Podia ver dali onde estava, a alegria em que estavam os noivos e suas respectivas famílias.
Sentia raiva demais pra ficar perto de qualquer um que estava ali.
Sua amiga sabia que algo estava errado e vinha caminhando lentamente em minha direção, arrancando suspiros de todos os homens por onde passava.
E por mais que meu corpo falasse que ela era incrível em seu rebolado e curvas, era como se eu a traísse em estar ficando excitado em ver seu corpo bem desenhado naquele vestido negro assim como a noite que nos rodeava.
Eu estava traindo a amizade que tinha com ela. Sim! E por isso que quando seu andar parou na minha frente, assim como seus olhos castanhos pousaram nos meus e olhei para algo qualquer, menos para aquele anjo que esta a minha frente.
Queria socar algo, além de mim mesmo, mas estava falhando miseravelmente no momento em que voltei a olhar sua fisionomia. Foi automático. Me virei de costas a ela e caminhei meio andando, meio correndo, indo pra longe de qualquer pessoa.
E mais automático ainda foi o primeiro soco. A parede ficou suja de sangue no mesmo momento.
Meu braço direito estava dormente. E foi o segundo soco. O terceiro. O quarto. O quinto... Até sentir alguém me abraçando por trás. Era ela. Seus seios tocavam as minhas costas sem atrapalhar o abraço.
Foi quando chorei. Chorei por ser idiota. Chorei por me apaixonar e ficar com outra pessoa. Chorei tudo. Chorei por estar chorando na frente dela. Chorei por ser um homem otário. Chorei como uma criança, mas sem emitir um som.
Me virei, e ela me abraçou de novo. Seus braços me puxando. Suas mãos passeando pelas minhas costas agora. E a abracei ela também. Para encontrar algum conforto que fosse nela, no seu abraço. E quando já estava me acostumando em ter ela em meus braços sem medo, ela saiu do abraço.
Foi o meu primeiro sorriso. Tênis. O tênis lilás não combinava em nada com o vestido. Mas estava lindo.
- O que aconteceu com você? _ meu sorriso desapareceu tão rápido quando veio _ Você estava bem ontem. A Lucy me falou que vocês estavam bem. E do nada eu recebo a mensagem dela dizendo que você terminou com ela por amar outra. Já é a quarta vez que você faz isso!
- Você não irá entender Vitória...
Seu olhar foi de mim pra alguma coisa em suas mãos, até voltar para mim de novo. Era estranho ver ela desconfortável com algo, sempre tranquila com tudo e todos.
- Me diz o que está acontecendo! Eu quero te ajudar, mas... Mas não consigo! Você me afasta na primeira oportunidade. Depois começa a namorar várias garotas, e quando penso que irão dá certo, que estou voltando a ser próxima de você. _ ela respira fundo como, como se para encontrar forças de dentro da alma junto com sua respiração _ Você simplesmente manda elas ir passear, e se afasta de mim. Sinto saudades de você. Mas, você só me afasta. O que eu te fiz de tão ruim, pra não me querer mais por perto? Pra não me dizer o que fiz? Pra não me falar o que está acontecendo?
- Me desculpa. Eu não queria. Eu não queria que as coisas tivessem acontecido desta forma.
Só dava pra ouvir o som das respirações pesadas entre eles. Ele já tinha aberto e fechado a boca tantas vezes, a procura de palavras que lhe ajudasse a fazer ela entender a sua dor.
Mas era tarde demais. O olhar dela dizia isso a ele no momento em que ela secou uma lágrima, e caminhou de volta a festa que acontecia bem perto dali.
Ele estava sim, completamente perdido em seus feitos. Tinha perdido sua melhor amiga, e também aquela que fazia acordar no meio da noite suado e sem fôlego.
Mas não podia estragar a festa! Por isso, fez questão de ir pegar um balde com sabão, lavar a parede, para depois com muito cuidado enfaixar as próprias mãos.
Colocou uma luva preta por cima, e saiu de encontro aos noivos, e pegar uma garrafa de vinho, antes é claro de ir embora para seu apartamento, afim, de beber uma taça na sua própria companhia e pensar em absolutamente nada.
E foi o que fez.
E fez o possível pra evitar olhar e o olhar dela.
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Entre Universos
Short StoryO universo de cada um é diferente, inclusive em suas mentes e almas. A luz e sombras, puritanismo e desejo, o sexo e a virgindade, a morte e a vida, tudo tem o oposto para se compôr.