- Pronto. Agora eu sigo direto, é isso?
- Eu vou esperar aqui cinco minutos e você segue andando. Ontem fui na frente e você me seguiu, que eu vi!
Alfie riu timidamente e coçou a cabeça, constrangido com minha observação.
- Se achar que está perdido, apenas pare de caminhar e espere eu encontrar você. Fique visível!
- Tá bom.
Senti que ele queria dizer mais alguma coisa, mas Alfie ficou quieto. Olhei para ele com ares de interrogação, como se esperasse ele completar o raciocínio.
- Desculpe, Lilith. Eu sei que eu deveria saber vir sozinho para a parada, mas o caminho é longo demais. Eu sempre me perco quando tento vir sozinho.
- Da última vez, foi um desastre. Só te acharam de noite, achei que sua mãe fosse morrer de susto! E isso porque o caminho nem é tão longo! Imagina aquela nossa colega que a casa fica a meia hora da parada! Essa sim tem do que reclamar!
- Eu não consigo mesmo decorar o caminho. Já tentei de tudo. Eu odeio ser desse jeito! Eu odeio saber que você tem vergonha de andar comigo...! Espero que algum dia eu consiga fazer você sentir orgulho de mim, Ann.
- Duvido! – respondi secamente.
Eu estava irritada. Havia acabado de me curar de uma gripe, mas ainda estava abatida. Minha mãe me pediu que eu ficasse em casa mais um dia, para não ter uma recaída, então eu estava psicologicamente preparada para dormir até mais tarde. Alfie veio correndo para a minha casa, pois seu pai, irritado com o fato de ele não ter aprendido o caminho até o ponto de ônibus, o obrigou a sair sozinho aos berros, e trancou a mãe dele no quarto para que ela não o ajudasse. Ele não chegou a dizer isso, mas para mim é óbvio que rolou violência física. Seus olhos estavam vermelhos, e ele com certeza tinha chorado muito antes de me pedir ajuda.. Para evitar que Alfie se perdesse, eu tive que abrir mão do meu último dia de descanso para me arrumar e levar ele.
Mesmo me irritando com esses detalhes inconvenientes de sua existência, Alfie sempre foi muito carinhoso e era hábito dele colocar os sentimentos de todas as pessoas acima dos dele. Naquele dia, no recreio, ele me procurou para um particular quase ao fim do recreio.
- Ann!
- O que foi?
- Eu fiquei aqui esperando um tempão para falar com você. Acho que suas amigas já foram embora.
- Ah, é? E daí?
- Eu queria te dar meu convite de aniversário. É na sexta.
Quando vi aquele convite, como vi a muitos outros convites de aniversário do mesmo Alfie, jamais pensei...
- Eu vou ver se eu vou.
... que estaria segurando o último.
- Hah! 16 anos? Nunca tinha prestado atenção que você era mais novo do que eu, Alfie.
Ele sorriu com candura, como sempre fazia quando eu o respondia de um jeito amigável, o que era raro. Sorri para ele de volta, porque é o que a gente faz quando vê alguém como Alfie sorrindo. Mas a fisionomia dele ficou tensa em um segundo, e ele apontou para algo atrás de mim como se eu tivesse acabado de ser pega por um professor colando.
- O que foi...?
- Annie, o que é isso? - perguntou uma das minhas amigas, tomando o convite da minha mão.
Elas estavam em grupo.
- Ai, não acredito! Sério que esse nerd teve coragem para te chamar para ir na festinha de aniversário dele? Meu Deeeeeus, que falta de noção!
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Best Friends (FINALIZADA)
RomanceBest Friends conta a história de três amigos: Annette, Drielly e Alfred. Contada em flashbacks, remonta a três períodos: o presente, onde Alfred já é morto. A infância distante, onde os três se conheceram. O passado recente, onde Alfred, adolescente...
