Liu Kang, agora deus do fogo e do trovão observava o prédio vazio e silencioso, as fragatas haviam acabado de partir e sabia que as coisas voltariam a sua ordem. Realmente seria uma vida solitária ali sem companhia, já havia passado por tanto, talvez pudesse mesmo fazer o que o casal havia lhe dito, um leve medo instalou-se em seu coração.... Ela podia odiá-lo como a corrompida odiava, culpá-lo pela vida miserável de morte. Passou pelo menos dois dias pensando enquanto cuidava do que havia para fazer naquela pequena ilha, foi então que decidiu definitivamente o que fazer.
A pele de Kitana ainda era acinzentada, feia, seus cabelos ainda estavam bem presos nos dois pompons e as roupas eram brancas no desing da titã. Liu respirou fundo, concentrando aquela magia nova ao redor do corpo dela, as areias.... Concentrava seus pensamentos em lembranças boas, momentos bons que puderam compartilhar nas duas linhas, na esperança de que os outros dois estivessem vivendo bem e podendo revelar todos aqueles sentimentos ao mundo. Ela respirou pela primeira vez em muito tempo, o coração voltando a pulsar no peito, o sangue trazendo cor à pele, suas mãos tremiam e ela parou para olhá-las.
− Liu? – Kitana questionou, ele a olhava ainda apreensivo, mas se surpreendeu com o sorriso alegre dela e com o abraço caloroso que recebeu. Mal podia acreditar.
− Você.... Se lembra do que houve? – Perguntou, afastaram-se, ela assentiu. – De tudo?
− Você me salvou, Sindel me matou, fomos para o submundo, viramos imperadores, Kronika bagunçou tudo, Shao Kahn me matou. – Resumiu, lágrimas vieram aos seus olhos. – Não quis dizer que te odiava. Sei que eu dizia o tempo todo, mas eu não queria dizer eu.... – Tentava se explicar.
− Eu sei, nossos ódios nos moviam, nossos rancores. – Ele disse calmo a olhando. – Me perdoe, me perdoe por não ter chegado mais cedo naquele dia, por não ter te salvado. Por ter deixado viver aquela vida miserável e..... Não a ter salvo dele. – Pediu quase desesperado, seus olhos estavam marejados.
− Salvou agora. – Sorriu abraçando-o de novo, não resistiu em beijá-lo finalmente e foi correspondida, um beijo doce, calmo. – Não me importa poder nenhum, trono nenhum, reino nenhum.... Tudo o que eu quero é estar com você. – Sussurrou.
− Obrigado, obrigado. – Liu dizia grato a abraçando com firmeza, a amava tanto, em cada uma das versões a amava tanto. E talvez por estar em contato com a ampulheta sentia aquele peso maior.
− Não preciso perguntar, mas.... Por que me trouxe? – Curiosa.
− Não queria ficar só aqui.... É um lugar quase impossível de se chegar, então eu não teria companhia, fora que....
− Nós na outra linha. – Ela acabou rindo. – Como estão? – O olhou.
− Bom, Kitana é Kahn da Exoterra, isso não mudou, faz dois dias que partiram. E o meu eu ficou para ajudá-la, mas.... – Riu.
− Mas? – Quase inquieta.
− Acho que ele não vai voltar para casa nunca mais. – Liu respondeu, os dois riram.
− Isso é ótimo. Não devemos atrapalhar, não é? Viver nossas vidas, sem contar o que seria, ou o que é. – Séria.
− Não, mas nada nos impede se ir passear por aí de vez em quando. – Sorriu.
− Seria ótimo, mas você chama muita atenção agora. – Disse passando a mão nos cabelos platinados dele. Os dois se fitaram por um momento e beijaram-se outra vez, matando todo aquele desejo, toda aquela saudade.
Templo do Céu, presente.
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Estilhaços
FanfictionCompletamente deprimida e reclusa depois da última batalha que se sucedeu, Kitana não vê mais esperanças na terra que chama de lar nem em seu povo, por insistência dos amigos ela concorda em passar um tempo no Plano Terreno para espairecer e colocar...
