10 - O Despertar e a Colisão

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Billie narrando

   Já chegamos ao sexto dia de internação. Como o médico avisou, o corpo da Lexi sofreu traumas demais e precisava de tempo para se reconstruir. Faz seis dias que não sei o que é comer ou dormir de verdade. Meus pais praticamente me arrastaram para casa após cinco noites em claro; o próprio Dr. Pageski ameaçou me proibir de entrar se eu não ficasse pelo menos cinco horas longe daquele hospital.
   Além do cansaço, estamos lidando com um caos jurídico. Uma enfermeira vazou fotos da Lexi no segundo dia. Minha primeira reação foi querer transferi-la, mas os fãs estão lá fora, criando um mar de flores e mensagens. Sinto que essa energia, de alguma forma, chega até ela.
   No banho, enquanto a água quente batia nas minhas costas, decidi separar algumas roupas dela. Quando ela acordasse — porque ela ia acordar —, não ia querer ficar naquele avental hospitalar ridículo. Fiquei andando de um lado para o outro no quarto, esperando a hora de voltar, quando meu celular vibrou. Lauren.

— Alô? — atendi, ouvindo um barulho confuso ao fundo. Minha respiração travou.

— Billie, vem para cá agora! — A voz dela estava acelerada, urgente.

— O que aconteceu? — já estava pegando as chaves e a bolsa de roupas, o coração disparando contra as costelas.

— Só corre, por favor! Vem logo!

   Desliguei e voei para o hospital. Furei sinais, ignorei radares, quase bati o carro. O medo era um gosto amargo na minha boca. Estacionei de qualquer jeito e atravessei o cordão de isolamento dos fãs. Ao escancarar a porta do quarto, vi meus pais chorando e Lauren com o rosto inchado. Meu corpo fraquejou.

— O que aconteceu? — perguntei com um fio de voz, o nó na garganta impedindo qualquer outra palavra. O pior pensamento do mundo se instalou na minha mente.

   Finneas gesticulou para que eu entrasse. Eu hesitei, apavorada, mas entrei. Lexi parecia bem... até demais. Aproximei-me da cama, procurando o motivo daquele desespero coletivo quando, de repente:

— BUH!

   Lexi abriu os olhos de um salto, rindo da minha cara. Minhas pernas vacilaram de verdade. Meus pais agora sorriam largo.

— Mereço um abraço? — ela perguntou, com aquele sorriso que eu achei que nunca mais veria.

— Você é uma idiota! — disparei, vendo a confusão no rosto de todos. — Eu achei que você estava morrendo! Não faz isso comigo, caralho!
Mas eu estava sorrindo também. Pulei em cima dela, enterrando meu rosto em seu pescoço.

— Eu amo você, O’Connell — ela sussurrou no meu ouvido.

— BILLIE! — minha mãe gritou, me assustando. Levantei o tronco, apoiando o cotovelo sem querer no peito da Lexi, que soltou um gemido de dor.

— Ai meu Deus! Desculpa! — saí de cima dela rápido.

— Filha, eu sei que é emocionante — meu pai disse, tentando manter a calma —, mas, por favor, não arranque os acessos dela...

   Olhei para o braço da Lexi. Minha mãe estava pressionando a veia onde uma agulha tinha acabado de ser arrancada pelo meu abraço desajeitado.

— Tudo bem — Lexi riu, mesmo com dor. — Foi o melhor abraço da vida. Tirando a parte que eu parei de respirar e perdi uma agulha, foi tipo um reencontro de cinema.

  Sentei ao lado dela, segurando sua mão. De repente, ela arregalou os olhos, em pânico:

— CADÊ MEU ANEL? O da palheta!

— Alexia, quieta! Compramos outro depois! — minha mãe ralhou, mas eu sorri e tirei o anel do bolso, deslizando-o pelo dedo dela.

— Tenho uma coisa para você... — anunciei.

come back to me...Onde histórias criam vida. Descubra agora