9- Entre o Pânico e a Esperança

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Billie narrando

— Vem, temos que ir para casa e mudar suas coisas de quarto! — Levantei-me, segurando a mão da minha garota, e dei de cara com três pares de olhos arregalados nos encarando. — Olha só quem está namorando! — apontei para Lexi com um sorriso radiante. Mas, ao vê-la negar com a cabeça, meu sorriso morreu instantaneamente.

— Só vamos estar namorando quando eu comprar nossas alianças! — rebateu ela. Tive vontade de socar aquela imbecil.

— Vai tomar no seu cu, Alexia! — retruquei, e ela riu da minha cara. — Tá namorando sim. Com ou sem aliança, esse dedo vai entrar em você do mesmo jeito...

O comentário fez Lexi e os outros arregalarem os olhos. Ela mudou de postura na hora, animada:

— Eu tô namorando, gente!

Eu sorri vitoriosa e a abracei apertado.

— Minha pessoa preferida no mundo voltou para a família! — Finneas comemorou, empurrando-me de leve para abraçar Lexi. Claudia deu um tapa no braço dele, e ele se defendeu: — Desculpa, amor, mas ela é o meu xodó.

Ele voltou a esmagar Lexi em um abraço, e ela começou a rir sem parar. Caralho, como isso é incrível... Minha namorada.

— Depois me conta se dormir no sofá é ruim! — provoquei meu irmão. Lauren e Claudia riram enquanto Lexi apenas negava com a cabeça, divertida.

— Já que vou mudar de quarto, você pode ficar no meu! — Lexi comentou, mas o clima leve foi interrompido por Lauren, que se enfiou entre eles.

— Tá tudo lindo, estou super feliz pelo "antigo-novo-ex-atual" casal, mas podemos ir embora? Quero um banho quente e cobertas. Esse parque é no meio do nada, tem um lago aqui do lado e está frio para um caralho!

Comecei a rir do desespero dela, mas o riso travou na garganta. Lexi ficou pálida de repente, cambaleando e se apoiando em Finneas.

— Lexi? — Chamei, sentindo um frio na espinha.
Ela começou a vomitar violentamente enquanto meu irmão tentava sustentar seu corpo.

Aproximei-me, segurando o cabelo dela.

— Ei, o que está acontecendo?

Ela sinalizou para Finneas soltá-la, mas, assim que ele afrouxou o toque, ela quase desabou. O pânico subiu pela minha garganta.

— Lauren, que merda está acontecendo?!

Lauren já estava com o celular no ouvido.

— Preciso de uma ambulância! — gritou, os olhos transbordando pânico. — Onde estamos?

— Fala que estamos de carro e vamos encontrá-los perto da cafeteria Labouch! — instruí. Lauren passou as informações e desligou, ofegante. —Amor, olha para mim... — pedi, vendo que ela parara de vomitar. Finneas estava apavorado.

— Ela está ficando pesada! E gelada, caralho! — Ele a mantinha em pé. Levantei o rosto dela e meu coração parou: seus lábios e o contorno dos olhos estavam ganhando um tom arroxeado, quase escuro.

— LEVA ELA PRO CARRO! — gritei.

Meu irmão a pegou no colo e corremos. Lauren assumiu o volante, Claudia foi no passageiro, e Finneas entrou atrás segurando Lexi. Eu bati a porta e me joguei ao lado dela.

— Lexi? Olha para mim... Por favor, acorda... — implorei, segurando seu rosto sem vida. Ela não reagia. O rosto dela perdia o calor a cada segundo.
O som das sirenes cortou o ar quando Lauren parou o carro bruscamente. Saímos carregando-a, e os paramédicos agiram como máquinas: deitaram-na na maca e iniciaram a massagem cardíaca ali mesmo.

— Eu vou junto! — anunciei, subindo na ambulância.

As portas se fecharam, isolando o mundo lá fora. O barulho da sirene era ensurdecedor lá dentro.

— Precisa se afastar agora! — a paramédica ordenou, me segurando.

Eu desabei em choro quando vi o corpo de Lexi saltar na maca sob a descarga elétrica do desfibrilador.

— Mais uma! — o paramédico gritou. Tudo ficou em câmera lenta. Duas, três descargas... Na última, os olhos de Lexi se abriram. — Acalma ela!

Aproximei-me para que ela visse meu rosto. Ela esboçou um sorriso fraco e segurou minha mão. Estava gelada como gelo.

— Não faz isso comigo... não me assusta assim... — pedi entre soluços.

Ela soltou minha mão por um segundo, tentando tirar a máscara de oxigênio. Seus lábios se moveram.

— O quê? — me inclinei.

— Eu te amo... — sussurrou. A ambulância parou. As portas se escancararam para o hospital. — Desculpa...

Seus olhos fecharam novamente. O caos recomeçou. Uma paramédica subiu em cima da maca para continuar a massagem manual enquanto corriam pelo corredor. Finneas me segurou quando tentei segui-los para a área restrita.

— ME SOLTA, FINNEAS! — gritei, me debatendo. — Me solta, por favor...

Ele me carregou até uma cadeira na recepção e segurou meu rosto com força.

— Deixa eles cuidarem dela, Billie! Você lá dentro só vai atrapalhar. Ela vai ficar bem, está me ouvindo?

Assenti, embora meu peito parecesse estar sendo esmagado. O tempo perdeu o sentido. Minha mãe chegou, me abraçou, e eu apenas desabei.

— Ela se despediu de mim, mãe... — eu repetia, como um mantra de terror.

O Diagnóstico e a Espera...

Após o que pareceram dias, o Dr. Pageski apareceu.

— Família de Alexia Foster? — Ele explicou que trataram a abstinência e tiveram que reanimá-la duas vezes. O choque veio quando Lauren admitiu que a última crise tinha sido na noite anterior. Senti um misto de raiva e incredulidade.— O indicado é mantê-la 48 horas em coma induzido para o corpo se recuperar — explicou o médico.
Ao entrar no quarto, a visão era devastadora: Lexi estava cercada por fios e máquinas. Sentei ao lado dela, sentindo sua mão um pouco mais quente. Meus pais tentaram me convencer a ir para casa, mas eu não sairia dali por nada.

— Eu vou ficar — decretei.

A noite passou em um borrão de cheiro de hospital e bipes de aparelhos. Acordei com minha mãe me balançando gentilmente. Os médicos estavam fazendo a rotina de checagem. Finneas trouxe roupas limpas e um café que eu mal toquei. No banheiro, enquanto me trocava, o filme da noite anterior passava em looping na minha cabeça. O som do choque, o "eu te amo", o "desculpa". Ao tirar o moletom, algo caiu no chão com um estalo metálico: o anel com a palheta que eu tinha dado a ela. Peguei-o como se fosse um tesouro. Ao voltar para o quarto, Lauren me chamou para fora. Ela tentou me convencer a descansar, lembrando que Lexi já tinha passado por crises longas antes.

— Eu nunca vi ela nem sequer ter um resfriado, Lauren... — desabafei, sentada no chão do corredor. — Parece que, se uma coisa boa acontece, dez ruins vêm logo atrás. Estávamos rindo e, de repente, ela está em uma cama cheia de furos e fios.

— Billie, eu já estive no seu lugar — Lauren disse, confortando-me. — Mas eu nunca vi a Lexi tão determinada a sair dessa vida. E ela fez isso por você. Ela só precisa que você esteja bem para recebê-la.

Voltamos para o quarto. Finneas, sempre tentando quebrar o gelo, jurava que ela tinha apertado sua mão.

— Cara, como ela consegue ficar bonita até em coma? — Lauren brincou, observando Lexi. — Já viu a tatuagem que ela tem na nuca?

— Ainda não vi nenhuma direito.

— Quando ela acordar... peça para ver. Você vai gostar. Ela fez três tatuagens que são as mais importantes. Acho que você vai entender o porquê.

Lauren ficou inquieta com o celular e saiu com Finneas para buscar algo para beber. Fiquei sozinha com ela. Aproximei-me, acariciando seu rosto, sentindo o peso do silêncio do quarto.

— Você é uma idiota, sabia? — sussurrei. — Voltou comigo e, meia hora depois, me faz acreditar que ia morrer. Mas eu te perdoo. Só quero que saiba que eu estou aqui. Eu não vou a lugar nenhum.

come back to me...Histórias para pegar e não largar. Descubra agora