CAPÍTULO 12: Adoração

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O restante da noite foi muito movimentada, havia entrevistas para serem dadas, programas a serem gravados, tudo naquela noite ainda. Mas assim que teve um tempo a sós com a filha, o pai de Rafaella tratou logo de expor o que estava em sua mente.

_ Eu sinceramente não sei o que você tinha na sua cabeça quando ficou com aquela menina, você estava indo bem e não precisava de romance nenhum para garantir sua permanência naquele programa. Pelo contrário, quem sabe se não tivesse se envolvido com ela talvez tivesse ganho em primeiro lugar. - ele disse tudo em um só folego, claramente estava entalado com tudo aquilo. _ Mas isso também não importa mais, você vai acabar com essa palhaçada o quanto antes. Vai dizer pra ela que foi um erro e vai falar nas entrevistas que se deixou levar pela carência de estar longe das pessoas que você ama. Você acha que esse envolvimento vai te levar onde? Você tem uma carreira, e agora é o seu melhor momento. Não pode colocar tudo a perder por essa vergonha.

_ Mas pai...

_ Não tem "mas" nenhum não, Rafaella. Você vai fazer o que tô falando e pronto. – o homem olhava para a filha de uma forma que nunca tinha olhado antes. Decepção? Nojo? Rafaella não sabia dizer ao certo. Mas naquele momento ela não o reconhecia como o pai amoroso que ele sempre foi.

_ Sebastião, acho que a Rafaella já tá grandinha o suficiente pra saber o que faz. Não esperávamos por isso, mas... – sua mãe tentou argumentar

_ Eu já disse e vou falar uma última vez, coloca um fim nisso. Se você quiser continuar fazendo parte dessa família...

_ Pai, não fala assim...

_ Se quiser continuar vendo sua sobrinha e seu afilhado, coloca um fim nisso.

_ O que? Renato, você concorda com isso? – a mulher estava desesperada com aquilo. Ela amava aquelas crianças, e fazia de tudo por eles.

_ Você não é assim, Rafa. Só precisa de um tempo pra colocar a cabeça no lugar. Faz o que o pai tá pedindo, e tudo vai voltar a ficar bem.

Rafaella encarou a família por um tempo, sem acreditar em tudo que estava acontecendo. Não esperava essa reação deles. Impedir ela de ver a sobrinha e o afilhado? Isso era um absurdo.

_ Mas a forma como eu me sinto sobre ela. – a mulher ainda tentou argumentar. _ Eu ainda sou a mesma pessoa, ainda sou a sua filha, pai. Só me apaixon... – antes que a mulher pudesse terminar a frase sentiu a mão pesada do pai acertar seu rosto.

Ela olhou pra ele absolutamente chocada. Desconhecia aquele homem na sua frente. Sem pensar duas vezes saiu do quarto apenas com o celular. Ela precisava de distância deles, e mais do que isso, sua mente naquele momento implorava por Bianca. Ela sabia que a mulher assim, como os outros Brothers estavam hospedados naquele hotel, bastava descobrir qual quarto.

Foi até a recepção e conseguiu o número do quarto da carioca. Se dirigiu até lá, ficou um tempo parada olhando para o número na porta. Talvez ela não devesse fazer aquilo, mas antes que ela pudesse pensar em bater ou em voltar, escutou a voz que ela tanto sentiu falta, logo ali atrás dela.

_ Tá me procurando? – Rafaella virou e encontrou Bianca sorrindo pra ela. – Tava no quarto da Flay, mas alguma coisa me dizia pra voltar. Minha intuição realmente nunca me deixa na mão.

Assim que Bianca conseguiu olhar direito para a outra mulher percebeu que ela não estava muito bem. Os olhos estavam vermelhos de chorar e um lado do rosto também estava muito vermelho.

_ Rafaella? Aconteceu alguma coisa? – Bianca disse se aproximando, carinhosamente segurando o lado do rosto que ainda estava vermelho pelo tapa.

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