O silêncio que se seguiu ao sumiço dos passos de Lauren era ensurdecedor, um vazio que parecia ecoar contra as árvores altas do parque.
Eu estava ali, parada no meio do nada, sentindo o vento frio da noite castigar meu rosto. A venda, que antes bloqueava minha visão, agora estava amassada na minha mão — um pedaço de pano inútil diante da imensidão escura. À minha frente, uma tela branca gigante permanecia estática, como um fantasma monumental vigiando a madrugada.
— Lexi? — chamei. Minha voz saiu pequena, um sussurro que o vento tratou de levar embora.
Eu estava furiosa. Nas últimas trinta horas, minha mente havia construído labirintos de agonia. Imaginei Lexi em um hotel com a Camila, imaginei que meu papel em sua vida tinha sido apenas o de um passatempo de hospital, uma muleta emocional para sua recuperação. A tela rachada do meu celular no bolso, fruto de um arremesso contra a parede em um momento de desespero, era o lembrete físico do meu colapso. Eu queria gritar, queria correr para longe, mas meus pés pareciam fundidos ao chão de pedra.
De repente, um estalo de eletricidade cortou o ar.
A tela branca ganhou vida, mas não com uma luz comum. Era uma projeção de altíssima definição que cortava a escuridão com cores vibrantes. A primeira imagem me fez perder o fôlego. Era um vídeo caseiro, gravado de um ângulo baixo, provavelmente do colo de alguém. Era eu. Eu estava dormindo na poltrona desconfortável do hospital, com a cabeça pendida para o lado, segurando a mão de Lexi com tanta força que meus nós dos dedos estavam brancos, mesmo na inconsciência do sono.
— "Ela não solta... nem dormindo ela me solta" — a voz de Lexi ecoou pelos alto-falantes escondidos. Era um sussurro gravado, possivelmente no dia em que ela acordou do coma, enquanto eu ainda apagava de exaustão ao seu lado.
O vídeo mudou drasticamente. Começaram a surgir clipes curtos de nós duas em Miami, de pelo menos dois anos atrás. Eram momentos que eu nem sabia que ela tinha registrado. Nós ríamos na cozinha enquanto tentávamos fazer um bolo que claramente terminaria em desastre; eu cantava baixinho no banco do passageiro enquanto o sol se punha; Lexi me olhava através do espelho do banheiro com um brilho que dizia mais do que qualquer confissão verbal.
As lágrimas, que eu vinha segurando com garras de ferro, começaram a transbordar, quentes e insistentes.
— "Eu passei muito tempo tentando entender por que o mundo parecia tão cinza sem você" — a narração de Lexi continuava, sobreposta às imagens de nossas viagens. — "Eu achei que o brilho era meu, Billie. Achei que eu era a estrela. Mas no coma, na escuridão, eu percebi que você era o sol. Eu era apenas a lua, refletindo a sua luz. E sem o sol, a lua desaparece."
A montagem acelerou, mostrando fotos de quatro anos atrás, o início de tudo.
— "Desde o dia em que nos conhecemos, nunca fomos apenas amigas. No primeiro momento em que olhei nos seus olhos, eu já sabia que seria com você que eu passaria o resto da vida. Quatro anos depois, você me pediu em namoro... e meu Deus, Billie, você foi péssima nisso!"
Eu ri em meio ao choro quando a tela mostrou uma foto minha com cara de tonta, entregando flores para ela no nosso primeiro aniversário, enquanto ela fazia um bico por não ter ganhado chocolate.
— "Mas eu aceitei porque, sendo péssima ou não em demonstrar sentimentos, eu te amava. Nosso namoro durou quase três anos, mas cada dia era como o primeiro. Do seu lado eu aprendi tudo. Na verdade, aprendemos juntas, certo?"
Eu assenti para a tela, como se ela pudesse me ver. A voz dela era onipresente, vindo de algum lugar que eu não conseguia localizar no meio daquela cenografia mágica.
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come back to me...
ФанфикшнBillie e Alexia tiveram uma história juntas. Não se sabe ao certo quando tudo desmoronou entre elas, mas a vida de Alexia com certeza chegaria ao fim se Billie não voltasse para impedir. A única questão em aberto é: será que ela chegou a tempo para...
