— Não fica brava... — sussurrei, deixando um beijo na testa de Billie. Ela se mexeu levemente, mas continuou submersa no sono. Saí do quarto na ponta dos pés, encontrando Finneas já no corredor. Ele vestia a jaqueta em silêncio, conferindo se Claudia ainda dormia antes de fechar a porta.
Fui até o outro quarto, peguei meu celular e o carregador. Precisávamos de um álibi e de um veículo.
— Seus pais já acordaram? — perguntei baixo. Finneas deu de ombros, incerto. Batemos na porta do quarto deles e entramos com cautela. Maggie e Patrick já estavam sentados na cama, conversando.
— Bom dia, querida! — Maggie sorriu de orelha a orelha, me deixando instantaneamente sem jeito por ter entrado sem avisar. — Aconteceu alguma coisa?
— Bom dia... na verdade, eu queria pedir o carro emprestado. Prometo tomar cuidado. — Olhei para Patrick, que mantinha uma expressão serena.
— É para aquilo que conversamos no hospital? — ele perguntou. Assenti. Ele sorriu e apontou para a saída. — As chaves estão na cozinha e o tanque está cheio. Só me avisem quando forem voltar para não ficarmos preocupados.
Saímos sob o olhar atento de Maggie. Ela nos conhece bem demais; dava para ver em seus olhos que ela sabia que estávamos tramando algo. No pé da escada, Lauren apareceu, nos dando um susto.
— Por que acordaram tão cedo? — questionou, desconfiada.
— Vamos fazer uma surpresa para as meninas. Finge que não sabe de nada, depois eu ligo — expliquei rápido, escapando pela porta.
Já no carro, Finneas parecia uma pilha de nervos.
— Lexi, elas vão nos matar.
— A Lauren vai inventar algo convincente — respondi, tentando manter o otimismo enquanto via a paisagem passar borrada pela janela.
— Mas vamos passar o dia todo fora, Lexi! A Billie queria sair com você hoje. Ela vai ficar uma fera achando que você não liga para a surpresa dela.
— Eu quero fazer tudo lá no parque — expliquei, ignorando o protesto dele. — Foi onde nos beijamos pela primeira vez, onde dissemos "eu te amo", onde fomos felizes antes do caos... e onde voltamos. Todos os nossos marcos são lá. Quero que seja perfeito, como da primeira vez.
Finneas soltou uma risadinha de canto.
— Já te disseram que você é um clichê ambulante?
— Sou mesmo — admiti, sorrindo.
Levamos quarenta minutos para chegar ao estúdio de Julia, uma das minhas melhores amigas de colégio e a responsável por quase todas as minhas tatuagens. Após as apresentações e algumas piadas sobre o namoro "em cima da roda-gigante" da Billie, começamos o trabalho.
Escolhi tatuar na costela. A dor era aguda, mas familiar. Eu estava concentrada no desenho quando vi Finneas se afastar com o celular na mão. O rosto dele ficou pálido. Ele colocou no viva-voz e se aproximou.
~ Ligação On ~
— Oi, Bill! — Finneas tentou soar casual.
— Oi... você sabe da Lexi? — A voz dela estava trêmula. Meu peito apertou na hora.
— Sim, ela está resolvendo umas coisas. Estou esperando no carro.
— Pede para ela voltar logo? Eu preciso ver ela! — Billie soltou um soluço baixo do outro lado. O som me destruiu.
— O que aconteceu? — Finneas perguntou, me olhando preocupado.
— Nada... só pede para ela voltar. Eu preciso muito falar com ela. Vou estar no estúdio aqui de casa. Pede para ela descer quando chegarem.
Ela desligou antes que ele pudesse responder.
~Ligação off~
— Vamos logo! — Eu já estava tentando levantar da maca, mas Finneas me segurou.
— Termina isso. Vou ligar para ela e tentar acalmar as coisas. Se pararmos agora, estragamos tudo.
Peguei o celular e liguei para ela. No segundo toque, ela atendeu.
~ Ligação On ~
— Por que saiu sem me avisar? — O tom dela era uma mistura de mágoa e raiva.
— Amor, eu só não quis te acordar... por que você está chorando?
— PORQUE DA ÚLTIMA VEZ QUE ACORDEI E VOCÊ NÃO ESTAVA NA CAMA, VOCÊ TINHA IDO EMBORA, ALEXIA! — Ela gritou, e o som doeu mais que a agulha na minha costela.
— Eu não fui embora, Bill. Por favor, não chora.
— Onde você está?
— No parque. Precisava pensar um pouco... ficar sozinha depois da conversa de ontem — menti, sentindo um gosto amargo na boca.
— Achei que você estivesse bem. Por que não falou comigo? Eu estou indo aí!
— Não! Amor, eu preciso fazer isso sozinha. Não vem para cá.
Houve um silêncio pesado.
— Por que precisava pensar sobre aquela conversa? — Ela perguntou, agora sem emoção nenhuma na voz.
— Billie, eu só preciso de tempo. Mais tarde nos falamos, ok?
— Tá... claro.
~ Ligação Off ~
Passamos oito horas no estúdio. Eu queria terminar tudo em uma única sessão. Billie ligou várias vezes, mas eu não atendi; sabia que se ouvisse a voz dela de novo, eu desistiria de tudo para voltar.
Finneas e eu decidimos dormir em um hotel próximo para organizar a decoração do parque no dia seguinte. Era um pedido duplo: eu pediria a Billie em namoro oficialmente, e ele pediria a Claudia em noivado. Enquanto ele fazia o check-in, liguei para Lauren.
~ Ligação On ~
— Alô? Lauren?
— Lexi? Fala rápido. A Billie acha que você se "isolou" do mundo.
— Como ela está?
— Ela quebrou o quarto todo, Lexi. Depois se trancou no estúdio. Não vejo ela há horas.
— O quê? Por que ela quebrou o quarto?
— Ela conversou com a Claudia sobre a conversa de vocês sobre a Camila... e adivinha? A Camila anunciou hoje que está na cidade para divulgar o álbum. A Billie descobriu isso pouco antes de você ligar dizendo que "precisava de um tempo sozinha".
Meu sangue gelou.
— Ela acha que eu estou com a Camila?
— O que você acha? Você abre o jogo sobre seus sentimentos do passado e, no dia seguinte, some e diz que quer ficar sozinha justo quando a ex-peguete aparece na cidade? Lexi, você foi muito burra.
— Porra, Lauren! Eu nem sabia que ela estava aqui! Eu não abro uma rede social desde antes do coma! Agiliza as coisas aí, tenta acalmar ela. Não quero que, na hora que eu estiver lá igual uma palhaça pedindo ela em namoro, ela quebre a minha cara na frente de todo mundo.
— Relaxa. A gente cuida dela. Que horas no parque amanhã?
— Às nove. Não deixa ela desconfiar.
~Ligação-off ~
Desliguei o celular sentindo o peso do mundo nos ombros. No saguão do hotel, um grupo de fãs me parou. Mesmo exausta e com a cabeça explodindo, tirei fotos e dei atenção. Ver o brilho nos olhos delas me lembrou por que eu precisava ser forte.
Subimos para o quarto. Finneas e eu nos jogamos nas camas de solteiro, derrotados.
— Amanhã, quando ela vir tudo o que você preparou, ela vai entender — Finneas tentou me consolar. — Ela está no estúdio, deve estar compondo para distrair a cabeça.
— Espero que sim — suspirei, fechando os olhos.
Dormi sentindo o ardor da tatuagem nova e o aperto no coração. Billie rondou meus pensamentos até o último segundo. Eu só conseguia rezar para que, na manhã seguinte, o amor dela fosse maior que a insegurança.
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come back to me...
FanfictionBillie e Alexia tiveram uma história juntas. Não se sabe ao certo quando tudo desmoronou entre elas, mas a vida de Alexia com certeza chegaria ao fim se Billie não voltasse para impedir. A única questão em aberto é: será que ela chegou a tempo para...
