Capítulo 23:Jovens mal treinados, contra os maiores vilões de todos os tempos

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Entrei na sala do rei fingindo procurar o portal. Tentei parecer concentrada, vasculhando os livros, até ouvir um barulho atrás das prateleiras. Alguém havia caído.

— Alissa?! — cochichei, irritada. — Qual parte de “não deixe que te vejam” você não entendeu?

— Desculpa, Diabolic... mas eu sei onde está o artefato — ela respondeu, também em sussurros.

— Onde?

Antes que ela pudesse dizer, Hades entrou pela porta.

— Olá, querida — ele disse, caminhando com as mãos nas costas.

Alissa se escondeu às pressas entre as estantes.

— Está difícil encontrar o portal — falei, tentando manter a voz firme.

— Imagino. Se nem minha filha achou... — Macária apareceu na porta, parecendo calma. Amanda já havia me contado que ela estava do nosso lado.

Hades caminhou pela sala, examinando prateleiras e olhando sob a mesa. Pisquei discretamente para Macária. Ela retribuiu com um leve sorriso.

— Queria te pedir um favor, Bolic — disse Hades, me surpreendendo. Ele nunca usava apelido.

— Sim?

— Procure o meu artefato. Assim que o encontrar, traga até mim. Por gentileza.

— Claro. Mas como ele é?

— Você vai saber quando ver. E quando encontrar, eu saberei também.

— É tipo... conectado a você?

— Algo assim — disse, e saiu da sala com Macária ao seu lado, como uma serva fiel.

— Psii, psii — cochichou Alissa, ainda escondida.

— Eu sei que sou uma gata, não precisa chamar — ela riu — Onde está o artefato?

— No livro... é... Le son femi... não, calma... le senge duni feme... — ela tentava lembrar.

— Le Songe d’une femme — falei, localizando o livro no alto da estante. — Eu pego, Alissa. Obrigada.

— Olha ela... falou “obrigada” — disse Alissa, desaparecendo pelo duto de ar.

— Cala a boca!

Ouvi a risada dela ecoando nas paredes.


— Amanda! — Diabolic apareceu correndo. — Tá começando!

Olhei para James. Ele já empunhava uma espada. Um frio percorreu minha espinha. Eu ia vomitar.

Eu e Diabolic saltamos no meio do salão. Minhas unhas cresceram e meus olhos ficaram dourados.

— O que está acontecendo?! — gritou Malévola.

Todos nos reunimos. A tensão crescia.

— Eles estão se rebelando contra nós! — rugiu Hades.

— Como vocês ousam?! — gritou a Rainha Má.

— Minha filha nunca... — começou Hades.

Mas Macária correu para o nosso lado.

— VOCÊS NÃO TÊM DIREITO! — gritou a Rainha de Copas.

Alissa caiu bem no meio da roda.

— Opa! — disse, correndo para perto da gente.

Era agora.

Filhos contra pais. Jovens quase sem treino contra os maiores vilões de todos os tempos.

Hades ergueu uma enorme esfera de fogo e lançou contra nós.

Antes de nos atingir, Macária puxou a chave e abriu uma porta no meio do nada.

— MINHA PRÓPRIA FILHA?! — Hades gritou.

A porta o sugou direto para o submundo. Ele sumiu.

— Jura que foi fácil assim?! — reclamou Malévola, irritada.

— Aqui, cobra come cobra — disse Alissa. Rimos por um instante, mas o alívio não durou.

Malévola começou a crescer. Seus olhos esmeralda cintilavam. Transformou-se num dragão médio.

Jafar sacou o cajado mágico e protegeu a Rainha de Copas.

A Rainha Má puxou uma pequena varinha da coxa e sua aparência se distorceu — de bela, virou uma velha horrenda.

Úrsula surgiu com seus tentáculos. Capitão Gancho com sua espada reluzente. Cruéla sacou uma pistola. Provavelmente, balas de prata.

— Cuidado, Amanda — disse Malvino, surgindo atrás de mim.

Cruéla atirou. Desviei e corri na direção dela. Começamos a lutar.

O salão virou um caos.

GUERRA TOTAL

Eu e Alissa lutávamos lado a lado. Ela desviava dos tentáculos da minha mãe com uma leveza impressionante. Eu enfrentava meu pai — uma dor difícil de explicar.

Meu tio Smee entrou correndo, e logo James o enfrentou. Maya e Caio libertavam os presos aos poucos.

Estávamos virando o jogo.

Malévola voltava à forma humana, fraca. Úrsula já estava contida por correntes encantadas. O rei surgia no alto da escadaria.

Tínhamos vencido.

Ver nossos pais sendo presos foi um tipo estranho de dor. Confuso, agridoce. Traumatizante.

Minha mãe, Malévola, foi amarrada com correntes anti-magia. Estava sendo levada...

Mas de repente, se soltou. Tão rápido que poucos notaram.

Alissa andava perto. Gritei:

— ALISSA!

Minha mãe, furiosa, sacou uma adaga mágica.

Sem pensar, corri. Me joguei entre as duas.

A lâmina atravessou minha barriga.

— Diabolic! — gritou Alissa, me segurando.

Senti meu corpo pesar. O sangue escorria. As lágrimas vieram.

Malévola caiu de joelhos, em choque.

— O que você fez...? — murmurou. Chorou. Jogou a adaga longe.

Ninguém se aproximava.

Alissa tentou conter o sangue, rasgando a própria blusa e pressionando contra o ferimento.

— Não tem jeito... — sussurrei. — A adaga é mágica... não tem cura...

Alissa chorava.

— FOI VOCÊ! É SUA CULPA! — gritou Malévola, com os olhos em chamas.

— Não, mãe — falei, com esforço. — A culpa é sua... você... matou sua filha...

Lágrimas escorreram pelo rosto dela.

E então... ela sumiu. Virou fumaça negra e desapareceu.

Alissa me abraçou, chorando.

Logan chegou correndo, ajoelhou-se ao nosso lado. Também chorava.

— Me desculpa... — sussurrei.

— Obrigada... — Alissa disse, entre lágrimas.

James segurava Amanda, que soluçava de dor no coração.

E então...

O castelo ficou em silêncio.

Por alguns segundos, só se ouviu o som dos choros.

“Não se desculpe, Diabolic. Obrigada.”

Os Filhos dos contos de fadasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora