11 - Entre a Luz e as Sombras

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— Está pronta? — Billie perguntou, entrando no quarto. Assenti, terminando de amarrar o tênis.

— Mais ou menos... — Respirei fundo. Ela se aproximou, preocupada.

— Você não precisa fazer isso agora, Lexi.

— Preciso sim. Por eles — respondi. Ela sorriu, colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e me deu um selinho. Saímos de mãos dadas.

   No corredor, encontramos Maggie.

— Prontas para ir para casa? — ela perguntou, sorridente.

— Quero sair pela frente — anunciei, surpreendendo a todos. — Eles estão há dias ali fora. É o mínimo que posso fazer.

   Finneas explicou que a família esperaria no carro para evitar o alvoroço sobre mim e Billie, mas Lauren iria comigo.

— Boa sorte, amor — Billie sussurrou no meu ouvido, deixando um beijo no meu rosto.
Assim que os seguranças abriram as portas, o som foi ensurdecedor. Gritos, flashes e, de repente, um coro: eles estavam cantando minha última música. Havia pelo menos quarenta pessoas ali. Pedi para os seguranças se afastarem. No início, foi caótico; todos queriam um pedaço de mim, um abraço, um toque. Senti alguns arranhões no meio do desespero deles, mas Lauren logo tomou as rédeas.

— PESSOAL! A Lexi vai dar atenção a todos, mas preciso que se acalmem e sejam delicados! — ela gritou.

   O silêncio se instalou. Comecei a abraçar um por um, agradecendo. Parei ao ver uma menina afastada, chorando muito.

— Ei... não chora — pedi, ajudando-a a se levantar do chão gelado. — Qual seu nome, anjo?

— Luana. Como a sua irmã... — ela soluçou. Meus olhos marejaram na hora.

— Como a minha irmã — repeti, a voz embargada.— Não chore, Lu. Estou muito feliz por te conhecer.

   Fiz um sinal para que todos se aproximassem. Lauren encostou na parede, me observando com atenção.

— Eu não sei bem como começar... — comecei, olhando para cada rosto. — Vocês sabem que minha vida estacionou nos últimos meses. Depois do acidente, eu me perdi. Fiquei submersa na escuridão, com medo de não dar conta do tranco se voltasse à superfície. Esqueci que, aqui fora, eu tinha vocês. Prometo que isso muda agora. Vou usar esse tempo afastada para voltar da melhor forma possível.

Olhei para o céu; a chuva começava a cair.

— Por favor, vão para casa. Está frio. Quem aqui não tem como voltar a não ser a pé? — Alguns levantaram a mão. — Quero que todos entrem na limousine do outro lado da rua. Meu motorista vai levar cada um de vocês em segurança.

   Despedi-me de todos, mas a última fã me pegou de surpresa com um selinho rápido.

— OPA! — Lauren interveio, separando-a de mim delicadamente. — Por favor, não faça mais isso.

A garota saiu radiante, mas eu entrei em pânico.

— Billie vai me matar, Lauren.

— Ela sabe como são os fãs, Lexi... — Lauren tentou me acalmar, mas eu sabia que o buraco era mais embaixo.

O Silêncio no Carro

Entramos no carro sob uma chuva que engrossava. O clima lá dentro, porém, estava mais frio que lá fora. Billie estava sentada ao meu lado, de olhos fechados, sem dizer uma única palavra.

— Amor... — tentei começar, mas ela fez um sinal seco para eu ficar quieta.

O caminho foi tenso. Finneas e Claudia cantavam com o rádio, tentando aliviar o peso, mas Billie era uma estátua de gelo. Assim que chegamos, ela desceu sem olhar para trás e foi direto para a cozinha.

come back to me...Histórias para pegar e não largar. Descubra agora