Cão de Caça

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Já amanhecia quando o Ishida mais novo entrou em seu quarto. Ainda estava sem porta, mas não pensou muito nisso. Seguiu para o banheiro molhando o rosto, escovou os dentes depois ficou apenas se encarando no espelho.

Ainda estava com as mesmas roupas que usava na casa de Ichigo, e não queria as tirar, não queria fazer absolutamente nada. Queria um comprimido... Algo que o fizesse parar de sentir tudo aquilo que estava sentindo. O desejo era tão forte de simplesmente sair dali e voltar aos braços do ruivo, o segurar forte. Procurou algo que fizesse aquilo parar, que fizesse seu coração parar de sentir tanta dor, mas não achou nada. Ryuken não o deixaria aliviar a dor, é claro.

Saiu do quarto atrás de alguém trabalhando na mansão e ficou sabendo assim da demissão de Marcus. Foi um dos capangas que veio o informar que Ryuken o chamava e depois de suspirar foi em direção ao escritório tendo o homem atrás o seguindo.

Ryuken o deu folhas sobre a nova filial e teve que sentar na cadeira de frente a mesa para fingir ler aquilo. Sua cabeça ameaçava explodir, suas mãos tremiam pela ansiedade incontrolável que o possuía. Mesmo assim não tinha escolha.

- Q-quando é a viagem? – Foi quando fez essa pergunta que sentiu seu celular tremer, alto demais fazendo até o patriarca ouvir.

- Não se acanhe, vamos. – Ele ironizou do outro lado da mesa, as pernas cruzadas e as costas encostadas na poltrona.

Uryuu puxou o celular vendo que era Rukya, na verdade. Desligou a chamada logo vendo o sorriso curto e cínico de Ryuken que estendeu a mão.

- Me dê. – Pediu o celular.

- Não tem nada aqui, eu posso ter alguma privacidade? – Exclamou não conseguindo se segurar.

Não que se importasse com isso. Foda-se, ele já tinha desistido de tudo. Já tinha perdido tudo que o importava.

- Vai me dar essa porcaria ou eu vou ter que te fazer me entregar garoto? – Ryuken brusco tirou os óculos encarando o filho que o desafiava tão abertamente.

Uryuu se levantou e lento entregou o celular nas mãos do mais velho.

- Eu não sou mais a porcaria de um garoto. Posso voltar para meu quarto agora? – Colocou as folhas em cima da mesa.

- Isso tudo é por causa do punk? – Ele sorriu um pouco. – O que, afinal, aquela ‘bixa' fez para você estar me provocando tanto? Deu a bunda dele quando você quis? Ele te pediu meu dinheiro?...

A mesa produziu um barulho alto quando Uryuu a socou com força olhando o homem a sua frente, os lábios tremendo de raiva.

- Cala a boca! Você não tem o direito! Eu vou trabalhar na maldita empresa, vou fazer tudo que eu odeio e não vou te trair, mas não fale dele!

O Ishida mais velho cruzou os braços voltando a encostar na poltrona, os olhos nos raivosos do filho.

- Está tentando me dar uma ordem? – Ele estava se irritando, mas Uryuu não ligou.

Ryuken podia fazer o que quisesse.

- Estou pedindo. Se vai começar a me agredir faça logo, vai ser o que hoje? Cinto, canivete, ou o chicote? Talvez inove em algo diferente. – A voz irônica saiu alfinetando, encarou o pai por pouco tempo antes de se virar. – Se não vai ser agora então não tem sentido eu estar aqui.

- Senta nessa cadeira Uryuu. – Voltou a olhá-lo quando ele se levantou começando a dar a volta na mesa. – Realmente, esse seu namoradinho fez um bom serviço. Está tão cego por ele que começou a brincar de suicida para cima de mim? Foi a bunda ou o pau de ouro dele que te fez ficar de quatro? O que Uryuu?! O que há com você?! – O encarou enojado e incrédulo.

Ponta SoltaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora