Seis dias haviam se passado desde o pedido da Alexia, e nada havia mudado. Todos continuavam trabalhando em suas respectivas posições e turnos, e com isso minha vida voltou a se resumir em dormir durante o dia, trabalhar à noite e evitar a Alexia a qualquer custo.
Mas o trabalho continuava o mesmo: assaltos em lugares de classe alta, o que chegava a me render quase 500 reais por dia, com algumas variações, claro.
Não fizemos nada grande durante a semana. Alexia estava esperando a poeira do trabalho no clube abaixar. O roubo tinha sido um sucesso: a polícia não tinha provas nem suspeitas que levassem até nós. Mesmo assim, ela achou melhor esperar. O que, claro, não impediu ela e Erick de planejarem o próximo.
— Espero que não tenha esquecido do trabalho de hoje, assim como se esqueceu de me dar a resposta sobre o pedido que te fiz.
Bastou eu me distrair um segundo para que ela me encontrasse. Quando percebi, ela já estava encostada na cômoda ao lado da porta do dormitório, com os braços cruzados. Nem sei como não a vi chegar.
— Não esqueci de responder. Ainda estou pensando. — tentei disfarçar o desconforto.
— Quando disse que te deixaria pensar, não imaginei que precisaria de tanto tempo.
Ela descruzou os braços com um sorriso leve.
— Não é uma decisão tão fácil para mim.
Tentei sustentar meu olhar no dela, na esperança de que ela deixasse aquele assunto de lado.
— Entendo, está tudo bem.
Uma linha surgiu entre suas sobrancelhas e sua expressão ficou mais séria.
— Hoje o trabalho vai ser fora da rua, um pouco mais fácil que o do clube. Vocês vão a um mercado. Erick deve ter explicado, já que vai acompanhar vocês. Se prepare.
Deu meia volta e foi embora sem dizer mais nada. Talvez estivesse brava. Talvez decepcionada. E aquilo me preocupou mais do que deveria.
Olhei para o relógio em meu pulso, marcava exatamente cinco da tarde. Logo escureceria e eu ainda não tinha muitos detalhes sobre o trabalho.
Saí à procura do Erick até encontrá-lo na cozinha com Caio, Júnior e Ana. Todos estavam comendo, quase prontos para sair.
— Quando partimos?
Cerrei os dentes, irritada por ter sido a única a não saber da reunião.
— Assim que o carro chegar — respondeu Erick, seco.
— E quando ele chega?
— Em cinco minutos.
— O quê? Quando você ia me avisar?
— Na verdade, eu não pretendia te avisar. Não te escolhi para esse trabalho, mas a Alexia fez questão de que você fosse — Inclinou o canto da boca para baixo e franziu a testa numa careta, insatisfeito, deixando claro que não me queria por perto, e mesmo sem dirigir o olhar para mim, pude sentir o desprezo dele.
Erick verificava algo no celular desde que cheguei, alternando entre a tela e um pequeno aparelho preto apoiado sobre a mesa. Quando percebeu que eu estava olhando, virou o visor para baixo como se não fosse nada importante.
O clima pesou e todos na mesa abaixaram a cabeça, como se quisessem se esconder ou fugir dali.
Segundos depois Erick se levantou, fazendo a cadeira de aço arrastar e preenchendo a sala com o som do contato, saiu carregando um sanduíche na mão e outro na boca.
— Qual é o problema dele? — perguntei, sem esperança de que alguém respondesse.
— Me parece ciúme.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Código de Silêncio
AçãoKatarina carrega consigo um passado doloroso e busca desesperadamente uma fuga para suas frustrações. Em uma tentativa arriscada de resolver seus problemas e proteger sua família, ela se junta a uma perigosa facção criminosa, mergulhando em um mundo...
