Capítulo 18: Baile Dos contos

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Todos decidimos executar o plano no tal baile. Passamos as duas últimas semanas planejando isso como loucos.

Ainda sinto receio, mas sei que logo passa… eu acho.

— James — Minha mãe disse entrando no quarto.

— Sim?

— Eu te amo.

— Tá, tá… eu também.

— Filho, olha pra mim — ela me vira de frente, ajeita minha gravata e olha fundo nos meus olhos. — Eu te amo.

— Eu também te amo — abracei ela, e meus olhos encheram de lágrimas.

Não posso decepcionar meus amigos. Nem meu tio. Não posso. Desculpa, mãe...

— Tem uma garota linda aí embaixo.

— A Amanda já chegou?

— Sim.

— Vamos, porrraaaaa! — Malvino e Logan chegaram me puxando pra fora.

— Hoje vamos ficar muito loucos! — disse Logan, rindo.

— Qual das duas você vai escolher hoje? — falou Malvino, também rindo.

O clima fechou.
Ficou um silêncio… até a gente abrir a porta.

Lá estava todo mundo: o grupo do Logan e o meu grupo. Todos estavam extremamente elegantes. Acho que nunca nos vestimos assim.

— Amanda — puxei ela pela cintura, levantei no colo e rodei. Coloquei ela no chão e beijei sua bochecha. Ouvi Max bufar.

Ela foi andando na frente e todos seguiram atrás.

Puxei o Malvino pro canto.

— Limpa o veneno aí.

— Foi uma brincadeira, James! Para de ser chato. Você é o legalzão agora? O politicamente correto? — ele saiu andando.

Corri até ele, cochichei algo no ouvido e segui na frente.

— Fingir ser legal faz parte do plano, porra!

Meu pai se arrumava, elegantíssimo.

— Lucy — chamou ele.

— O que foi?

— Os vilões… estão se adaptando?

— Sim, parece que sim. Eles parecem boas pessoas.

— Que bom. Espero que esteja tudo certo, porque vou fazer uma surpresa pra eles hoje: vou chamar todos pra uma sala e deixá-los fazer uma chamada de vídeo com os pais.

— O quê?! — minha mãe exclamou.

— O que tem, querida?

— Bom… esquece. Eu não confio neles.

— Você também não confiava em mim — ele disse, rindo.

Ela mostrou o dedo do meio pra ele, rindo junto.

— Bela! Você é uma dama! — ele falou, puxando ela pra perto.

Eles são tão lindos juntos. Olhei pela janela e vi todos indo a pé.

— Tchau, gente!

— Você não vai conosco? — perguntou meu pai.

— Não. Vou a pé, como pessoas da minha idade — sorri, e eles sorriram de volta.

— Oiiii, gente — falei, chegando.

— Oieeeee! — todos gritaram.

— Cadê a Sofi? — perguntou Malvino.

— “Sofi”? Hmmmm… — respondeu Katy, e todo mundo começou a rir e zoar ele.

— Oi, Lucy, né? — chegou Regina.

— Sim.

Ela sorriu e andou do meu lado. Senti borboletas no estômago.

Todos estavam tão elegantes. Fiquei tão feliz… Aposto que os “vilões” nunca tiveram essa oportunidade.

Dava pra ver nos olhos deles. Foi sim uma boa ideia trazê-los!

E o Logan… como ele estava lindo.
Um lindo canalha.

— Alissa — ele veio falar comigo. Todos já estavam caminhando, e eu seguia sem olhar pra trás. — Alissa! Por favor!

— O que foi? — perguntei, ainda andando.

— E a gente?

— Existe "a gente"? — parei e olhei pra ele. — Pra mim era... Capitão Logan e Diabolic.

Voltei a andar. Ele me segurou e me encarou. Minhas pernas tremiam de raiva.

— Alissa, ela foi minha primeira paixão. É difícil esquecer. Mas você… você não é difícil de esquecer. Você é impossível!

Tá. Estou toda boiolinha por ele.

— Você fala tudo isso agora, mas na festa transa com a Diabolic — falei, me soltando dele e indo com a Katy.

— Gente, cadê meu irmão? — perguntou Katy.

— Ué… e a Macária? — falei.

Todos se olharam… e caíram na risada.

O plano estava rolando. Tudo em seus devidos lugares. Macária estava enrolando o Harry pra ficarem no castelo do rei, só na zoeira jovem.

Mal sabe ele que está procurando o portal para o mundo humano.

Estou indo para esse baile pra pegar a bendita varinha da Fada Madrinha, que ela só usa no baile como proteção para o rei.

Tudo dentro do plano. Estou feliz.

— Você parece feliz, Diabolic — falou Max.

— Estou, Max. Finalmente vou a um baile de verdade e...

— Me poupe do discurso — ele cochichou. — Qual é o plano de vocês? Ouvi o James cochichar pro Malvino. Acham que a gente é idiota?

Eu me arrumava pro baile com minha irmã Luiza. Ela ficava se pegando com o Lucas, rindo e cochichando. Eca. Que fofo.

Ouvi uma música vindo da janela. Always Forever.

A música minha e do Caio.

Fui até a sacada. Lá estava ele, no meu gramado, com a caixa de som no último volume e um cartaz: “Me desculpa por ser um fdp”.

— Vai se foder! — gritei e fechei a janela.

Luiza me olhou surpresa.

— Ele acha que eu sou o quê? Uma idiota? Que pode me usar quando quiser?

— Eu não falei nada, Maya. Estamos indo pro baile. Vai com a gente?

— Eu vou com o Caio — falei, saindo correndo escada abaixo.

Ele estava deitado no chão com um buquê, a música ainda tocando.

Me deitei do lado dele. Ele me olhou, surpreso.

— Me perdoa, Maya. Eu fui um otário. Prometo por tudo que é mais sagra...

— Cala a boca — falei.

Ficamos em silêncio. Vi Luiza e Lucas indo embora na moto.

— Eu não quero ir pra esse baile idiota. E você precisa limpar esse gramado antes que meu pai te mate — falei. Ele sorriu e tentou me beijar.

Me levantei rápido.

— Não vai ser fácil assim, Caio.

— Mais maluca que o Chapeleiro — ele disse, rindo.

Mas mantive minha pose de brava.

Os Filhos dos contos de fadasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora