Capitulo 1 - Sonhos confusos.

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Estamos ambas na casa do lago dela. O céu está incrível esta noite — nada de novo, na verdade, já que sempre passamos os fins de semana lá; é a nossa tradição.

— O que foi? — ela pergunta, sentada no carpete em frente à lareira da sala. Seus grandes olhos azul-oceano estão focados nos meus, e parte de mim se sente intimidada por esse olhar.

— Nada — respondo, voltando minha atenção para o fogo. — Só pensando.

— Em quê? — pergunto.

— Em você.

— Em mim? — Minha voz sai em um tom grave, encarando-a de volta.

— É, boba. Em você — ela se vira para mim novamente e dá um sorriso sem mostrar os dentes. Um sorriso extremamente sedutor. — Sempre em você.

Ela engatinha até mim, segura meu rosto com as mãos e aproxima seus lábios dos meus...

— Liz, são sete horas! A Madson já está aqui! — Minha irmã mais velha grita da cozinha, o aviso seguido logo por sussurros abafados.

Levanto da cama num salto. Meu despertador começa a tocar exatamente no mesmo instante, me trazendo de volta à realidade. O sonho me atormenta por alguns segundos enquanto digiro o que acabou de acontecer: quem estava me beijando era a Madson. Madson, minha melhor amiga.

Não encana com isso, Elizabeth, foi só um sonho tento me convencer.

Um sonho extremamente vívido, mas ainda assim, apenas um sonho. Esfrego os olhos com os dedos, tentando afastar a imagem.

— ELIZABETH!

— Eu cuido disso! — ouço a voz de Madson ecoar pelo corredor.

Em alguns segundos, meu quarto é invadido por aquela figura baixa e agitada. Os cabelos dourados caem sobre os ombros, por cima de uma jaqueta jeans de marca. Como sempre, trajando um vestido em tom pastel, ela sorri e pula na cama sobre mim, fazendo-nos afundar no colchão duro.

O toque dela me deixa nervosa. O que é extremamente ridículo, obviamente, já que demonstrações de afeto sempre foram comuns entre nós. Somos amigas desde que nos entendemos por gente. Minha mãe trabalhou para os pais dela, minha irmã trabalha para o pai dela... O que poderia haver de errado nisso?

— Terra chamando Lizzy! — Ela estala os dedos na frente do meu rosto. — Lizzy, onde você está?

— Eu acabei de acordar, Mads — digo, forçando um bocejo e a empurrando para o lado antes de levantar. Meu pijama de patinho sobe um pouco, revelando minha barriga lisa quando estico os braços. — Estou morta.

— Claro que está. Conciliar escola, treino e trabalho não é o que uma garota de dezesseis anos deveria estar fazendo, não acha?

— Já conversamos sobre isso — falo, caminhando até o guarda-roupa.

Meu quarto não é grande. Na verdade, é bem pequeno para ser dividido com a Sue. A parte da minha irmã mais velha está sempre um brinco, já a minha é outra história: a cama bagunçada, materiais escolares espalhados pelo chão, a bola de futebol de um lado e, do outro, meus tênis com as luvas de goleira enfiadas dentro.

Encaro o cesto de roupa suja com um pouco de desgosto. Era para eu ter lavado tudo ontem, porém, mais uma vez, minha mãe acordou indisposta e não deu conta das tarefas. Eu não a estava criticando; ela nunca mais foi a mesma desde que meu pai foi embora, três anos após o nascimento dos gêmeos.

Ele disse que não aguentou a pressão. Ficamos sem notícias dele por quase dois anos, até ele decidir começar a mandar cem dólares para cada um para "despesas". Bom, ele claramente não faz ideia de
quanto custa o leite das crianças hoje em dia.

A garota dos meus sonhos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora