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Inundada pelo peso de seus próprios pensamentos referente à noite anterior, a primeira coisa que Joohyun notou ao descer as escadas e dar entrada na sala, além da música It Will Rain do Bruno Mars tocando no rádio, fôra a garota sentada no sofá, anotando algo que ela desconhecia sobre um pedaço de papel.

Ela escrevia com agilidade, tão eufórica e alucinada quanto Rita Skeeter no quarto filme de Harry Potter, tentando descobrir fatos e fofocas sobre o Torneio Tribruxo para expor no Profeta Diário. Levando em conta a velocidade com que ela conseguia escrever, no entanto, era bastante óbvio que ela não notaria a presença de Joohyun a menos que a garota lhe chamasse. Então, coçando a nuca, meia sonolenta, Bae caminhou até o sofá e disse:

— Bom dia.

Seulgi, instintivamente, se sobressalta no móvel, apoiando a mão sobre o tórax.

— Caramba, Irene! — Disse. — Assim eu morro do coração.

— Por que acordou tão cedo? Não são nem seis e dez ainda.

— Estudamos de manhã, esqueceu? É nosso dever acordar cedo.

Joohyun não responde, apenas suspira e joga-se no sofá, apoiando a cabeça nas coxas de Seulgi.

— O que estava fazendo? — Pergunta, manhosa.

— O de sempre.

— E o que seria "o de sempre"? — Ela simula aspas com os dedos, dando ênfase a sua fala.

Seulgi não a responde, não de imediato. Ao invés disso, coça a garganta e prepara-se para recitar o que havia escrito.

— A cor amarela significa luz, calor, descontração, otimismo e alegria. És, de fato, uma das cores mais bonitas cujas quais podemos contemplar, por isso a fiz um desenho monocromático do sol. Que apesar de tudo, nunca te percas a esperança, otimismo e a alegria. Com amor, Seul.

De repente, como se tivesse dito algo tremendamente revelador, o que, de um jeito ou de outro, aconteceu, a cabeça da garota deitada sobre suas pernas, naquele momento, parecera explodir. Mas não literalmente, é claro. Joohyun apenas não podia acreditar que Kang Seulgi, a líder babaca-nem-tão-babaca-assim, do time de handebol era tão diferente quando estava fora do colégio.

E não, isso não era um problema, de maneira alguma, é só que.. Caramba, era chocante! De todas as coisas cujas quais Joohyun tivera pensado ao seu respeito, o fato de que ela fosse uma garota extremamente profunda sequer passara por sua cabeça.

— Caramba, Kang! — Ela diz, tocada. — Você escreveu isso?

— Sim. — Seulgi responde, tímida.

Apesar de toda aquela aversão do começo, quando Joohyun notou suas bochechas ruborizarem, sentiu vontade de apertá-las.

— Que lindo. — Bae admite, levantando-se e ficando de frente à ela. — Mas 'pra quem é? Você disse "Com amor, Seulgi", no final.

Seulgi suspira, desenhando o rosto de um urso do lado do nome Seul.

— Minha mãe. — Responde, dobrando o papel. — Quando meu pai morreu, eu era muito nova e não fazia idéia de como consolá-la, então comecei a desenhar e lhe deixar bilhetinhos para fazê-la se sentir bem. E apesar dos anos, nunca perdi o hábito.

— Há quanto tempo você faz isso?

— Há mais tempo do que você possa imaginar. — Seulgi concluí, levantando-se do sofá. — Você vem? — Pergunta, estendendo a mão para Bae.

Joohyun assente, apesar de não saber para onde Kang pretendia levá-la. Agarra a mão de Kang e a segue pela ambientação até que ambas alcancem a cozinha.

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