aquela aura de "meu Deus, como é que esse homem existe?". Ele não era o centro da festa, mas era impossível ignorá-lo. E o mais bizarro era que ele parecia completamente à vontade. Não havia tensão no olhar, nem rigidez no corpo. Ele ria das piadas desconexas, respondia às perguntas aleatórias e ouvia pacientemente as histórias com buracos no meio que os bêbados insistiam em contar.
Por mais que estivesse em meio a um bando de desconhecidos, ele parecia se encaixar ali com uma naturalidade irritante. Quase como se fosse um de nós.
Ou como se sempre tivesse sido.
Não havíamos conversado tanto quanto eu gostaria. Toda vez que eu dava dois passos em direção a ele, alguém interceptava. Tive receio no início, do constrangimento, da superexposição, do julgamento, mas ele parecia sinceramente entretido. Ou no mínimo, gentil o bastante pra fingir que estava.
Enquanto metade das pessoas ali estavam tropeçando nas próprias palavras e pernas, Chris permanecia sóbrio. Literalmente. Bebericou no máximo duas cervejas a noite inteira e ainda assim estava mais sociável que todo mundo. Era ele e James, os dois únicos em pleno uso da razão. Um milagre, se tratando do meu irmão.
Observei tudo em volta como se estivesse dentro de uma bolha, a trilha sonora mudou pra alguma batida animada dos anos 2000, um grupo começou a gritar como se estivessem no meio de um show. Minha cabeça ainda estava leve, o corpo aquecido, e o coração... uma bagunça.
Chris riu de algo que James disse e passou a mão na barba num gesto distraído que me tirou da linha de raciocínio por uns cinco segundos. Ele virou o rosto brevemente, me pegando no flagra. Nossos olhares se cruzaram e ele ergueu um canto da boca, cúmplice, como se dissesse "sobrevivendo?".
Desviei o olhar, é claro. Óbvio. Porque é isso que eu faço quando fico nervosa enquanto estou bêbada, ajo como uma adolescente que não sabe o que fazer com as próprias mãos.
Balancei a cabeça levemente e respirei fundo. Estava tudo bem. Era só uma festa. Ele era só um convidado. Só um cara. Só o Chris. Certo? Na teoria.
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ALL WE HAVE [NOVA VERSÃO EM ANDAMENTO]
FanfictionUma distração. Uma colisão. Um celular perdido. Charlie Dean percebe que seu celular desapareceu após esbarrar em um estranho no aeroporto -rápido demais pra significar qualquer coisa. Ou assim ela pensava. Dias depois, o homem reaparece. Não pessoa...
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