IV

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Heitor - Tolinho, o amor não existe Camélio.

Camélio - Vosmicê pensa dessa maneira?

Heitor - Sim. Quando vosmicê for mais velho vai entender, tu és um menino ainda.

Camélio - Eu não sou um menino, já tenho 16 anos.

Heitor - Por isso mesmo, não sabe nada da vida. Vosmicê já transou?

Camélio - Claro que não! Está pensando o que de mim? Pergunto ofendido.

Heitor - Já beijou na boca pelo menos?

Camélio - Não. Nunca beijei ninguém, nem nunca se quer namorei.

Heitor - Ótimo, detestaria ter que me casar com alguém promíscuo.

Camélio - Quando nos casarmos nós teremos que...

Heitor - Transar? Sim  afinal eu serei seu marido seu dever é atender minhas necessidades,mas caso não queira também não irei lhe forçar a nada, mas não espere que eu seja fiel, sou homem e tenho as minhas necessidades.

Eu estava aliviado por não ser obrigado a ir pra cama com ele, mas a ideia de ser traído não me agradava, mesmo o casamento sendo por contrato, nós vivíamos em uma cidade pequena e logo todos saberiam das puladas de cerca do Heitor, na verdade não existia lado bom naquela história, talvez o único lado bom fosse os meus pais e o meu irmão não irem pra rua.

Heitor - Compreendeu tudo Camélio?

Camélio - Compreendi sim.

Heitor - Melhor entrarmos, já estamos a muito tempo aqui fora.

Nós entramos e algum tempo depois para o meu alívio os meus pais se despediram e nós pudemos ir pra casa.

Heitor - Até mais Camélio, nos vemos no dia do casamento.

Camélia - O que achou do seu noivo? Perguntou a minha mãe assim que chegamos em casa.

Camélio - Ele é muito diferente de mim mamãe, não temos nada a ver um com o outro.

Joaquim - Dizem que os opostos se atraem, talvez seja o caso seu e de seu noivo.

Camélio - Acho muito difícil papai.

Pedro - Sobre o que vocês conversam lá fora?

Camélio - Sobre...sobre como seria quando nos casassemos, ele me disse que não me forçaria a nada.

Camélia - Amor, será que vosmicê e o Pedro poderiam deixar Camélio e eu conversando a sós por favor?

Joaquim - Claro, vamos meu filho. Disse saindo da sala acompanhado do Pedro.

Camélia - Como foi essa conversa de vocês? Perguntou preocupada.

Camélio - Nós estávamos conversando sobre como seria depois que nos casassemos e eu perguntei se nós teríamos que...que ir pra cama depois de nos casarmos.

Camélia - Que pergunta tola filho. O que ele te  respondeu?

Camélio - Ele disse que teríamos sim, mas que se eu não quisesse não iria me obrigar.

Camélia - Simples assim?

Camélio - Ele também disse que caso eu não quisesse ele não iria me forçar, mas que iria procurar por outras na rua, pois ele tem as necessidades dele.

Camélia - Olha filho...eu fico feliz que esse rapaz não queira te forçar a nada, mas pelo bem do seu casamento você deveria.

Camélio - Deveria o que?

Camélia - Escuta filho, os homens são movidos a sexo, mas o que os mantém é uma estabilidade de um lar, se ele tiver os dois vosmicê provavelmente terá um casamento feliz e mais pra frente virão os filhos e esse rapaz irá acabar mudando.

Camélio - A senhora está dizendo que eu devo me deitar com ele mesmo não querendo?

Camélia - Filho, esse casamento não é da sua vontade, eu sei, mas não tem mais jeito, você pode viver um casamento infeliz de faixada ou pode tentar fazer com que tudo dê certo e que seu casamento se torne verdadeiro com o tempo.

Camélio - Não sei mamãe. Digo me levantando do sofá.

Camélia - Eu estou falando tudo isso para o seu bem filho, eu sou mais velha, sei como o mundo funciona.

Camélio - Tudo isso é muito injusto, pros homens é tudo tão mais fácil, as vezes eu acho que ter um útero é uma maldição.

Os dias foram se passando e minha mãe e a dona Virgínia estavam acertando todos os detalhes do casamento que seria na Igreja De Nossa Senhora De Aparecida que era a santa padroeira da nossa cidade e a festa seria no jardim da casa dos meus sogros, Heitor e eu teríamos três dias de lua de mel no litoral e depois disso iríamos morar na casa que o senhor Lázaro havia comprado, a única coisa boa dessa união será poder conviver com a Sophia, pois eu havia gostado muito da pequena garotinha.

Quando chegou o dia do casamento eu vesti um terno branco que era muito bonito e foi feito sobre medida pra mim e fui até a igreja de charrete com o meu pai.

Joaquim - É agora filho. Preparado? Perguntou assim que paramos em frente a enorme igreja.

Camélio - Acho que sim.

E assim eu desci da charrete e entrei na igreja de braços dados com o meu pai caminhando para um futuro ainda desconhecido pra mim.





             Continua...

E aí bebês, espero que tenham gostado. Digam aí nos comentários o que acharam do capítulo e se puderem deixem o sei voto também.

Beijão a todos e até breve.

😘😘😘

CamélioOnde histórias criam vida. Descubra agora