ღ Sina

497 79 19
                                        

Sina

Eu estava pronta.

Mas não consegui mover um músculo ao ouvir a voz doce me chamar de mamãe.

Eu a vi quando ela foi brincar com a cachorrinha mas ela no me notou escondida na cozinha e eu estava tão entretida olhando aqueles rostos tão familiares mas tão distantes ao mesmo tempo que nem notei quando ela voltou e como eu estava na porta da cozinha não tive como fugir ela já tinha me visto e falado pra todos ali.

- Sina...- ouço alguém falar.

E é como se eu tivesse sido atingida por um raio e um choque atravessasse todo o meu corpo.

Existia algo de familiar naqueles olhos, eu o reconheci da foto mas aquele olhar me lembrava alguém que ia muito além de um simples alguém com quem tirei uma foto.

- ele é o cara da foto - não estou perguntando quando dirigo meu olhar a Savannah eu estou constatando.

- Você não sabe quem é meu pai?- a voz doce ecoa de novo- porque ela não se lembra? E porque ela está aqui? Você disse que estrelas não visitavam os humanos papai.

- boozie isso vai mais longe que isso - Boozie, aquilo também era familiar.

A garotinha vai até o dono do par de olhos verdes e os ouço murmurar algo então ela está em seu colo e esconde a cabeça em seu peito se aconchegado ali.

- como...- uma loira se pronucia pela primeira vez - isso é loucura!

- Si... - a mulher que eu descobrir ser minha mãe me chama - essas são Joalin e Sofya as suas irmãs.

Nossos olhares se encontram e eu finalmente consigo me mover, adentrando a sala com todos aqueles pares de olhos em mim.

- Você se sente bem?- Savannah pergunta.

- Sim... eles me parecem familiares.

- a gente pode tipo....- a outra loira mexe as mãos com quem ensina a alguém como se abraça e eu só acinto com a cabeça.

Eu não lembro delas mas existe algo que me liga a todos eles, uma conexão que vai além do que eu posso explicar.

Sou tomada em um abraço cheio de saudades e sentimentos.

- ok... hora do reencontro das melhores amigas- uma voz chorosa ecoa.

As loiras me abraçando recuam e uma morena se levanta puxando a cacheada.

Elas param na minha frente e a cacheada coloca as mãos no meu rosto e limpa as lágrimas que eu nem se quer percebi que estavam ali.

- aí meu deus isso é loucura de mais para o meu psicológico.

Eu solto um riso porque não as conheçam mas elas me trazem boas sensações

- não faço ideia de quem sejam mas vocês são legais.

- Eu sou a Any - a cacheada diz e estende a mão se apresentando.

- e eu Sabina- diz a outra que ainda chora incontrolavelmente.

- somos suas melhores amigas- diz Any dando de ombros.

- é fácil se acostumar quem não ama a gente?- Sabina diz e me abraçam em seguida.

- Eu sou a Heyoon, mas você me chamava de yoon- uma coreana diz quando as outras duas garotas me soltam.

- oi yoon - digo timidamente e ela me abraça.

- bem... Eu sou Josh e...- diz o marido de Heyoon, pelo que entendi, passamos a mão no cabelo- sou meio que seu cunhado.

Agora eu me assusto.

- Eu sou casada?

- não, você ainda ia casar.

- com quem? - pergunto curiosa porque quero mesmo saber se o garoto da foto é só um amigo ou algo a mais.

Mas acho que no fundo eu já sabia, algo em mim dizia que ele não era um simples amigo.

- Você logo descobre- ele dá de ombros e também me abraça- é bom te ver de novo Sininho.

Eu sorrio porque já sonhei com esse apelido e com baby mas os sonhos com baby eram muito mais...

Hmm...

Quentes, é definitivamente essa é a palavra.

- minha vez - A voz doce ecoa novamente pelo local - Eu sou a Liv e eu sou...

- minha filha- até eu me assusto com a minha frase.

- é...- ela desce do colo do homem de olhos intensos que não parou de me olhar e coloca as mãos pra trás em um ato de vergonha- será que eu posso te abraçar mamãe?

A simples menção do nome faz meu coração palpitar e as lágrimas correrem a solta.

Eu só consigo sorrir e acentir, então me abaixo e sou tomada por bracinhos em minha volta.

Antes de eles chegarem eu estava pensando o que eu sentiria quando os encontrasse, será possível amar uma pessoa a quem você não se lembra?

Sim, é mais que possível, porque com um simples abraço essa garotinha já me fez ama-la mais que qualquer coisa.

Ela afaga meu cabelos e então a ouço sussurra

- é bom ter você de volta, papai diz que precisamos de âncoras pra nós manter no chão, eu tenho a minha de volta.

Mais lágrimas são derrubadas porque com uma única frase ela me fez a amar mais ainda.

Assim que desfazemos o abraço ela corre para os braços da garota que chuto ser Sabina.

Eu me levanto e procuro o olhar que me interessa.

- e você é o meu quase marido?

𝐀𝐍𝐂𝐇𝐎𝐑𝐒┆𝑵𝒐𝒂𝒓𝒕Onde histórias criam vida. Descubra agora