Um obrigado não faz mal

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Uryuu acordou em meio a escuridão de seu quarto, seus olhos pesavam e até ardiam desejando um descanso mais longo. Mesmo assim sentou-se no canto da cama olhando uma pequena faixa aberta da cortina que vez ou outra se abria mostrando um pouco do dia.

Levantou-se seguindo para o banheiro pegando o que estivesse na frente e que seu sono o permitia ver indo para o banho. Depois da burrice de ter deixado o cabelo molhar mesmo estando atrasado desceu logo para a cozinha, se fosse secar o cabelo iria se atrasar, certeza. O sono realmente o dominava pela manhã.

A sua frente na sala de jantar sobre a mesa de dez cadeiras estava uma bandeja contendo frutas e outras com bolos e pães, não demorou que a mulher de mais idade entrasse no ambiente trazendo outra bandeja, essa com suco e torradas. Uryuu se sentou se sentindo como sempre minúsculo em tanto espaço.

- Bom dia, menino Ishida. - Disse a senhora de mais idade colocando a bandeja em sua frente e buscando também o copo de suco deixando ao lado das torradas.

Uryuu olhou sem muita reação para aquele tanto de comida. Para falar a verdade, nem era sempre assim. Vez ou outra ele podia agir normalmente com um lanche normal e sentando-se à mesa da cozinha ou em seu próprio quarto.

- Bom dia, Luísa. Para quem é o resto da comida? - Perguntou ainda sem tocar em nada. Luísa sorriu.

- É para você meu filho. - Ela o chamava assim vez ou outra, como o Menino Ishida, Uryuu não ligava. Seu estomago revirou só em pensar em comer aquilo tudo. Ela se afastou. - Não se preocupe, não deixarei ser desperdiçado.

Uryuu a chamou antes que ela voltasse para a cozinha e a mulher de expressão doce se virou o olhando com o carinho de quem já o conhecia desde as fraudas.

- Ele está aqui, não está? - Perguntou mesmo que estivesse na cara. Luísa sorriu minimamente concordando com um aceno.

- Seu pai regressou de madrugada, mas não solicitou sua presença. Pode ir para sua aula.

Ela se retirou e Uryuu não demorou a beber o suco e comer as torradas.

O motorista já o esperava dentro do carro, acostumado talvez por causa dos atrasos. O carro, um Audi Q3 preto, se encontrava recém-saído do banho no meio do pátio. Entrou no veículo e logo estavam a caminho da escola. Era preciso poucas quadras para chegar, mesmo assim ele só conseguia chegar em cima da hora.

O carro parou em frente ao colégio e o olhar angustiado do motorista percorreu toda a entrada. Estava preocupado por causa do garoto de cabelos estranhamente laranjas e cara brava que viu agarrar o braço e discutir com Uryuu há vários dias atrás. Sua preocupação não se cessou mesmo com a semana se passando. Talvez devesse ter avisado para o patrão mesmo Uryuu pedindo muito que não contasse aquilo a ninguém, mas aquele garoto parecia perigoso.

Entretanto, o incrível mesmo e que o surpreendeu muito foi o sempre quieto e calado Uryuu responder na mesma altura naquele dia. O motorista mexeu a cabeça negativamente, não adiantava nada ficar preocupado se não faria nada.

Uryuu saiu do carro e a brisa fria foi em seu cabelo o fazendo bater os dentes, se apreçou entrando no pátio seguindo para o prédio. Todos os dias eram iguais naquele lugar. A escola não teve quase nada de modificações ao longo dos anos, se mantinha do mesmo jeito: grande, velha, com professores velhos, regras rígidas, era conhecida afinal como a melhor do estado, se não a melhor do país. Mesmo assim aconteciam muitas coisas que supervisor algum conseguia ser capaz de descobrir. A escola também era cheia de problemas internos.

Quando percebeu, Uryuu já se encontrava sentado em sua carteira. A maioria dos alunos já estava na sala e logo o professor entrou com Ichigo vindo atrás com uma cara de indiferença.

Ponta SoltaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora