Os dois estavam chegando quase juntos nos dormitórios. Haviam acabado de cruzar os portões, só mais alguns metros e alcançariam a porta de entrada do prédio da 2-A. Bakugou estava um pouco à frente e já cantava a vitória. Uraraka se esforçava em conseguir correr, mas estava bem cansada. Tão cansada que nem se deu conta de um buraco no chão, que fez seu tênis enroscar e ela tropeçar, resultando nela tentando se segurar na regata do garoto e caindo por cima das costas dele. O que resultou em um Bakugou caindo de cara no chão e bravo.
— Puta que te pariu, Cara Redonda — ele gritou, se apoiando nos cotovelos e virando a cabeça para olhá-la. — Não sabe perder, caralho?
— Não foi isso — ela resmungou. — Eu tropecei.
— Mas é burra, então! — Ele havia abaixado o tom de voz, mas ainda estava claramente bravo. — Vai ficar aí até quando?
— Ah, sim. Desculpa! Desculpa mesmo! — ela dizia, se levantando de cima dele.
— Desculpa o caralho! Presta atenção nessa merda! Tá com dois pés esquerdos, cacete? — ele perguntou, se virando e ficando sentado no chão.
Uraraka sorriu sem graça, murmurando mais um pedido de desculpas. Esticou uma mão para Bakugou, no intuito de ajudá-lo a se erguer, seu lado gentil falando sempre mais alto. Mas o garoto viu ali uma oportunidade. O loiro ergueu a mão, pegando firme a mão que a colega havia esticado. Sorriu sacana e, antes que pudesse perceber as intenções dele, a morena sentiu-se chocar contra o chão ao lado dele. Ouviu uma risada ecoar ao seu lado e sentou-se rapidamente.
— Nossa, engraçadão — ela resmungou, fazendo bico.
Bakugou riu mais ainda, de uma maneira que ele só achava ser capaz quando aprontava alguma coisa com seu squad.
— Idiota. — Ela deu um soco no braço dele, rindo junto.
O loiro parou de rir e a olhou por alguns instantes. Ela era a amiga daquele que considerava ser seu maior inimigo para chegar ao topo, mas não era de todo mal. Ela não ligava para os comentários maldosos dele, não sentia medo de lutar com ele e foi corajosa o suficiente de o desafiar para essa corrida de volta para os dormitórios. E ele jurava ter ouvido a risada dela ecoar pela sala quando estava estudando com Kirishima e o xingou por não prestar atenção direito nas matérias, no dia anterior.
— Anda logo, cara redonda. Já vai dar a hora do toque de recolher.
— Mais cinco minutinhos? — Ela tentou o convencer, fazendo bico.
— Então fica aí que eu tô indo — ele respondeu mal-humorado, se levantando.
— Ei, Bakugou-kun... — ela o chamou quando ele havia começado a andar. Ele a olhou impaciente, esperando que ela dissesse logo o que queria. Uraraka estendeu uma mão para ele, que virou as costas e voltou a andar. — Bakugou-kun! — ela chamou espantada. — Vai me deixar aqui depois de ter me puxado pro chão?
— E o que me garante que você não vai tentar o mesmo? — Ele se virou de novo pra ela, arqueando a sobrancelha e cruzando os braços.
— Tenho cara de quem faria isso?
— Com certeza.
— Estou ofendida e lisonjeada — ela respondeu rindo. — Fique sabendo que eu te faria flutuar, e não cair de cara no chão de novo. Mas eu não faria isso agora, prometo bem prometido.
O garoto a olhou incerto por alguns segundos. Ela não parecia ser do tipo que mente, isso já havia percebido antes mesmo desses onze dias de convivência. Uraraka ainda estava com a mão estendida, a balançando como se pedisse que ele viesse ajudar logo. Revirou os olhos e foi até ela, esticando a mão.
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Training days
Fiksi PenggemarUraraka queria fazer Midoriya prestar atenção nela, fazer com que ele viesse até ela. E para isso ela precisava se sentir no mesmo nível que ele. Precisava ficar ainda mais forte. E foi então que ela teve uma das ideias mais absurdas que já havia ti...
