O resto da noite de Bakugou foi basicamente ele brigando com os próprios pensamentos. Que porra de pegadinha escrota era aquela que seu próprio cérebro estava pregando em si? Depois do sonho perturbador, cada vez que ele fechava os olhos a cena lhe vinha na cabeça de novo. E de novo. E de novo. E de novo. E, caralho, de novo! O loiro, que já não era paciente, estava completamente puto. Até o ponto que ele simplesmente tacou o foda-se e se deixou levar, porque estava cansado demais e precisava dormir. E entre sonhos com a Uraraka e seus sonhos de costume, a noite passou e chegou a hora de ir pra aula.
Levantou devagar e foi se arrumar. Não estava afim de correr nesse dia, então fez tudo com calma e ainda ficou pronto cedo. Bateu na porta do Kirishima para o acordar e desceu após ouvir um resmungo lá de dentro.
Uma manhã tranquila, sem interrupções e sem aquele bando de idiotas. Eis um dos prazeres de ficar pronto cedo. Mas havia as suas desvantagens também, como quem você gostaria de evitar também acordar cedo e os dois acabarem sozinhos.
Assim que começou a comer seu café da manhã, Bakugou ouviu o elevador da ala feminina apitar. E claro que a sorte não estava ao seu lado e quem saiu de lá de dentro foi a morena que havia dominado seus sonhos. Ela vinha toda feliz e distraída, cantarolando qualquer merda que ele não reconhecia, até que o avistou e abriu um sorriso enorme. Ele quis se enfiar dentro da xícara de chá, pois a cena do seu sonho veio com intensidade total e dominou seus pensamentos.
— Bom dia, Bakugou-kun! — Uraraka passou por ele e foi pegar o próprio café da manhã.
Ele apenas assentiu com a cabeça, até porque era o que costumava fazer mesmo. Ela voltou pouco tempo depois e se sentou na frente dele.
— Não tem outro lugar pra você sentar, não? — ele resmungou, tentando disfarçar seu desconforto. — Tá tudo vazio, caralho!
— Não. — Ela deu de ombros. — Não quero sentar sozinha, gosto de ter companhia.
— Claro. — Ele revirou os olhos e voltou a focar no que comia, numa tentativa de afastar os pensamentos que lhe assombravam.
— O que faz aqui tão cedo?
— Tentando comer em paz.
— Além disso, eu quero dizer.
— Tentando não te explodir.
— Alguém acordou com o pé esquerdo hoje, ein. — Ela riu e ele tentou ignorar como soava irritante a risada dela logo pela manhã.
— Que seja. — Bakugou se levantou e foi para a pia deixar sua louça suja.
— Você já vai sair? Espera que eu vou com você! — E antes que ele pudesse protestar, Uraraka já estava correndo para a pia da cozinha e voltando. — Pronto!
A vontade de Bakugou era explodir aquele prédio todinho, de tanta raiva que já estava passando logo cedo. Garota grudenta, não se tocava que ele não queria companhia. Desde o primeiro dia que começaram a treinar que ela tá assim com ele. E ainda vai o caminho todo conversando, tentando criar um diálogo amigável.
E se já não fosse ruim suficiente, ele não se incomoda.
— E aí eu tava pensando em aprimorar meus golpes especiais, tipo aquele que eu usei na aula prática, sabe? Queria tentar alguns novos também.
Bakugou apenas assente com a cabeça, querendo dizer que está a ouvindo. Uraraka já está tão acostumada ao jeito dele que apenas continua a falar.
— Ainda mais porque nós vamos ter outra aula prática essa semana, né, então eu queria estar preparada. Acha que pode me ajudar com isso no treino de hoje? Quem sabe eu te faço flutuar de novo — Ela ri e se vira na direção dele, apenas para vê-lo acenando com a cabeça novamente. Uraraka franze o cenho, incomodada. — Não vai falar que vou te fazer flutuar o caralho?
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Training days
FanfictionUraraka queria fazer Midoriya prestar atenção nela, fazer com que ele viesse até ela. E para isso ela precisava se sentir no mesmo nível que ele. Precisava ficar ainda mais forte. E foi então que ela teve uma das ideias mais absurdas que já havia ti...
