Carta

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Respirar nunca pareceu tão difícil.

Ainda estava encostado na parede do quarto, sentado no chão desde que acordou a poucas horas. Sua cabeça doía, mas quando foi segurá-la foi que notou que seus braços e mãos ardiam mais. Estavam inchadas e vermelhas.

Quando deixou de olhar para o nada naqueles pensamentos desconexos foi que se levantou. Vestiu outra camisa, uma preta e com as mesmas roupas de baixo do dia anterior caminhou lentamente até seu sapato perto do banheiro e o calçou.

Percebeu agora que seu quarto já não tinha mais porta, havia sido tirada.

Não precisamos de privacidade nesta casa, certo?

Sem demonstrar reações foi ao banheiro sentindo a bexiga apertar. Escovou de mãos tremulas os dentes com o espelho virado para a janela. Não era necessário ver. Doeu muito mexer as mãos, então parou no meio da escovação.

Quando saiu viu sua mochila jogada no meio do quarto, mas foi em direção a prateleira com alguns livros, abriu um que se lembrou ter gostado muito de ler e folheou até encontrar a folha desenhada.

Foi onde escondeu um desenho de Ichigo, simplesmente porque tinha vergonha de deixar em seu caderno e o ruivo acabar vendo. Agora precisava tirar daquela casa. Enrolou a folha e escondeu dentro da bolsa que pegou do chão, onde deixou seus documentos também e mesmo que sentisse a dor aguda nas costelas e onde mais aquele homem pôde o machucar, ainda sim nem se lembrou de tomar algum remédio, só saiu do quarto descendo as escadas e indo em direção ao carro.

Não sabia que horas eram, mas parecia quase o meio da manhã. Marcus estava próximo ao carro e quando viu o garoto, se aproximou rapidamente.

- Uryuu? O que...

- Não Marcus, vamos, a escola, por favor. – Murmurou sentindo que não conseguia dizer nada firme. O motorista confirmou preocupado e entraram.

Uryuu deitou próximo à porta, estava com os cabelos sujos de sangue, a testa também já que havia batido a cabeça, mas ignorou tudo.

- Uryuu eu posso tentar encontrá-lo... – Marcus começou a falar assim que parou em frente ao colégio, mas Uryuu já abria a porta. – Espera Uryuu, você está todo machucado, se....

- Marcus você estava certo em não se envolver. Finja que não viu nada.

Marcus bufou.

- Eu não posso fazer isso! Já passou do limite garoto! – Dizia horrorizado.

- Já passou do limite faz tempo.

- Então não volte!... Até os meus dezesseis anos eu apanhei muito em casa, meu padrasto faltava me matar todas as vezes então eu fugi para a casa de uns tios.

Uryuu ficou calado. Ele não tinha tios, avós ou qualquer parente, Ryuken também o caçaria até o fim. O que diabos podia fazer?!

Marcus suspirou transtornado. Uryuu definhava no banco traseiro e ninguém podia ajudá-lo? Que espécie de justiça existia naquele mundo, que ordem natural regia as coisas? O motorista rapidamente mexeu no bolso do terno e tirou um envelope em formato de carta.

- Eu sei que é apegado a Luiza... Eu, eu a procurei por um endereço de email que havia em uma correspondência que chegou na mansão. – Disse rápido.

- O que? – Uryuu sentiu as lágrimas ameaçaram banhar seu rosto olhando o envelope e tentando processar as informações direito.

- Eu entrei em contato e ela me respondeu, Uryuu. Foi a pouco tempo e – Mordeu o lábio. – Ela me pediu apenas para ficar de olho em você e pra te entregar isso... Mas só quando você saísse da tutela do seu pai.

Ponta SoltaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora