1. The Beginning

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Há muito se fala sobre a primeira mulher de Adão, Lilith, expulsa do Paraíso por não desejar se submeter às vontades dele, o primeiro homem a habitar a Terra. E ela não poderia estar mais certa, afinal, havia sido criada da mesma forma que o marido e não seria inferiorizada por ser uma mulher. Revoltou-se e, ao tomar o nome de Deus em vão, foi expulsa do Éden.

Dois anjos foram enviados até Lilith, responsáveis por tentarem convencer a mulher a voltar ao Jardim. Obviamente, o convite não foi aceito, pois ela jamais se submeteria a qualquer ser criado à imagem e semelhança dEle assim como ela havia sido criada. Lilith foi então condenada a vagar pela Terra até o fim dos tempos, proibida de adentrar templos sagrados e se frustrando com amores que se mostravam rasos diante às idealizações que tinha.

E assim Lilith iniciou sua caminhada infinita, vagando por cidades, mares, terras e céus, por todos os tipos de solo e paisagens inimagináveis criadas por Ele. Em sua última parada, enquanto andava pelas águas rasas de uma lagoa que ainda não conhecia, os raios quentes de sol castigavam seus olhos esverdeados e sua pele, coberta somente por trapos do que antes era uma túnica branca.

Seus cabelos vermelhos feito fogo e longos até a altura dos quadris balançavam com o vento, sua pele beijada pelo sol estava ligeiramente à mostra e tinha calejadas as solas dos pés devido à longa caminhada. A água gelada da lagoa azul batia contra sua canela e refrescava a pele quente. Seus olhos estavam presos às pequenas ondas, formadas pelas fortes rajadas de vento, que quebravam contra suas pernas até que chegasse à beira do banco de areia.

Lilith ergueu os olhos e avistou um homem deitado. Vestia nada mais que uma túnica branca que contrastava contra a pele dourada. Tinha as pernas flexionadas e os músculos das coxas à mostra, assim como os dos braços, que estavam erguidos e as mãos cruzadas embaixo da cabeça. Suas partes íntimas estavam cobertas pelo tecido, deixando pouco à imaginação.

O rosto do rapaz estava sereno, seus olhos estavam fechados e a respiração calma, fazendo o peitoral subir e descer num ritmo compassado. Lilith o observou por um momento, aproximando-se com cautela enquanto tinha sua mente invadida por lembranças de todas as vezes que fora forçada a se submeter no Éden.

Mas aquele rapaz era diferente. Não tinha o rosto duro como o de Adão, sempre tensionado e, ainda que os olhos dele estivessem fechados, ela sentia que o que quer que estivesse por baixo daquelas pálpebras fechadas jamais a amedrontaria.

Lilith ajeitou os cabelos ruivos atrás das orelhas e se abaixou, tocando a pele bronzeada do rosto à sua frente. Escorregou a ponta dos dedos pela bochecha corada, seguindo pela linha marcada da mandíbula e embolou-os nos cachos longos que se espalhavam pela areia. O rapaz respirou fundo e piscou rapidamente, espantando o desconforto da luz do sol e se deparando com o rosto mais belo que já havia visto.

— Ao que devo a honra de ser acordado por tão bela criatura?

A mulher rapidamente afastou a mão, descansando-a em seu próprio peito.

Lilith perdeu o fôlego no momento em que os olhos do rapaz encontraram os seus. Eram tão verdes quanto a mais refinada e brilhante esmeralda e, quando que ele se apoiou em um dos cotovelos, os cachos levemente sujos de areia contornaram perfeitamente o seu rosto. Sua beleza era angelical.

— Sinto muitíssimo em atrapalhar seu sono, — disparou ela, levantando-se e dando alguns passos para trás. — Eu estava de passagem e...

— Se importa em me dizer seu nome? — O rapaz se levantou, batendo as mãos na túnica para tirar o excesso de areia grudada no tecido e, devagar, se aproximou dela.

— Lilith. — Ela engoliu em seco, agora dando pequenos passos na direção dele. — E o seu?

— Aschmedai.

Aschmedai | L.SOnde histórias criam vida. Descubra agora